Clube de leitura
Porque ler é um prazer que deve ser partilhado
04 de Fevereiro de 2011

"Tenho ainda um bocado de vida a cumprir, foi-me guardado pelo destino. Sobrou do que me roubaram, o destino guardou-me como um bocado de pão."

 

Se este pequeno excerto despertou a vontade de conhecer este livro, continue a ler. Caso contrário, espero pelo próximo! 

 

 

Vergílio Ferreira não pode ser lido como a imensidão de livros de algibeira que se reproduzem nas livrarias. Há de certo muito bons autores, sem dúvidas. Há aqueles que se lêem correndo, quase adivinhando o que a próxima frase traz. V.G não, não fosse ele um dos maiores e mais importante romancista português do séc. XX. É por isso que é preciso saber ler, saber ser paciente ao descobrir a história (coisa que nem sempre sou!).

Afinal de que trata a história? Este romance baseia-se num monólog (parcialmente diálogo) entre pa  e filho, aquando do velório deste. É na noite que precede o enterro do seu filho que o protagonista, Cláudio, nos conta a sua vida até ao momento presente da narrativa. Com saltos no tempo e espaco há decerto imensos pormenores que me escaparam e que pedem por uma segunda leitura. É-me impossível dizer muito mais sobre o livro, porque as ideias viriam em cadeia e acabaria por contar a história toda.

Deixo para quem se sentiu tentado a ler esta obra de 1987! 

 

(publicado também no Miss G)

publicado por Miss G às 17:54 link do post
podias ter posto um excerto maior.
gatinhafofa a 7 de Fevereiro de 2011 às 07:43
Poderia, assim como a sinopse também poderia constar do post . Optei desta forma pelas razoes que indiquei. aqui vai:

"Regresso a casa devagar, perdido no tráfego da cidade. E então lentamente, a tua imagem oculta, um aceno horrível de outrora. Ah, tu não fazes ideia, Tina. Está bem que tinhas direito a uma definitiva aposentação. Mas eram só mais uns anos, Tina, assim deixas-me bem aflito. Só mais uns anos para que quando te lembrasses fosses só a minha recordação. Coisa fácil e avulsa só de recordar. Entro agora no Campo Grande, lembro-me de acender o rádio. Estou só, qualquer coisa que me faça companhia. Abro o rádio, uma sonata, parece-me, de Beethoven? Uma coisa plana e larga como o nome de uma sonata. Podias ter esperado alguns anos, coisa pouca, o bastante para eu dizer sim à vida infame que me codilhou . O bastante para eu existir por mim. Espera, é a sonata ao luar, não gosto. O gosto dos outros comeu-lhe tudo, não gosto."

E outro: "Estou bem. Cansado até às raízes de mim, mas estou bem. A vida inventa-se em cada hora em que ela se nos inventa, o meu olhar ilumina-se com a lâmpada de cada dia. Tenho uma bebida na pequena mesa ao lado da cadeira de lona, quase a esqueci. Beber devagar com a noite que desce. Uma serenidade invulnerável alastra pelo universo. Os rapazes da piscina cá do alto recolheram a casa. A piscina deserta. O mar deserto até ao limite do poente. A vida inteira dentro de mim."
Miss G a 7 de Fevereiro de 2011 às 15:45
Boa tarde,

Li este "Até ao fim", de Vergílio Ferreira, há relativamente pouco tempo.
Para ser mais preciso, li-o no final do ano passado, em Novembro.

Foi a minha estreia em Vergílio Ferreira e gostei bastante, ficando com vontade de ler mais obras deste importante e conceituado escritor Português.

A história de "Até ao fim" é triste mas a escrita cativa. Desafia o género a que estamos habituados a ler, em autores nacionais ou internacionais. Frases curtas, quase como um poema em forma de prosa.
Para quem estiver a passar uma fase mais cinzenta da vida, recomendo esta leitura em simultâneo com um título mais comercial ou uma história mais optimista. Foi o meu caso.

De quqluer forma, "Até ao fim" está entre os melhores da escrita nacional.

abraço,
Carlos Manuel
Carlos Manuel Lopes da Silva a 14 de Fevereiro de 2011 às 16:28
Olá Carlos,

foi precisamente a frescura da escrita que em cativou, tal como os saltos no tempo, o desafio que a história em si represente.
Ainda bem que também gostou.

Fique bem,
Miss G
Miss G a 14 de Fevereiro de 2011 às 20:39
Bom dia,

Exactamente, Miss G! Esses "saltos no tempo" são um dos atributos de "Até ao fim".

Obrigado pelas suas palavras. Parabéns ao blog. Agora que o descobri e gostei do que li, tenciono começar a visitá-lo sempre que puder.

Fique bem também.
Abraço,

Carlos Manuel Lopes da Silva
Carlos Manuel Lopes da Silva a 15 de Fevereiro de 2011 às 08:41
queria saber quantas páginas tinha este livro porque estou indecisa entre dois livros e o outro tem muitas poucas páginas e eu realmente queria ler um livro bem composto.

Obrigada ;)
CatarinaFerreira a 8 de Abril de 2014 às 16:17
Vergílio Ferreira é isso mesmo; VF é literatura pura e dura, daquela que não é para entreter, é literatura a sério, daquela que nos obriga a pensar, que nos movimenta a mioleira, que nos põe os neutrões a bulir e nada de Banco Alimentar (caridade é contrário da justiça - VF), e a literatura é isso mesmo, porque para entreter leia-se a Caras, Vip's e outros lixos semelhantes...ou então leia-se esse almanaque da cultura portuguesa (correio da manhã).
ASeverino a 29 de Setembro de 2015 às 16:24
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