Clube de leitura
Porque ler é um prazer que deve ser partilhado
15 de Setembro de 2010

Já tinha ouvido falar de Isabel Allende, mas nunca me interessei pelos títulos dos seus livros. Talvez fosse a ideia de que era uma escritora para as massas, o que me mantinha afastada das histórias que conta. Queria algo diferente. Por isso, posso dizer que foi por mero acaso que dois livros dela me escolheram.   

 

A Casa dos Espíritos, Sinopse: O relato da vida de Esteban Trueba, da mulher, dos filhos legítimos e naturais, e dos netos vai levar-nos do começo do século até à actualidade; é toda uma dinastia de personagens à volta das quais a narrativa vai gravitando sem perder de vista os outros - mesmo depois de mortos. O temperamento colérico do fundador, a hipersensibilidade fantasista da sua mulher e a evolução social do país - que reflecte e pode muito bem simbolizar qualquer país latino-americano - tornam difíceis as relações familiares, marcadas pelo drama e a extravagância e conduzem a um final surpreendente e cruel, que deixa no entanto aberto o caminho de uma trabalhosa reconciliação. 

No panorama da actual literatura hispano-americana, nenhum nome de mulher tinha conseguido até agora ocupar um lugar cimeiro. Faltava pois uma romancista. A impecável desenvoltura estilística, a lucidez histórica e social e a coerência estética, patentes em A Casa dos Espíritos fazem do primeiro romance de Isabel, um livro inesquecível. 

  

 

Paula Sinopse:Esta obra de Isabel Allende possui e prossegue duas qualidades essenciais à sua narrativa e ao seu estilo literário: a densidade e a intensidade.
Sendo uma representação do sofrimento e das memórias, Paula é um documento multi-biográfico, como de resto são em grande parte os seus outros romances, e neste se configura como uma viagem dupla em presença do estado comático da filha e da acumulação das experiências de outras dores, entremeadas de alegrias, da mãe.
Paula é tanto um diálogo à cabeceira de uma doente clinicamente privada de consciência, como um solilóquio de grandeza e fragilidade, a tentativa de unir a ideia do amor como única ponte de salvação humana, a realidade do sofrimento tantas vezes absurdo e indecoroso.  

 

 

 

Por estas breves descrições é possível notar já um denominador comum: a família Trueba/Allende. O cariz familiar, diria até catártico, destas duas obras não deixa ninguém indiferente à história, à psicologia, ao paranormal e aos sentimentos.

Fui positivamente surpreendida pela capacidade da escrita de Isabel em me prender a uma história de centenas de páginas (A Casa dos Espíritos) repleta de notas históricas, sem que eu pensasse uma única vez que estava a ler uma enciclopédia da história da América Latina. Curioso também, é a multiplicidade de temas envolvidos, a riqueza e a peculiaridade desta família, onde se reúnem caracteres, mundos, à primeira vista antagonistas. Confesso que se tivesse lido a sinopse em primeiro lugar e não fosse o título chamativo, o livro teria ficado na prateleira.  

Quando li a contracapa de Paula, fiquei presa a história, antevendo já o seu fim. Mas até que a última palavra esteja lida, tudo pode acontecer, ainda mais pela mão de Isabel. Na minha perspectiva, aqui personagem principal é (de novo) a escritora que nos leva ao seu passado, ao seu presente e ao seu interior. Conhece-se aqui a mãe, a matriarca, a mulher. 

 

Ler Isabel Allende, é portanto uma aventura deliciosa e alucinante, que eu recomendo e planeio repetir.

publicado por Miss G às 16:22 link do post
Dois excelentes livros da minha autora preferida... não deixes de ler o a Soma dos dias, que conta o resto da vida da Isabel depois do fim de Paula..... e não deixes de ler nenhum dos outros, incluindo os de contos.

Ainda bem que te decidiste a fazer o post :-)

Jorge
Jorge Soares a 15 de Setembro de 2010 às 17:46
Tenho de confessar aqui que me é sempre difícil exprimir o que cada livro me faz sentir. Mas asseguro que Isabel me marcou. Pela positiva.
Miss G a 18 de Setembro de 2010 às 20:09
Sem dúvida, uma das minhas autoras preferidas. Só me falta ler mesmo a Soma dos Dias, de resto li tudo dela, publicado em Portugal.

Boas leituras
Paula
essência a 16 de Setembro de 2010 às 10:03
Isabel Allende é uma escritora que sempre me agradou. Nas suas primeiras obras adorei as narrativas, as histórias que contava de forma mais ou menos conseguida. Mas a partir do "Paula" pareceu-me observar-lhe uma maturidade na escrita que nos romances anteriores ainda não tinha. Na verdade, no "Paula", ela descreve esse mesmo percurso.
Aconselho todos os livros dela, em especial o "De Amor e de Sombra"

Ana Cristina
Oficinas RANHA a 15 de Outubro de 2010 às 20:31
São 2 livros fantásticos! Há vários anos que não leio esta autora, porque são tantos os autores e livros que quero conhecer...
mariali a 25 de Outubro de 2010 às 15:45
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