Clube de leitura
Porque ler é um prazer que deve ser partilhado
17 de Dezembro de 2012

Um dos livros mais emocionantes que li em 2012, apesar de já estar neste blog a apreciação deste livro feita por outra colaboradora não resisti e quis deixar também a minha opinião.

 

É um livro que logo de início nos prende com a descrição do nascimento do quarto filho da família Branco que na altura vive em Penafiel. José nasceu franzino, mas logo atraiu as atenções pelo tamanho descomunal do seu pénis , que despertou a curiosidade das vizinhas que se prontificavam a ajudar D. Amélia, sua mãe.

 

José teve a sua primeira paixão aos nove anos, a Mimicas, que um dia vê partir para Cabo Verde, mas quis o destino que voltassem a reencontrar-se e casar. Entretanto conhece Maria Imaculada, rapariga ainda nova , que vai trabalhar para casa de seus pais e que um dia por acaso vê o tamanho do membro do seu patrãozinho e logo congeminou fazer uso dele e sempre que podiam os dois se perdiam em noites escaldantes, até seu pai ter descoberto e ao invés de fazer um escândalo, teve com ele uma conversa séria em que questiona o filho o que quer fazer na vida, dado que não era um aluno brilhante e qual não é o seu espanto, quando o filho lhe diz que quer ser médico e especializar-se em medicina tropical.

 

Parte para Moçambique nos anos 60. Fica em Xai Xai durante algum tempo e depois vai para Tete, aí desenvolve um serviço humanitário que é descrito de forma emocionante pelo autor.

 

Veste-se de branco e juntamente com a irmã Amélia e Sheila percorrem numa avioneta aldeias onde se faz sentir mais a necessidade de cuidados médicos.

 

O livro termina com o relato do massacre de Wiriyamu dando-nos assim a conhecer a realidade da guerra do Ultramar, para muitos desconhecida, tanto para os que viviam em Moçambique como para os que viviam na metrópole.

 

678 páginas em que José Rodrigues dos Santos, baseando-se em factos verídicos, nos relata de uma forma notável e emocionante o trabalho humanitário à mistura com uma guerra que marcou de forma cruel muitos dos que a viveram.

 

Sinopse

 

A vida de José Branco mudou no dia em que entrou naquela aldeia perdida no coração de África e se deparou com o terrível segredo. O médico tinha ido viver na década de 1960 para Moçambique, onde, confrontado com inúmeros problemas sanitários, teve uma ideia revolucionária: criar o Serviço Médico Aéreo.

No seu pequeno avião, José cruza diariamente um vasto território para levar ajuda aos recantos mais longínquos da província. O seu trabalho depressa atrai as atenções e o médico que chega do céu vestido de branco transforma-se numa lenda no mato.

Chamam-lhe o Anjo Branco.

Mas a guerra colonial rebenta e um dia, no decurso de mais uma missão sanitária, José cruza-se com aquele que se vai tornar o mais aterrador segredo de Portugal no Ultramar.

Inspirado em factos reais e desfilando uma galeria de personagens digna de uma grande produção, O Anjo Branco afirma-se como o mais pujante romance jamais publicado sobre a Guerra Colonial - e, acima de tudo, sobre os últimos anos da presença portuguesa em África.

 

 

publicado por Existe um Olhar às 19:06 link do post
30 de Agosto de 2012

 

Para mim há livros que são de verão, por serem de fácil leitura em que facilmente podem ser lidos numa praia, ou numa esplanada e não se perde facilmente o fio à meada e outros de inverno em que no aconchego de uma lareira nos podemos embrenhar sem corrermos o risco de distracções e a nossa entrega pode ser total.

Há uns anos atrás falaram-me neste livro e há dias entrei numa livraria e ele ali estava mesmo à minha frente a pedir que o levasse, em boa hora o fiz, li-o com uma avidez tal que ao fim de um dia tinha acabado.

Apesar de ser uma história interessante o que mais me cativou foram os 9 talismãs que funcionaram como uma espécie de auto ajuda para situações que todos vivemos no dia a dia e que por vezes se torna difícil lidar com elas.

A título de curiosidade deixo um dos talismãs que mais me marcou:

 

Represente algo maior que você

"Não existem pessoas a mais no mundo. Cada um de nós está aqui por uma razão, um objectivo especial - uma missão. Sim seja feliz e divirta-se muito. E sim, seja bem sucedido, à sua maneira e não da maneira que lhe é sugerida pela sociedade. Mas - acima de tudo - seja útil. E dê serviço maior ao maior número de pessoas possível, é assim que cada um de nós pode mudar do reino do comum para o reino da excelência.

E caminhe entre os melhores que já viveram."

 

SINOPSE

Jonathan Landry tem uma vida atribulada. Ainda a recuperar do fracasso do casamento, tenta não dedicar todo o quotidiano ao trabalho e ainda manter algum contacto com o filho pequeno. Contudo, a sua vida parece uma constante fuga para a frente, até ao dia em que um bizarro encontro com Julian Mantle, um parente distante e que há muito não vê, o leva a empreender uma viagem que transformará a forma como vê o mundo.

Jonathan é encarregue de uma missão tão incompreensível quanto complexa: terá de viajar por todo o planeta em busca das cartas e objetos que contêm os segredos e lições que Julian aprendeu ao longo da sua vida. Dos salões de Tango de Buenos Aires às catacumbas de Paris, dos arranha-céus de Shangai aos desertos místicos da Califórnia, Jonathan aprende a acreditar nos sonhos e a desafiar os limites, e descobre que o poder de viver uma vida extraordinária está ao alcance de todos nós.

 

 

publicado por Existe um Olhar às 09:57 link do post
30 de Julho de 2012

"A Sombra do Vento é um mistério literário passado na Barcelona da primeira metade do século XX, desde os últimos esplendores do Modernismo até às trevas do pós-guerra. Um inesquecível relato sobre os segredos do coração e o feitiço dos livros, num crescendo de suspense que se mantém até à última página" segundo diz na sinopse.

 

Uma história maravilhosa de um autor catalão que acabei de descobrir. Um livro com outro livro dentro. Uma história sobre como um livro pode mudar a vida de alguém. A história ideal para quem adora livros como eu, ou devo dizer, para quem é obcecada por livros como eu?!

Grande parte do "cenário" é uma livraria mais propriamente um alfarrabista mas passa também por um sítio especial  O Cemitério dos livros esquecidos.  E é nesse local mágico que tudo começa, quando o Sr. Sempere aí conduz Daniel, a personagem principal desta história:

 

" - Este lugar é um mistério, Daniel, um santuário. Cada livro, cada volume que vês.tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se forte. Há já muitos anos, quando o meu pai me trouxe pela primeira vez aqui, este lugar já era velho. Talvez tão velho como a própria cidade. Ninguém sabe de ciência certa desde quando existe, ou quem o criou. Dir-te-ei o que o meu pai me disse a mim. Quando uma biblioteca desaparece, quando uma livraria fecha as suas portas, quando se perde no esquecimento, os que conhecemos este lugar, os guardiães, asseguramo-nos de que chegue aqui. Neste lugar, os livros que se perderam no tempo, vivem para sempre, esperando chegar um dia às mãos de um novo leitor,de um novo espírito. Na loja nós vendemo-los e compramo-los, mas na realidade os livros não têm dono. Cada livro que aqui vês foi o melhor amigo de alguém. Agora só nos têm a nós, Daniel"

 

Nesse lugar Daniel descobre um livro e descobre um autor misterioso. A partir daí empreende numa busca, muitas vezes perigosa, por esse homem e pela sua história. 

Uma obra para quem ama os livros, sem dúvida nenhuma.

 

 

Originalmente publicado aqui

publicado por Charneca em flor às 09:49 link do post
04 de Maio de 2012

Este livro já não é uma novidade, antes pelo contrário. A edição é de 1994. Desde que li "A soma dos dias" que desejava ler este. Aliás li-os pela ordem inversa. "A soma dos dias" começa precisamente, onde este termina. "Paula" foi escrito durante 1 ano pela autora durante o tempo em que a filha permaneceu em coma em sequência de uma doença grave que a afectava. Durante as longas horas em que Isabel Allende esperava que a filha acordasse foi escrevendo a sua história de vida e a dos seus familiares mais próximos. Este livro é, ao mesmo tempo, o relato da dor de uma mãe pelo sofrimento da filha e um relato bibliográfico da vida intensa de Isabel Allende que se cruza com a história do seu país, o Chile. Não é um livro fácil porque sofremos com a autora, emocionamo-nos com o amor e dedicação do jovem marido de Paula e participamos da revolta inicial e depois da progressiva aceitação da situação em que Paula se encontra. Apesar de tudo vale a pena ler mas só se tivermos um coração forte. Acredito que haja quem não seja capaz de lê-lo até ao fim.

 

 

"Tento não cair em sentimentalismos, que tanto horror te provocam, filha, mas terás de desculpar-me se de repente me vou abaixo. Estarei a ficar louca? Não dou pelos dias, não me interessam as notícias do mundo, as horas arrastam-se penosamente numa espera eterna. O momento de te ver é muito breve, mas o tempo gasta-me aguardando-o"

 

" Eu pensei então que há séculos imemoriais que as mulheres perderam filhos, que é a dor mais antiga e inevitável da humanidade. Não sou a única, quase todas as mães passam por essa provação, quebram-se-lhes os corações, mas continuam a viver porque têm de proteger e amar aqueles que ficam."

 

 

Post originalmente publicado aqui

publicado por Charneca em flor às 21:55 link do post
23 de Abril de 2012

Hoje celebra-se o Dia Mundial do Livro e como tenho aqui alguns já lidos, mas que ainda não tive oportunidade de colocar aqui, escolhi um de fácil leitura, que nos relata o quotidiano de três mulheres dos anos noventa. Três irmãs com vidas e comportamentos diferentes e que me fizeram lembrar o dia a dia de muitas mulheres que conheço e até de mim mesma, já que todas de uma forma ou de outra, vivemos problemas, sentimentos e emoções comuns, tudo depende do meio, das circunstâncias e do modo com cada mulher reage em situações ou de muito trabalho, de tédio, de liberdade, de ousadia ou remoendo traumas de infância, para que hajam comportamentos tão diferentes como os que vêm descritos no livro.

Há sempre a mulher certinha como a Ana, casada, boa esposa, boa mãe e com um bom marido, mas que sente que lhe falta qualquer coisa.

Deparamo-nos com outra para quem o trabalho é a sua razão de viver e que coloca de parte qualquer tipo de emoções, usando e abusando do seu lado mental e da análise lúcida e objectiva dos acontecimentos. Ter uma relação amorosa está fora de questão.

Por último e não menos comum, aparece a inteligente, que usa e abusa de drogas, noitadas, sexo e álcool, mas que consegue conciliar a sua vida de estudante com o emprego num bar nocturno.

Ao longo do livro a escritora vai alternando os capítulos contando separadamente histórias de cada uma das irmãs.

É um livro que prende, de leitura fácil, com linguagem acessível e actual e que será sem dúvida uma leitura para aqueles dias em que queremos descomprimir.

 

SINOPSE

 

Amor: uma possibilidade remota para Rosa, uma memória triste para Cristina, uma recordação dolorosa para Ana.
Curiosidade: haverá outra vida para além das fronteiras do quotidiano, dos espaços fechados do escritório, do lar ou do mais recente bar na moda ?
Prozac: vinte miligramas diárias de paz química comprimidas numa pastilha verde e branca que bloqueiam os pontos do cérebro que ligam as ideias e os sentimentos.
Dúvidas: famílias desfeitas, empregos precários, relações efémeras, sexo infectado - é possível sobreviver ao naufrágio ?
Com um estilo pessoalíssimo, pleno de ambivalências na linguagem do quotidiano, Amor, Curiosidade, Prozac e Dúvidas fala sobre as mulheres dos anos 90, narrando na primeira pessoa, de A a Z, as vidas de três irmãs, Ana, Rosa e Cristina Gaena. As suas histórias reflectem os problemas e os conflitos de três diferentes tipos de mulher que, por mais estranho que possa parecer, representam uma só coisa: vidas incompletas. Os seus fracassos são também os mesmos: o da mulher numa sociedade dominada pelo homem, num final de século sem valores, iludido pelo seu próprio progresso material.
Lucía Etxebarría concebeu um romance sobre a dura busca da identidade feminina à margem das convenções, assumindo-se como uma crítica aberta contra os estereótipos femininos. Foi originalmente escrito para ser publicado na Internet de modo a que cada utilizador pudesse alterá-lo segundo a sua perspectiva pessoal

 

 

publicado por Existe um Olhar às 20:16 link do post
23 de Fevereiro de 2012

Já se sabe que quando um livro é adaptado para cinema há sempre alguma coisa que se perde. Obviamente que adaptação não quer dizer que o filme tenha de ser exactamente igual ao livro. A história escrita é sempre mais rica de pormenores do que um filme até porque o que resulta escrito pode não resultar em cinema. A mim acontece-me, como à maioria das pessoas que gostam de livros provavelmente, nunca gostar dos filmes que resultam de livros que eu já li. Uma coisa é aquilo que eu vejo, no livro, o que eu imagino e outra coisa é aquilo que o realizador e o argumentista viram naquela mesma obra. Então agora tenho feito o caminho ao contrário, se vir um filme que me marca de alguma maneira, vou à procura do livro que lhe deu origem. Sempre é uma maneira de conhecer melhor as personagens e a história. E foi isso que eu fiz depois de ter visto este "Os homens que odeiam as mulheres". Ainda não conhecia os livros e o filme foi uma oportunidade de tomar contacto com este autor sueco que morreu antes de publicar os seus livros (uma trilogia da qual, este é o primeiro livro) e já não viu o sucesso e a loucura que as suas histórias desencadearam por todo o mundo. 

A história anda à volta da figura de um jornalista, Mikael Blomkvist, cuja vida profissional dá uma reviravolta depois da publicação de um artigo sobre um financeiro, da qual resulta um processo por difamação. Blomkvist é condenado a uma pena de prisão e ao pagamento de indemização. Ele decide afastar-se da revista onde trabalha e acaba por ir trabalhar para um velho industrial, Henrik Vanger. Este homem tinha estado muitos anos à frente de uma empresa familiar mas a sua vida foi ensombrada pelo estranho desaparecimento da sua sobrinha mais querida. Blomkvist vai trabalhar com Vanger, alegadamente, para escrever a biografia da família Vanger mas o verdadeiro motivo da sua presença junto de Vanger é descobrir o que aconteceu à sobrinha há quase 40 anos. Para deslindar esse mistério, ele acaba por contar com a ajuda de uma investigadora suigeneris, Lisbeth Salander. cujos métodos de trabalho não os mais ortodoxos. Ao longo da história são abordados tem como os crimes económicos e a violência contra as mulheres. Uma história densa, sombria e até sangrenta que nos surpreende a cada virar de página. 

Neste pequeno excerto, pode-se ler a resposta de uma das personagens a uma pergunta feita por Mikael Blomkvist:

 

"- Foi uma escolha que fiz. Podia discutir os aspectos morais e intelectuais daquilo que faço, podíamos falar a noite inteira, mas isso não mudaria nada. Tente ver as coisas da seguinte maneira: um ser humano é uma casca feita de pele que mantém as células, o sangue e os componentes químicos nos respectivos lugares. Muito poucos acabam nos livros de História. A maior parte das pessoas sucumbe e desaparece sem deixar rasto."

 

Post originalmente publicado aqui

publicado por Charneca em flor às 09:40 link do post
13 de Janeiro de 2012

 

 

 

Por sugestão de Carlos Manuel Lopes da Silva no blogue Clube de Leitura, resolvi ir à procura do livro que se segue ao "Em busca do carneiro Selvagem". E é este "Dança, Dança, Dança". Ainda gostei mais deste livro do que do primeiro. Talvez tenha sido por já estar mais familiarizada com o universo de Marukami. Ou pela história ainda mais cativante e fantástica tocando o suspense.. Ou pela riqueza das personagens ou pelas referências musicais ainda mais constantes. A personagem principal, e narrador, é um homem solitário na casa dos 30. A história inicia-se com a necessidade deste homem ir à procura da sua namorada da qual se desencontrou no livro anterior. Esta procura condu-lo, novamente, ao misterioso Hotel Golfinho.

Esta busca real transforma-se numa busca espiritual de si mesmo, do sentido da sua vida e de como há-de construir a sua vida. Uma história detectivesca mas também uma história de amizade e amor. Mais um romance brilhantemente escrito por Haruki Murakami

 

 

"Passo a vida a sonhar com o Hotel Golfinho.

Nos meus sonhos, sinto  que faço parte do hotel. Que é como quem diz, esses sonhos revelam claramente que tenho com ele uma relação sem a qual não poderia existir, como se o hotel fosse uma espécie de prolongamento do meu ser. A imagem apresenta-se-me distorcida, mostrando um edifício alongado no sentido do comprimento. Mais parece uma imensa ponte coberta, que se estende de um passado distante até aos confins do mundo. E eu faço parte desse cenário. Há ainda alguém que chora, e essas lágrimas são por minha causa.

O hotel envolve o meu corpo. Consigo sentir nitidamente os batimentos do seu coração e o seu calor. Em sonhos, faço parte dele.

É assim, no meu sonho."

publicado por Charneca em flor às 09:58 link do post
14 de Dezembro de 2011

 

Este é um livro escrito por uma apresentadora de televisão e jornalista que um dia deixou o marido e os filhos já crescidos e foi viver sozinha numa casa à beira mar.

Ao longo de toda a narrativa revi-me em muitas situações que desejava  alterar e não consegui.

Joan Anderson ao invés de se divorciar, decidiu dar um tempo a si própria, tirar uma espécie de licença sabática em relação ao casamento e ao seu papel de mãe sempre disponível e dar um tempo a si própria, já que tudo parecia estagnado, deixando de ter objectivos.

Quando o marido recebe uma excelente proposta de trabalho num outro estado, ela recusa-se a acompanhá-lo e isola-se na casa de praia em Cape Cod.

À beira mar, Joan procura um novo rumo para si e para a sua família e ao longo de um ano descobre que a vida está cheia de novas possibilidades.

Apesar das dificuldades porque passou, recuperou a alegria de viver e a esperança num futuro melhor.

Esta leitura não é um romance, mas sim uma história de vida que nos convida a reflectir sobre aspectos que muitas vezes são esquecidos, fazendo com que nos anulemos e vivamos em função dos outros.

Aprende-se sobretudo a nunca descurar as nossas necessidades pessoais.

Actualmente Joan vive com o seu marido em Cape Cod, onde organiza workshops e é oradora frequente em palestras que versam os problemas das mulheres e o papel dos media nas nossas vidas.

Na contracapa do livro deixa-nos algumas perguntas para reflexão:

 

Todas as mulheres deveriam estar sozinhas durante dois dias por ano, e fazerem disso uma prioridade?

Enfrentarão as mulheres o perigo de perderem o rasto dos seus "eus " mais recônditos?

Acha que as expectativas do passado encaixam na sua vida actual?

 

Este é um livro dedicado às mulheres, mas que a meu ver também os homens deveriam ler, para que pudessem entender comportamentos, emoções, sentimentos, dúvidas que nos assaltam e que poderão colocar em perigo uma relação.

publicado por Existe um Olhar às 19:00 link do post
09 de Dezembro de 2011

Este foi o primeiro livro que li de Marc Levy, escritor francês mais lido em todo o mundo.

O Ladrão de Sombras é um livro que se lê em poucas horas e que me cativou de imediato, pela escrita fluente, pela história que nos prende do princípio ao fim.

Na capa pode ler-se: "Uma história de amor magistral", pensava eu que se tratava de um amor entre duas pessoas, mas conclui que era muito mais que isso.

O menino desta história era pequeno para a idade e gozado pelo seu colega de turma Marquès, seu pai abandonou a mãe tendo-a trocado por outra mulher. Os anos foram passando e tornou-se médico.

Ao longo de todo o livro há sempre a amizade que nutre pelos colegas e o infinito amor que nutre pela sua mãe e só no final do livro se descobre a sua antiga paixão por uma menina muda que um dia reencontra.

Descobre um dom especial que é roubar a sombra das pessoas com quem se cruza, sejam amigos ou inimigos, deixando-o bastante atemorizado de início. Mais tarde serve-se desse dom para ajudar as pessoas.

A ternura, a inocência e o dom sobrenatural do protagonista desta obra são, sem dúvida, pontos que jogam a favor do sucesso deste romance.

 

SINOPSE

No seu novo romance, Marc Levy conta a história de um rapazinho com um dom invulgar: ele consegue «roubar» as sombras das pessoas com quem se cruza. Ao princípio, acontece-lhe involuntariamente e isso chega a assustá-lo. Sempre que se cruza com alguém – seja um amigo, um inimigo ou um perfeito desconhecido –, a sombra da outra pessoa passa a segui-lo. Por vezes contra a vontade do rapaz, as sombras contam-lhe os mais profundos desejos, temores e aspirações das pessoas a quem pertencem.

E o rapaz vê-se em mãos com um dom que traz uma grande responsabilidade: ao saber estes segredos, terá de ajudar as pessoas – ajudá-las a recuperar «essa pequena luz que lhes iluminará a vida».
Durante umas férias de verão à beira-mar, apaixona-se por uma rapariga muda, chamada Cléa, com quem comunica através da sua sombra. E a sombra deste primeiro amor acompanhá-lo-á durante anos…
Mais tarde, o nosso «ladrão de sombras» torna-se estudante de Medicina, e debate-se com a questão de usar ou não o seu dom para ajudar a curar – tanto os seus pacientes como os seus amigos. Afinal, será ele verdadeiramente capaz de adivinhar o que poderá fazer felizes aqueles que o rodeiam? E ele próprio, saberá onde o espera a felicidade?

 

publicado por Existe um Olhar às 17:28 link do post
07 de Dezembro de 2011

Diz assim na contracapa e cito" (...) Esta é uma história mesmo especial e não queremos desvendá-la. Ainda assim, vai precisar de saber um pouco mais (...) Esta é a história de duas mulheres. Os seus destinos vão cruzar-se e uma delas terá de fazer uma escolha terrível (...) que envolve vida ou morte. Dois anos depois, elas encontram-se de novo. É então que a história começa verdadeiramente...."

 

Este número um do top do "The New York Times", alcançou este lugar não por mero acaso: leitura fluida e acessível, escandalosamente fácil de entender e cativante. A personagem principal é a Abelhinha, apesar de o título apresentar a "pequena abelha". Na minha opinião, trata-se de um percalço derivado da tradução de Little Bee. Seja como for, O nome é por si só a primeira charada: "quem é se chama assim? E porquê?"

"Quem é a outra mulher e que escolha terrível é esta? Será mais um cliché?"

Deixo as perguntas por responder no ar e para aguçar ainda mais a vontade de pegar no livro e ler, acrescento algumas palavras-chave: praia, batman, imprensa, mandioca, weh!.

 

Esta é uma óptima alternativa para uma prenda de Natal. Ofereça cultura!

Post originalmente publicado em Miss G

publicado por Miss G às 17:16 link do post
06 de Dezembro de 2011

 

Tal como há uma escrita sul-americana influenciada peça cultura daquela região, há também uma maneira de contar histórias típica dos países asiáticos. Haruki Murakami é um escritor japonês muito aplaudido pela crítica que eu só descobri agora. "Em busca do carneiro selvagem" foi o primeiro livro que requisitei nestemeu regresso ao universo das bibliotecas, fruto da necessária contenção de gastos bem como da manifesta falta de espaço para continuar a dar largas à minha paixão pela leitura. a história desta procura de um carneiro muito especial é ao mesmo tempo real e fantástica. É difícil distinguir a acção propriamente dita da fantasia. Obviamente, Murakami é influenciado pela cultura japonesa mas também é tocado pela cultura norte-americana, literária ou musical, à qual faz muitas referências. Estamos perante um romance detectivesco onde a busca incessante pelo tal carneiro se confunde com a busca de um amigo do passado e a busca do sentido para a vida do narrador/personagem principal. Uma história onde há espaço para a atracção por umas orelhas perfeitas, um especialista em carneiros encerrado no quarto de um hotel e um verdadeiro homem-carneiro. Um livro difícil de largar até chegar à última página, ao desfecho final...

 

"a verdadeira razão pela qual eu não guardava as fotografias no fundo de uma gaveta prendiam-se com o visível fascínio que aquelas orelhas passaram a evercer sobre mim. Eram cem por cento perfeitas. Umas orelhas de sonho. (...) Uma das suas curvas, de uma ousadia inimaginável, rasgava a fotografia de alto a baixo, outras enrolavam-se em delicadas filigranas de luz formando sombras subtis, outras ainda havia que descreviam, como se uma antiga pintura mural se tratasse, inúmeras lendas de tempos antigos."

 

 

"O homem-carneiro vestia uma pele de carneiro que o cobria da cabeça aos pés. A vestimenta ajustava-se na perfeição ao seu físico atarracado, apesar de se ver a pele na zona dos braços e das pernas tinha sido cosida poeteriormente, em jeito de remendo. O capuz que lhe envolvia a cabeça também era feito de retalhos de pele, mas os chifres enrolados em espiral que lhe saíam do alto do crânio, esses eram verdadeiros. Duas orelhas achatadas, sem dúvida armadas com a ajuda de arame, projectavam-se horizontalmente dos lados do capuz."

publicado por Charneca em flor às 23:29 link do post
04 de Dezembro de 2011

Este livro foi finalista em 2006 do "Man Booker Prize for Fiction" e tem uma estrutura completamente diferente do habitual. Começa no pós-guerra em 1947 e recua até 1941, dando a perceber a história das personagens através do passado, mostrando-nos que de certa forma todas elas estão relacionadas...

Foi o primeiro livro que li deste autora e gostei bastante, dos personagens, da história, da densidade dos sentimentos, tendo sempre como pano de fundo os horrores da Guerra: os bombardeamentos dos aviões alemães a Londres, a destruição de monumentos históricos, a morte de centenas de inocentes e o bom carácter de algumas pessoas corajosas que arriscavam a vida para ajudarem os outros...

A história centra-se na vida de quatro pessoas em Londres: Kay, Helen, Vivien e Duncan, focando-se sobretudo nas suas relações e sentimentos.
Aborda questões como a emancipação feminina, o machismo da sociedade londrina, a homossexualidade, a infidelidade, aborto, o suicídio...

As descrições são bastante intensas, quase nos sentimos com as personagens a ouvir os apitos dos Vigilantes, o medo das bombas, os clarões das chamas, do pó e das cinzas... a sentir necessidade de viver os dias como se fossemos morrer a qualquer segundo, sob a iminência de ser atingido pelas bombas alemãs...

Um livro que apesar de passar das 400 páginas é bastante fluído e muito fácil de ler. Recomendo a todos!
Do Blog Black Magic Bird
publicado por Jorge Soares às 22:59 link do post
30 de Novembro de 2011

Venho, mais uma vez, falar de um livro de um dos melhores escritores portugueses da actualidade, José Luís Peixoto. Este "Cemitério de pianos" foi distinguido com o Prémio Cálamo Otta Mirada, como o melhor romance estrangeiro publicado em Espanha em 2007. Nas próprias palavras do autor (no autógrafo que me deu na Feira do Livro) esta é uma história "onde existe uma família infinita". Realmente este é uma história sobre as relações entre os membros de família, entre marido e mulher, pais e filhos ou entre irmãos. Uma história feita de amor mas também de violência e de momentos de solidão e de saudade. Um espaço que serve de fio condutor é o cemitério dos pianos que, mais tarde ou mais cedo, toca a vida de todas as personagens:

 

"Devagar, a claridade encheu todo o cemitério de pianos. A luz deslizou pelas superfícies de pó (...) havia pianos de todos os géneros que se ervuiam, sólidos e empilhados, quase a tocarem o tecto. Encostados às paredes, havia pianos verticais uns sobre os outros na ordem com que o meu pai, ou o seu pai antes dele, os tinha equilibrado. Ao centro, havia muros de pianos sobrepostos (...) E sobre um piano de cauda estava outro piano de cauda mais pequeno e sem pés (...) O ar fresco do cemitério de pianos entrava nos pulmões e trazia o toque húmido do pó pastoso que era a única cor: o cheiro de um tempo que todos quiseram esquecer, mas que existia ainda."

 

A escrita de José Luís Peixoto não é, de modo nenhum, linear. Para o acompanhar temos que ter um ritmo de leitura alucinante porque tão depressa estamos no presente como logo encontramos o passado com os olhos postos no futuro. O texto é tão rico que é difícil destacar uma única passagem. Um dos "momentos" tocantes é este poema que surge a dada altura:

 

"na hora de pôr a mesa éramos cinco

 o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs

 

 e eu, depois, a minha irmã mais velha

 casou-se, depois, a minha irmã mais nova

 

 casou-se, depois o meu pai morreu, hoje

 na hora de pôr a mesa, somos cinco,

 

 menos a minha irmã mais velha que está

 na casa dela, menos a minha irmã mais

 

 nova que está na casa dela, menos o meu

 pai, menos a minha mãe viúva, cada um

 

 deles é um lugar vazio nessa mesa onde

 como sozinho, mas irão estar sempre aqui

 

 na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco,

 enquanto um de nós estiver vivo, seremos

 sempre cinco."

 

 

Ou então a reflexão de uma das personagens, Francisco Lázaro, enquanto corre na maratona dos Jogos Olimpícos de Estocolmo:

 

"Correr é estar absolutamente sozinho. Sei desde o ínicio:na solidão, é-me impossível fugir de mim próprio (...) enquanto corro, fico parado dentro de mim e espero. Fico finalmente à minha própria mercê"

 

Um autor a não perder de vista.

publicado por Charneca em flor às 12:12 link do post
27 de Novembro de 2011

Este é o segundo livro que leio da Patricia Highsmith e (tal como no outro) fiquei agradavelmente surpreendida, para quem está habituado aos seus policias, este romance acaba por ser realmente uma grande surpresa.Creio que é preciso grande coragem para em 1952 escrever e propor-se a publicar um livro com esta temática e sobretudo com o final que teve. Tanto que de início a obra foi recusada pelo primeiro editor, pois ninguém na altura queria ficar conotado como "apoiante de homossexuais".A história centra-se numa história de amor entre a jovem Therese de 19 anos,  que se apaixona por Carol, uma mulher mais velha, em processo de divórcio e com uma filha.

Therese trabalha num armazém onde é mal paga, enquanto aguarda emprego na sua área (desenho cénico) e é nesse emprego que conhece Carol, ambas sentem de imediato grande empatia e começam a ver-se frequentemente; entretanto Therese termina com o namorado pois percebe quase de imediato que aquilo que sente por ele não se compara ao sentimento que cresce dentro dela pela a outra mulher. Carol convida Therese para viajar com ela pelos Estados Unidos, durante essa viagem ambas descobrem esse amor proibido, no entanto acabam por ter de se separar devido ao facto de estarem a ser seguidas por um detective privado contratado pelo ex-marido de Carol, que ia reunindo escutas ilegais e outras evidências de que elas estavam juntas e pretendia usar isso em tribunal como algo de negativo, numa clara vingança pelo seu orgulho ferido, para que Carol perdesse o direito de ver a filha. No entanto Carol não consegue renunciar ao amor de Therese e acabam por se reencontrar e o livro termina com a possibilidade de um futuro entre as duas. 

É porventura o primeiro livro onde um casal homossexual tem um "happy end", antes deste livro as histórias com personagens  homossexuais morriam de formas horríveis, suicidavam-se ou "tornavam-se" heterossexuais como se a sua orientação sexual fosse o primeiro caminho para a perdição...

Este livro causou assim quase logo de início grande polémica entre a sociedade norte americana, não só por mostrar uma relação de amor entre duas mulheres, mas sobretudo por terminar de um modo muito diferente do que era habitual até então.

É possível também perceber ao longo da história uma forte crítica à sociedade norte-americana sua contemporânea: a hipocrisia, a ignorância e preconceito das pessoas, a exploração do trabalho feminino, o egocentrismo dos membros do jet-set da época. Mas por outro lado mostra-nos a coragem de algumas pessoas que resolveram lutar pelos seus sentimentos, pelas suas crenças perdendo com isso partes importantes das suas vidas, sendo abertamente criticadas e, em muitos casos, simplesmente ostracizadas, por não se limitarem a ser iguais a tantas outras mulheres que nasceram para ser mães e esposas.

Este é um livro para quem tenha mente aberta, despida de preconceitos e que acredite no Amor sob todas as suas formas.
Quetzal
Post do Blog Black Bird
publicado por Jorge Soares às 22:56 link do post
19 de Novembro de 2011

Na sequência de thrillers policiais agendados para os dias de Inverno, li (há já um mês e picos) Jussi Adler-Olsen. Segundo as informações disponíveis no site oficial do autor o livro só agora foi recentemente publicado nos mercados inglês, australiano e indiano.Eu li a versão alemã e suspeito que nenhum de nós chegue a ler a original em dinamarquês!

Mercy relata o desaparecimento misterioso da política progressista Merete Lynggaard num belo dia de Inverno. Dado a sua exposição social, os media entram em alvoroço levantando suspeitas de homicídio, suicídio ou de um plano de desaparecimento voluntário. A polícia inicia as buscas em larga escala, mas tudo indica que Merete Lynggaard simplesmente desapareceu da face da Terra. O que aconteceu realmente? Estará Merete Lynggaard viva?  

Carl Mørck é o inspector responsável pela investigação. Depois de ter sido afastado temporariamente do activo devido a um acidente de trabalho envolvendo dois colegas, volta para inaugurar o recentíssimo Departamento Q. Este departamento é responsável pela reabertura de casos não resolvidos em tempo útil, como o de Merete Lynggaarde funciona com regras muito próprias ditadas pelo seu único funcionário: o próprio Mørck. Mas Mørcktende a evitar as pilhas de arquivos acumuladas na sua secretária e passa o seu tempo a fumar no novo gabinete, enquanto tenta dominar as recordações e culpas do acidente em que esteve envolvido. 
É então que surge Assad, um imigrante que não domina o dinamarquês e ainda não se adaptou por completo aos costumes do país, pronto para o ajudar. Esta personagem intrigante e muito peculiar, com papel preponderante na acção é um dos elementos chave desta obra. O contraste de carácter dos dois - Mørck um anti-herói intuitivo, pouco dado aos colegas e Assad uma pessoa sociável, sistemática, inteligente - proporciona-nos uma fantástica alternância de passagens verdadeiramente cómicas, alternadas com o drama e dureza da investigação nem sempre ágil e frutuosa. Depois de cindo anos após o seu desaparecimento, a busca de Merete é finalmente reiiniciada. Serao Mørck e Assad capazes de resolver este mistério?
 
Há imensa coisa ainda por dizer acerca deste livro, pormenores deliciosos que deixo para quem quiser ler. A crítica acarinhou muito este autor, assim como a  série do Departamento Q. Para quem procura um novo óptimo autor estrangeiro, aqui está ele. Atreva-se!
 
 
Post inicialmente publicado em Miss G
publicado por Miss G às 20:06 link do post
09 de Novembro de 2011

 

Para começo de conversa, tenho a dizer que embirro com o José Rodrigues dos Santos. Não compreendo como é que ele tem tempo de escrever um romance de 600 e tal páginas todos os anos e ainda conseguir trabalhar na RTP. Para além disso, pareceu-me que os livros "A Formula de Deus" e o "Sétimo Selo" foram publicados para aproveitar a moda das histórias de conspiração de Dan Brown e similares. Também não percebo a necessidade de pegar em temas religiosos e polémicos. No entanto, li uma reportagem na revista "A Volta ao Mundo" sobre este livro e a viagem que José Rodrigues dos Santos fez a Moçambique e fiquei muito curiosa. O livro já estava cá em casa desde o natal passado mas só li agora. Fiquei agradavelmente surpreendida. José Rodrigues dos Santos coloca neste romance, a sua alma, as suas recordações da infância em Moçambique, as lembranças do pai que  foi médico em Moçambique onde fundou o Serviço Médico Aéreo levando os cuidados de saúde às aldeias mais recôndidas de Moçambique.

 

A figura central é o médico José Branco, baseado, como já disse, no pai do próprio autor. Ao longo do romance vamos acompanhando todo o percurso de vida, a infância e adolescência em Penafiel, a vida académica em Coimbra até culminar com o exercício da medicina em Moçambique. Também presente está a Guerra Colonial e a Ditadura, a Pide, o racismo e a falta de liberdade de expressão. A parte que tem mais, intimamente, a ver com a Guerra é um pouco chocante mas faz sentido porque  conduz a um dos mais terríveis segredos da Guerra Colonial. Li, do princípio ao fim, com o mesmo interesse e fiquei cheia de pena quando acabou. Um importante documento ficcional que traz, aos dias de hoje, um pouco da nossa História recente.

 

«A viagem do aeroporto, situado em Chingodzi, até Tete foi relativamente curta, mas demorada. A estrada era de terra  batida avermelhada. Parecia pó de tijolo, varrida por sucessivas nuvens de poeira que as viaturas erguiam a caminho da cidade, como se os pneus fossem tubos de escape. A paisagem apresentava-se plana e seca, dominada por árvores gigantes com enormes raízes e troncos largos e rudes, que davam a impressão de músculos em esforço. As copas estavam despidas, com os ramos nus espetados em todas as direcções; parecia um emaranhado de arames. Os dois Brancos nunca tinham visto coisa igual.

 "Que árvores são estas?", quis saber Mimicas.

O inspector ixou a atenção numa árvore monumental mesmo ao lado da estrada.

"Embondeiros"»

publicado por Charneca em flor às 12:04 link do post
31 de Outubro de 2011


Esta obra literária retrata o clima de opressão, medo e terror vivido na República Dominicana durante o governo do ditador Rafael Leónidas Trujillo, mais propriamente os momentos que antecedem o seu assassinato e o lento processo de democratização do país, protagonizado pelo presidente Joaquim Balaguer.

É curioso perceber como as personagens se vão movendo conforme os seus próprios interesses, passando por cima daquilo que sabem ser moralmente correcto, sem qualquer tipo de arrependimento, não hesitando passar para a antítese do que defenderam durante anos não só como forma de sobrevivência, mas sobretudo pela ambição do poder. Faz lembrar um pouco a questão da evolução de Charles Darwin: os indivíduos que sobrevivem não são necessariamente os mais fortes ou mais inteligentes, mas sim os que se conseguem adaptar.

Isso explica como personagens que eram apoiantes directos do governo de Trujillo, adolando-o, prestando-lhe culto como um "Deus", humilhando-se para o servir, se conseguem adaptar às mudanças políticas que emplicaram o assassinato do "chefe supremo" e no momento da transição democrática aparecem a insultar a sua memória e como representantes da mudança e da liberdade...

É curioso como a memória dos povos é curta e se esquecem frequentemente dos horrorres cometidos pelos regimes ditatoriais, neste caso em particular havia pessoas que simplesmente desapareciam de um dia para outro, caso se suspeitasse que nutriam algum tipo de sentimento anti-Trujillista eram perseguidos, torturados e frequentemente assassinados da forma mais cruel possível, acabando entregues a voracidade de tubarões.

É um bom livro para reflectir sobre até onde vai a sede de poder de alguns seres humanos, confesso que nalguns momentos achei completamente arrepiante a descrição das turturas sofridas pelos assassinos de Trujillo, todos os pormenores, os cheiros, os sons são descritos de tal forma que parecemos ver e vivenciar os acontecimentos. É impressionante depois perceber como os assassinos do ditador e as suas respectivas famílias (inocentes) foram primeiro perseguidos, apontados e entregues pela própria população às forças dos Serviços Inteligentes, acabando a maioria por falecer devido às torturas; e depois de mortos, já durante a democratização do país, serem considerados heróis da Pátria...

Algo que achei também bastante interessante ao longo do livro é que o autor vai-nos dando as diferentes facetas e as perspectivas das personagens, aquilo que os move, as suas paixões, os seus dramas individuais...

Concluo referindo que mesmo tendo noção de que se trata de História ficcionada gostei bastante do livro e recomendo a todos que gostem de pensar.

 

Post do Black Bird

publicado por Jorge Soares às 08:28 link do post
25 de Outubro de 2011

O rei do Mercado - Juliette Benzoni

 

As férias da Páscoa foram molhadas, no Alentejo foram muito molhadas, tal como o ano passado fomos para o Zmar, só que ao contrário do ano passado, esta vez não deu para grandes maratonas fotográficas e nem chegamos a ir à Zambujeira do Mar.. muito menos à praia.

 

Uma das melhores coisas deste parque de campismo é que tem livros para emprestar, é uma pequena biblioteca com titulos de autores conhecidos, já tinha lido muito do que por lá está, a P. pegou neste O rei do Mercado quase ao acaso, ela sabe que eu gosto de romances históricos pelo que achou que seria uma boa sugestão para mim.

 

Nunca tinha sequer ouvido falar nem da autora nem do livro, percebi depois que este o Rei do Mercado é o segundo livro uma trilogia, chamada Segredo de Estado e narra a vida de Silvie, uma jovem que foge primeiro aos assassinos da sua família e mais tarde quando já é uma das damas da Rainha, para salvar a sua própria vida. Em ambos os casos é salva por um jovem da nobreza Francesa pelo que nutre um amor tão grande como impossível de se realizar.

 

Toda a história se passa na França de Luis XIII e retrata a vida da corte, os jogos de poder, as intrigas, paixões e traições da nobreza francesa desta época. Com o desenrolar da trama vamos tomando conhecimento de uma serie de acontecimentos da história da corte francesa que pelo menos para mim eram mais ou menos desconhecidos e que envolvem as guerras com a Espanha, a intrigas palacianas de Ana de Áustria e os jogos do poder que foram utilizados pelo  temível cardeal Richelieu e que marcaram uma época na história da Europa.

 

É um livro bem escrito de leitura leve e que deverá agradar a quem como eu gosta de romances históricos, é de certeza um bom livro para levar nas férias.. especialmente se estiver de chuva.. a mim deu-me para duas tardes... e fiquei com vontade de ler os dois volumes restantes da trilogía.

 

Sinopse

 

Trama, segredos e paixão. Ao rigor histórico Juliette Benzoni alia um ritmo de aventura, romance e conluios pelo poder. Num vigoroso e efervescente retrato da corte francesa dos séculos XVII-XVIII com o seu luxo e decadência, amores e traições, escreve um contagiante romance histórico em três volumes. Da fuga da pequena Sylvie de Valaines, que escapa a vingança de Richelieu, à cumplicidade que terá com a amante de rei, e o segredo que guarda sobre o nascimento do delfim Luís XIV que se dirá Rei-Sol, atravessamos - em três títulos - um período envolto em segredos e mentiras.   Confessa leitora de Alexandre Dumas, apaixonada pela História, a autora francesa tem mais de 300 milhões de leitores por todo o mundo. E percebe-se porquê: lendo o primeiro logo queremos continuar-e-continuar na sua viagem no tempo.   Casados há mais de vinte anos, sem que a rainha tivesse ainda dado à luz um herdeiro, o súbito milagre veio alegrar a corte mas também lançar viperinos boatos sobre a verdadeira paternidade do príncipe herdeiro. Se em «O Quarto da Rainha» Sylvie se torna a portadora de um segredo real, em «O Rei do Mercado» ela paga bem caro a sua lealdade. Reconhecida pelos que assassinaram a sua família, é obrigada a casar com o terrível La Ferrière que a viola na noite de casamento. Desorientada, foge e é novamente encontrada, por acaso, por François que a esconde e faz espalhar a notícia da sua morte. Estará assim a salvo?

 

Post do O que é o Jantar?

 

Jorge Soares

publicado por Jorge Soares às 19:07 link do post
27 de Setembro de 2011

 

Este é já o terceiro livro que leio de Lesley Pearse. Esta autora escreve sempre sobre mulheres e mulheres muito fortes. Desta vez a heroina é Matilda Jennings e a acção conduz-nos desde os bairros mais miseráveis de Londres, em 1842, até aos Estados Unidos da América do início do século XX durante 783 páginas. Ao longo destas páginas acompanhamos a construção de um país já que atravessamos os pontos cruciais da História dos Estados Unidos da América, desde os primórdios de Nova Iorque passando  pela conquista do Oeste Selvagem pelos colonos em busca de terra, a corrida do ouro ou a Guerra entre o Norte e o Sul. No início da história, Matilde é uma simples vendedora de flores que, por um acto desinteressado, salva a vida de uma criança e esse momento muda a sua vida para sempre. Um romance, ao mesmo tempo histórico e épico, de amor, morte, lágrimas e alegria (como diz na contracapa). Um exemplo de que por maior que seja a dor, por maior que seja a queda, haverá sempre motivo para nos levantarmos. O volume do livro assusta, a princípio, mas prende-nos até ao último momento. 

Uma das frases mais marcantes desta história foi colocada, pela autora, na boca de Matilda: " Mas, acima de tudo, quero ter feito uma diferença na vida de outras pessoas", um excelente lema de vida.

 

 

Sinopse:

 "Aquele podia ter sido um dia como tantos outros na vida de Matilda, uma pobre vendedora de flores. Mas aquele é o dia em que Matilda salva a vida de uma criança e recebe a mais preciosa das dávidas: a oportunidade de fugir da mde iséria e construir uma nova vida. Em brevetrocará os bairros degradados de Londres pelos recantos misteriosos de Nova Iorque, as planícies do Oeste Selvagem e a febre do ouro em São Francisco. Munida apenas da sua coragem, beleza e inteligência, a jovem está apostada em ditar o seu destino, nem que para tal tenha de lutar contra tudo e todos. A sua rebeldia condena-a à solidão. Mas um dia também viverá as emoções de um verdadeiro amor.Um amor que terá de suportar a separação, a guerra e os tormentos do nascimento de uma nova nação. Será no Novo Mundoque Matilda vai aprender o que a sua infância não lhe ensinou: que todos nascem iguais, que a coragem e a generosidade são o que de mais nobre pulsa no coração humano, e que, por mais doloroso que seja, a vida tem de continuar e nunca se deve olhar para trás." 

publicado por Charneca em flor às 23:41 link do post
26 de Setembro de 2011

 

Sinopse:

Durante o sono, a minha mente apagará tudo o que fiz hoje. Amanhã acordarei como acordei hoje de manhã. A pensar que ainda sou uma criança.  A pensar que tenho toda uma vida de escolhas pela frente... As memórias definem-nos. O que acontece se perdermos as nossas memórias sempre que adormecemos? O nosso nome, a nossa identidade, o nosso passado, até mesmo as pessoas de quem gostamos – tudo perdido numa noite. E a única pessoa em quem confiamos poderá estar a contar-nos apenas metade da história. Bem-vindos à vida de Christine.
 
As críticas, muito boas, como podem ler na capa do livro sao em tudo justas. Este é para mim o melhor thriller do ano. Uma história emocionante, que nos envolve desde as primeiras linhas até ao desfecho. Para quem pensa que esta é apenas mais uma historieta de uma pessoa que perde a memória, vale a pena dar o benefício da dúvida.
Christine é uma personagem densa, envolta em incerteza, construída em terreno nem sempre sólido e seguro que nos arrasta na procura da sua vida. O que vem a descobrir sobre si e quem a rodeia supera qualquer expectativa inicial. A história vira e revira e chegamos mesmo a pôr em causa o que lemos, a lógica da personagem, da narrativa.  O primeiro capítulo é muito forte e cativante e está disponível na página da internet do livro.
Convido a quem sentiu uma pontinha de curiosidade a lê-las e a deliciar-se com as restantes 300!
 
Post publicado inicialmente em Miss G. 
publicado por Miss G às 17:03 link do post
16 de Setembro de 2011

Ao contrário do que (me) é habitual, primeiro o autor, depois a obra.

Andreas Franz foi o escritor de thrillers e policiais mais famoso da Alemanha. Aos 56 anos, depois de 20 obras e mais de cinco milhoes de livros vendidos morre de doenca prolongada. Para os conhecedores de autores internacionais de policiais, Franz foi até comparado pela crítica a Henning Mankell, sendo apenas melhor que este!

 

 

 

Sinopse de "Unsichtbaren Spuren" (Pistas invisíveis):

1999 - Auge do inverno no norte da Alemanha. Na estrada, Sabine de dezassete anos de idade, espera por uma boleia. Um carro pára. Pouco tempo depois, a rapariga está morta ... 5 anos depois. Novamente uma jovem é encontrada brutalmente assassinada. E há indicações crescentes de que o assassino ainda é responsável por mais assassinatos. Soren Henning, inspector-chefe dos detectives em Kiel, foi nomeado para chefiar uma comissão especial. No caso de assassinato de Sabina prendeu um suspeito que era inocente, o qual se matou na sua cela. Desde então, Henning é atormentado com a culpa e anseia vira a reparar o seu erro. No decurso da sua investigação, ele faz uma descoberta arrepiante: Aparentemente, o assassino pega suas vítimas ao acaso e pode atacar a qualquer momento. Um criminoso que mata ao acaso? Em seguida, outro assassinato acontece - e Henning recebe um poema e uma breve carta, que aparentemente derivam do agressor. O Comissário está ciente de que ele próprio está na mira do serial killer ...

 

Esta obra é simplesmente fantástica: repleta de pormenores, descrições e com um trama intensa desde o início ao fim. Aconselho a todos os apreciadores de policiais que queiram ler algo de novo. Com Franz, Mankell e Adler Olsen, a minha lista de leitura vai engordar este Outono/Inverno.

 

Post originalmente publicado em MISS G

publicado por Miss G às 16:00 link do post
29 de Agosto de 2011

 
J.Rentes de Carvalho nasceu em 1930 em Vila Nova de Gaia. Obrigado a abandonar o país por motivos políticos, viveu nalguns países onde colaborava em vários jornais.
 Em 1956 passou a viver em Amesterdão onde se licenciou e passou a ser docente de Literatura Portuguesa entre 1964 e 1968. A partir dessa altura dedicou-se exclusivamente à escrita, tendo alguns dos seus livros alcançado o estatuto best-seller.
Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia, foi o primeiro a ser editado em Agosto de 2011 em Portugal com uma tiragem de apenas 3500 exemplares.
Do livro constam várias histórias de fácil leitura e que cativam logo no primeiro instante. Para quem não tem muito tempo para ler, mas gosta de o fazer, basta que leia uma duas ou três histórias por dia, sem ter aquele problema de perder o fio à meada quando se fazem longos intervalos de leitura.
Há uma variedade de temas que passam por uma paixão tórrida em Sevilha; a crueldade de um filantropo inglês; o crime passional de Bébé Almeida; o afamado bordel de Madame Blanche enquadram algumas das extraordinárias histórias que compõem os Lindos Braços da Júlia da Farmácia.
Se o seu problema é não ter tempo para ler um livro de uma ponta à outra sem grandes interrupções, aconselho vivamente a leitura deste livro.
publicado por Existe um Olhar às 21:08 link do post
23 de Agosto de 2011

Sinopse:

Podemos viver toda uma vida sem nos apercebermos de que aquilo que procuramos está mesmo à nossa frente. 15 de Julho de 1988. Emma e Dexter conhecem-se na noite em que acabam o curso. No dia seguinte, terão de seguir caminhos diferentes. Onde estarão daqui a um ano? E no ano depois desse? E em todos os anos que se seguirão? Vinte anos, duas pessoas, um DIA.

 

Esta sinopse sabe-me a pouco, daí que acrescento as palavras de Charles Dickens, que caracterizam a primeira de três partes da obra:

 

" Foi um dia memorável, pois operou grandes mudanças em mim. Mas isso se dá com qualquer vida.
Imagine um dia especial na sua vida e pense como teria sido seu percurso sem ele. Faça uma pausa, você que está lendo, e pense na grande corrente de ferro, de ouro, de espinhos ou flores que jamais o teria prendido não fosse o encadeamento do primeiro elo em um dia memorável"


 

 

Não se deixem enganar pela breve sinopse: A obra tem muito pouco de lamechas, quase nada, diria. Em e Dex bebem demais numa festa onde se conhecem ao fim de muitos anos a estudar na mesma faculdade. Em sempre teve um fraco por Dex, apesar de ele ser tão oposto ao que ela praticava. À parte de alguns clichés que irão descobrir ao longo da narrativa ( os opostos atraem-se, Em quer mudar o Mundo, Dex quer explorá-lo, entre outras), é a envolvente confusão, os encontros e reencontros destes dois amigos que dão sumo à narrativa. Todos os anos, durante duas décadas, no dia 15 de Julho é feito um ponto de situação: onde estão, o que pensam, o que sentem, as expectativas.

 

Discordo inteiramente da primeira frase da sinopse: ambos souberam que era amor, desde muito cedo. O plano de conquistas, de tentativas de reencontros, de aproximação, a cumplicidade, os fracassos e todo um rol de tramas são puramente reais, tristes, desoladores, por vezes angustiantes. Há passagens que suscitam uma vontade descomunal de falar com as personagens para elas mudarem. Por isso é impossível ler o livro sem criar uma ligação com Dex e Em e sentir-se tocado com tudo o que lhes acontece. 

 

Este livro é por tudo isto, recomendado mesmo a não amantes de romances e uma óptima sugestão para o Outono. 

Um último conselho: o trailer do filme parece muito sensaborão , comparado com o livro.

 

Post publicado originalmente em Miss G

publicado por Miss G às 16:48 link do post
10 de Julho de 2011

Como achei que este espaço também pode servir para divulgar leituras para crianças, agora que se encontram de férias, resolvi divulgar aqui este livro infantil de José Saramago, que poderá ser uma óptima sugestão de leitura para este período.

Foi para mim uma surpresa descobrir este livro; é uma história que prende, de fácil leitura e com bonitas ilustrações.

Saramago conta-nos a história de um menino que vai até ao fim do mundo para salvar uma flor.

Melhor que qualquer palavra que poderia acrescentar, deixo um vídeo animado com locução no inicío e no final, feita pelo autor.

 

 

 

publicado por Existe um Olhar às 12:40 link do post
30 de Junho de 2011

 

Comprei este livro por mero acaso...

Como não posso passar diante de uma livraria sem entrar, aqui há tempos ao passar na Bertrand, não resisti e entrei. Comecei a dar uma vista de olhos, peguei neste livro e voltei a pousá-lo. Agarrei noutro livro da Rosa Lobato de Faria e aparece o meu marido, à espera que eu me decidisse para ir embora e para não aborrecê-lo mais com os meus vícios, voltei ao primeiro livro do qual apenas li a sinopse, percebi que era de um autor Português – ando virada para os nosso autores –, mas não perdi mais tempo, passei pela caixa e sai com os dois livros na mão, o meu marido abanando a cabeça com ar de quem já nem vislumbra salvação para mim....

 

Chegada a casa debrucei-me sobre a minha última compra e percebi que o autor – Nuno Meireles – é portador de paralisia cerebral e escreve com os pés.

Desde logo, senti uma grande admiração pela força e dedicação demonstrada.

 

Mais tarde, depois de iniciada a leitura do livro suspeitei ser uma edição de autor.

É de facto uma obra sem editora por trás, uma edição de autor à venda única e exclusivamente na lavraria onde o adquiri. Curioso o que o acaso faz....

Nota-se por alguns erros de impressão e umas 2 páginas repetidas que não teve o acompanhamento devido, mas abstraindo-me dos erros da edição, confesso que a história em si prendeu-me desde o início, embora tenha contudo alguns reparos a fazer em termos de estilo e escrita que, diga-se de passagem, já transmiti ao autor e escuso-me de o fazer aqui. Sendo um escritor amador, compreende-se que a sua escrita ainda esteja a amadurecer.

 

O acaso levou-me a comprar um livro do qual sem dúvida gostei e pelo caminho levou-me a conhecer uma pessoa determinada, corajosa e pela qual nutro agora uma profunda admiração pela dedicação, esforço, vontade de conseguir ir mais além. Uma força que fazia falta a muita gente, sem dúvida!

 

Caso pretendam adquirir este livro, por favor visitam a página do autor ou contactem comigo, seria um prazer ajudar à compra de um exemplar que com certeza irá ajudar o autor.

 

Sinopse:

 

"Duas vidas, um destino" relata a vida de dois jovens em idade pré-adulta, pertencentes a classes sociais completamente distintas, de zonas do país diferentes - Cascais e Valpaços - e que devido a um acidente de viação deixa Igor paraplégico, cruza-se na vida de Iola onde esta se torna no pilar principal da sua vida.
Para além das suas duas personagens principais, esta obra conta com outras personagens não menos importantes no desenrolar da estória, dando a esta um sabor ainda mais especial.
"Duas vidas, um destino" é um romance bastante actual e abrangente, tocando em assuntos sensíveis da nossa sociedade, como é o caso da descriminação social não só por se ficar ou ser deficiente mas também por se ser mais pobre que os outros; da infidelidade, da sexualidade nas suas várias vertentes.
É sem dúvida uma obra que vai despertar o interesse do leitor do primeiro ao último parágrafo.

publicado por Abigai às 14:54 link do post
27 de Junho de 2011

Esta leitura vem tarde, comparada com o lançamento do livro. Mesmo assim aqui fica a minha opinião sobre uma obra já conhecida por muitos.

Sinopse:

Washington, D. C.: Robert Langdon, simbologista de Harvard, é convidado à última hora para dar uma palestra no Capitólio. Contudo, pouco depois da sua chegada, é descoberto no centro Rotunda um estranho objecto com cinco símbolos bizarros.
Robert Langdon reconhece-os: trata-se de um convite ancestral para um mundo perdido de saberes esotéricos e ocultos.
Quando Peter Solomon, eminente maçom e filantropo, é brutalmente raptado, Langdon compreende que só poderá salvar o seu mentor se aceitar o misterioso apelo.
Langdon vê-se rapidamente arrastado para aquilo que se encontra por detrás das fachadas da cidade mais poderosa da América: câmaras ocultas, templos e túneis. Tudo o que lhe era familiar se transforma num mundo sombrio e clandestino, habilmente escondido, onde segredos e revelações da Maçonaria o conduzem a uma única verdade, impossível e inconcebível.
Trama de história veladas, símbolos secretos e códigos enigmáticos, tecida com brilhantismo, O Símbolo Perdido é um thriller surpreendente e arrebatador que nos surpreende a cada página.
O segredo mais extraordinário e chocante é aquele que se esconde diante dos nossos olhos… (retirado do site da Wook)

 

 

À semelhança do que acontecera com Anjos e Demónios, esta obra está repleta de simbolismos. Os primeiros capítulos foram mais do mesmo, leia-se muito semelhantes aos da obra acima referida. Senti isto por ter acabado de a ler há relativamente pouco temp, quando decidi continuar a ler este autor. Contudo, à medida que a trama se torna mais densa, a vontade de saber como Langdon vai decifrando os símbolos bizarros aumenta exponencialmente. (Foram cerca de 500 páginas lidas em pouco mais de um ápice!)

Mais uma vez, Dan Brown revela a sua capacidade fenomenal de nos dar a conhecer muito sobre uma série de temas muito abrangentes: desde a história até à religião, isto se alguma vez as duas se conseguissem dissociar. Fiquei especialmente intrigada para saber mais sobre a (franco)maçonaria e de um dia ir visitar o Capitólio com outros olhos. Recomendo ainda a todos aqueles que, tal como euse interessam sobre estas temas e pela ciência noética. Sem dúvida uma obra para as férias de Verão.

 

Post inicialmente publicado em Miss G

publicado por Miss G às 18:34 link do post
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21 de Junho de 2011

 

Esta obra mundialmente conhecida de Jurek Becker fala de um judeu de nome Jakob que vive num gettho polaco dominado pelos alemãesdurante a II Guerra Mundial. Uma noite Jakob é apanhado na rua depois das oito - hora obrigatória do recolher - e levado para instalações alemãs para apresentar contas, isto é, pedir um castigo justo. Jakob pensar ter chegado o seu fim, mas acabada por ser libertado sem punição alguma. Bom, na verdade o seu castigo foi ouvir uma emissão de rádio que dava conta dos avanços dos russos na luta contra os aliados.  Neste momento e sem desacreditado pelo seu amigo Mischa acerca da veracidade da notícia, Jakob afirma ter ouvido a notícia no seu rádio. A boa nova espalha-se pelos habitantes e a posse do objecto proibido torna-o no alento dos seus compatriotas.

Ao contrário do que acontece no filme que foi adoptado em 1999 para o cinema (existem as versões de 1975 e de 1999), os alemães não chegam a descobrir a existência do aparelho, na história original que até tem dois finais distintos

 

Uma vez que a li a obra em alemão, não posso recomendar a quem não domine a língua, mas pode até haver algumas traduções para português disponíveis. De qualquer forma, este é um drama muito bom, de leitura nem sempre fácil uma vez que estamos perante de um narrador que alterna várias vezes a perspectiva: ora ele mesmo, ora Jakob e que possui ainda alguns saltos no tempo da narrativa.

 

Post inicialmente publicado em Miss G

publicado por Miss G às 16:00 link do post
05 de Junho de 2011

 

Ultimamente tenho-me dedicado aos autores portugueses. No caso de João Tordo, primeiro li os livros mais recentes (um deles foi Prémio Literário José Saramago em 2008, "As Três Vidas" ) e depois fui procurar os mais antigos. Esta obra foi publicada, pela primeira vez, em 2004 e foi publicada a 2ª edição agora em 2011. Foi esta 2ª edição, ainda por cima autografada pelo autor, que eu acabei de ler há alguns dias. João Tordo é, na minha modesta opinião, um escritor brilhante. As situações que ele desenvolve e a maneira como resolve os impasses é admirável. Situações tão inverossímeis mas que ele torna perfeitamente possível. Este "O livro dos homens sem luz" está organizado como se tratassem de pequenas histórias que tem um fio condutor, a personagem principal é sempre um homem e todos eles vivem, de algum modo, na escuridão, escuridão da alma e mesmo escuridão física. Algumas situações são duras já que as descrições são muito "reais" e "palpáveis", a leitura destas histórias nem sempre foi fácil mas valeu a pena. João Tordo consegue escrever estas histórias tão diferentes mas que se encadeiam de maneira divinal. João Tordo é um nome a fixar, sem sombra de dúvida.

 

"A última vez que o vi caminhava até ao portão. Ao olhar para trás teve por certo a miragem de uma sombra sentada na cadeira de balouço, rodeada de fantasmas, antes de seguir o seu caminho. Quanto a mim, ainda estou aqui, mas julgo que por pouco tempo. Escrevo estas palavras num mês incerto de 1959, e faz muito frio esta noite. O vento corre de quarto em quarto, largando sons, movendo coisas de que não recordo a existência. A guerra terminou há anos, o mundo é um lugar diferente, e todos aqueles que amei desapareceram. Vejo-lhes o rosto, no entanto, em cada uma das estrelas cadentes que se abatem sobre a neve e, ao contar os raios de luz que atravessam o céu, como vestígios de coisas passadas, sei que sempre vivi na escuridão"

publicado por Charneca em flor às 23:29 link do post
25 de Maio de 2011

 

Durante as férias li um livro que me surpreendeu: Love you More, da Lisa Gardner.

Não se enganem pelo título, não tem nada de romance e está bem longe de uma história cor-de-rosa de amores e desamores e enredos de novelas.

É um policial. Uma história que nos prende, ao acompanharmos uma investigação, do ponto de vista da acusada e fugitiva e dos detectives que tentam solucionar o caso.

Poderia ser mais um policial entre tantas histórias de polícias e ladrões, mas ao brincar com as linhas do amor entre uma mãe e uma filha, a escritora assusta-nos e enternece-nos ao mesmo tempo. Sem dar conta, vamos lendo e querendo ler o que ainda não chegou, esperando que o final da história seja aquele que gostaríamos que fosse.

publicado por claudia às 11:58 link do post
17 de Maio de 2011

 

Muito antes de saber realmente quem era Agatha Christie, já me deliciava a assistir à série de uma das suas personagens mais emblemáticas: Hercule Poirot. A leitura deste livro, foi, aqui confesso, altamente impulsionada pelo secretismo que o título sugere.

 

A sinopse disponível conta:

Em 1976, aos oitenta e cinco anos de idade, morria Agatha Christie, a escritora mais famosa do mundo. A sua obra estava publicada em mais de cem países e os seus livros haviam vendido cerca de dois mil milhões de exemplares. Agatha Christie conseguira o impossível: desde a década de 1920 que escrevia mais de um livro por ano, e todos eles eram incríveis bestsellers mundiais. A sua imaginação prodigiosa, bem como o seu alucinante ritmo de trabalho, causam ainda hoje grande perplexidade.

As pistas para os seus métodos e personalidade veriam a luz do dia em 2004, ano da morte de Rosalind, filha da autora. Na mansão da família, foram encontrados os cadernos privados de Agatha Christie: um extraordinário legado de setenta e três volumes escritos à mão! Mas foi apenas quando o arquivista John Curran começou a decifrá-los que a verdadeira dimensão deste tesouro se tornou óbvia. Neste livro, ele desvenda os grandes segredos da Rainha do Crime: as origens dos seus carismáticos detectives e enigmas surpreendentes, enredos alternativos, cenas eliminadas, e até mesmo planos para livros que não chegou a escrever. A investigação de John Curran revela uma grande quantidade de material nunca antes publicado, e inclui duas histórias completamente inéditas: "O Incidente da Bola do Cão" e "A Captura de Cérbero".
 
Este é sem dúvida alguma um livro para christianos, aqueles que respiram Agatha e conhecem todas as suas histórias, as suas personagens e intrigas. Como apenas conhecia Poirot da televisão e Miss Marple era para mim um nome familiar mas nao personificável ou associável a qualquer autor/-a, fiquei um pouco perdida no meio de tantos suspeitos, locais, intrigas e outros detalhes dos contos e policiais.
Ao contrário da maioria dos livros que tenho lido, pouco mais tenho a dizer para além do que a sinopse elucida.  No entanto, aqui ficam alguns excertos:
 
"Nunca deixa de me espantar o facto de, mais de trinta anos volvidos sobre a sua morte, todos os aspectos da vida e obra de Agatha Christie continuarem a despertar um tão febril interesse (...) tudo o que tem a ver com a pessoa atrás dos livros. Este é um trabalho (...)altamente pessoal e sem a mínima dúvida um pedaço de história da literatura"  Prefácio, Mathew Prichard (Neto de A.G.)
 
"tenho a certeza de que há uma caneta por aqui algures... É melhor anotar isto enquanto ainda está fresco- pode-se mudar mais tarde.."
"Quem vou assassinar? A estudante estrangeira... não (...) alguém muito inesperado... o senhor da mansão? não, demasiado chavão... precisa de ter impacto... e um desconhecido? mas quem...?"
 
Post inicialmente publicado em Miss G
publicado por Miss G às 17:03 link do post
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