Clube de leitura
Porque ler é um prazer que deve ser partilhado
23 de Abril de 2010

 

Quando comprei o meu televisor LCD, o primeiro filme que vi foi o filme adaptado deste romance. Tem imagens chocantes, é verdade, mas tem também imagens maravilhosas des campos floridos e verdejantes, de serras e vales quando Jean-Baptiste Grenouille viaja atravésda França e logo decidi que iria ler o livro logo que possível. A história passa-se no séc. XVIII e o autor consegue reconstruir muito bem o ambiente histórico e social da altura. O protagonista tem um dom invulgar, um olfacto mais apurado do que qualquer pessoa e através desse olfacto que contacta com o mundo. Assim torna-se perfumista e persegue o sonho de criar o melhor perfume do mundo, um perfume que contenha a essência da Beleza. Grenouille é completamente amoral, foi criado sem amor, a mãetentou matá-lo à nascença pelo que foi presa e condenada à morte. Ele é uma criança estranha e vai crescendo sempre como um estranho, tem uma particularidade, não exala aroma nenhum o que o torna praticamente invisível aos outros. O seu sonho leva-o a cometer crimes hediondos mas a sua pureza, como se fosse uma eterna criança, fascina-nos. As descrições das perfumarias, as técnicas de execução dos perfumes, a viagem são maravilhosas e transportam-nos para aquela altura da História.
 

"Baldini se encontrava ainda a manipular os candelabros pousados na mesa; Grenouille já tinha deslizado até aos recantos sombrios do atelier, onde se localizavam as prateleiras a abarrotar de essências,óleos e extractos preciosos, delas seleccionando os frascos que precisava, guiado pelo seu faro infalível. Eram nove ao todo: essência de flor de laranjeira, óleo de lima, óleos de cravo e de rosa, extractos de jasmim, de bergamota e de rosmaninho, tintura de almíscar e de bálsamo de estoraque. Apressou-se a retirá-los das prateleiras e a dispô-los na beira da mesa. A terminar, arrastou até aos pés da mesa um garrafão com espírito de álcool altamente concentrado. Foi colocar-se depois atrás de Baldini que ainda continuava a dispor os instrumentos com uma minúcia pedante, deslocando ao de leve um instrumento aqui, outro mais adiante, a fim de que tudo apresentasse segundo o bom e velho método tradicional e ressaltasse ante a luz dos candelabros. Esperou, trémulo de impaciência, que o velho saísse de onde estava e lhe desse lugar."

 

"Dava-se então ao luxo de repousar um instante com a consciência tranquila. Distendia-se fisicamente e tanto quanto lhe era possível neste reduzido espaço de pedra. Interiormente, porém, nos espaços então limpos da sua alma, estiraçava-se indolentemente, gozando toda a embriaguez causada pelo esvoaçar dos odores mais subtis junto ao nariz: por exemplo, um ligeiro sopro perfumado , como se tivesse flutuado sobre os prados primaveris; um vento morno de Maio, soprando por entre as primeiras folhas, que coloriam as faias de verde; uma brisa marítima, com o sabor acre a amêndoas salgadas."
 
Ao lermos "o Perfume" parece que vamos também sentido, tenuamente, os mesmos cheiros, odores, aromas que Grenouille.

 

 

E hoje, Dia Internacional do Livro, peguem num livro e abandonem-se à fantasia e ao sonho. Boas leituras...

 

 

Post publicado, originalmente, no blogue É possível ser feliz...

publicado por Charneca em flor às 08:21 link do post
16 de Abril de 2010


O velho que lia romances de amor - Luís Sepúlveda

 

 

Algures na Selva amazónica onde só os barcos chegam, vive António José Bolivar, um homem idoso que aprendeu a viver na selva com os indios Shuar. Depois de viver quarenta anos na selva longe do mundo onde nasceu e cresceu, os livros são o seu bálsamo que lhe permite enfrentar a dura realidade do mundo que o rodeia.

 

É em torno do velho José, da pobre aldeia perdida na selva em que vive e dos seus habitantes, que se desenrola a historia. Um dia o rio traz um cadáver de um gringo, rapidamente há quem tente culpar os índios da sua morte, mas o Velho António José sabe que não foram os índios e sabe também que haverá mais mortes, porque um animal acossado e no seu ambiente natural é um inimigo terrível.

 

Este é o mais conhecido dos livros do autor chileno Luis Sepúlveda, O velho que lia romances de amor foi  dedicado a Chico Mendes, morto numa emboscada por defender a floresta e os direitos das tribos amazónicas.

 

A grande floresta amazónica, um dos locais do mundo onde sobrevivem espécies raríssimas de fauna e flora é o verdadeiro protagonista do romance, cuja mensagem é transmitida pelos olhos de António José Bolívar, o velho eremita que vive na floresta e que lê romances de amor.

 

Este é um excelente livro de um autor que tem um enorme sucesso no nosso país, ao melhor estilo do Realismo Mágico, a escrita descritiva leva-nos até ao interior da selva e à alma das personagens, quase que conseguimos sentir o calor húmido e os cheiros intensos que caracterizam a selva.

 

Sinopse

 

Sinopse: "Antonio José Bolívar Proaño vive em El Idilio, um lugar remoto na região amazónica dos índios shuar, com quem aprendeu a conhecer a selva e as suas leis, a respeitar os animais que a povoam, mas também a caçar e descobrir os trilhos mais indecifráveis. Um certo dia resolve começar a ler, com paixão, os romances de amor que, duas vezes por ano, lhe leva o dentista Rubicundo Loachamín, para ocupar as solitárias noites equatoriais da sua velhice anunciada. Com eles, procura alhear-se da fanfarronice estúpida desses gringos e garimpeiros que julgam dominar a selva porque chegam armados até aos dentes, mas que não sabem enfrentar uma fera a quem mataram as crias. Descrito numa linguagem cristalina e enxuta, as aventuras e emoções do velho Bolívar Proaño há muito conquistaram o coração de milhões de leitores em todo o mundo, transformando o romance de Luis Sepúlveda num "clássico" da literatura latino-americana."

 

Post publicado no O que é o jantar?

 

Jorge Soares

 

 

publicado por Jorge Soares às 10:40 link do post
05 de Abril de 2010

Já li e reli diversas vezes este livro, já o ofereci a amigas e coisa curiosa é que algumas o arrumaram na estante e só mais tarde o conseguiram ler, enquanto outras o devoraram de imediato; penso que tal acontece porque nem sempre as pessoas estão prepradas para este tipo de leitura e ela só se acontecerá no momento certo.

Este livro ajudou-me a compreender porque algumas pessoas com quem me relaciono, têm o poder de me fazer sentir frágil, nervosa e sem forças, enquanto outras me transmitem grande serenidade.

Não é um livro de receitas que devemos seguir, não é um livro de auto ajuda, é sim um livro que nos leva a entender certos comportamentos e de como podemos lidar com eles. 

Através de uma história bem narrada o autor transporta-nos até ás montanhas peruanas, descrevendo com mestria  personagens , cenários  paisagens e que, sem darmos por isso, vamos assimilando cada uma das nove visões. percebendo certas coincidências e como podem ocorrer nas nossas vidas desiquilíbrios energéticos. 

 

SINOPSE

Profecia Celestina é um best-seller, um fenómeno mundial, com mais de quatro milhões de exemplares vendidos. Trata-se de um manuscrito encontrado no Peru, onde estão 9 visões que precisam ser conhecidas pela humanidade, pois só assim a sabedoria poderá ser atingida no próximo milénio. Cada uma destas visões é esclarecida a cada capítulo, enquanto é narrada a aventura de um homem que vai até o alto dos Andes e às ruínas das velhas florestas. A Primeira Visão  alerta-nos sobre as coincidências que acontecem em nossas vidas e não lhes damos a devida atenção. A Segunda Visão  ajuda-nos a perceber que tudo faz parte de um todo, e a nossa percepção sobre o amanhã deve contar com a compreensão do hoje e do ontem. A Terceira Visão fala sobre a energia que emana de todas as coisas e seres vivos. A Quarta Visão explica como os homens desprezaram a energia, e esta foi se tornando escassa fazendo com que, hoje, exista uma competição por ela, o que gera os conflitos. A Quinta Visão, fala sobre uma energia alternativa. A Sexta Visão explica como devemos atingir um nível mental, que nos permita viver guiados pelas coincidências. A Sétima Visão ensina como devemos procurar e questionar novos pensamentos e incorporá-los. A Oitava Visão mostra como devemos quebrar os padrões de conduta para melhorar a energia entre nós. A Nona Visão diz que o homem vai conseguir evoluir e viver dando mais atenção ao que é realmente necessário. De um modo geral, o autor quer chamar nossa atenção para as chamadas "coincidências", e como elas podem explicar o sentido da vida.

publicado por Existe um Olhar às 00:43 link do post
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