Clube de leitura
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28 de Fevereiro de 2011

A criança que não queria falar

 

Sheila é uma menina de seis anos que rapta um menino de três, o ata a uma árvore e lhe prende fogo. É praticamente assim que começa o livro, uma criança que comete um acto irracional e que é condenada a ser internada num hospital psiquiátrico, como não há vagas no hospital, é colocada temporariamente numa escola onde há uma turma de crianças especiais.

 

Nesta turma há uma professora que se interessa realmente pelos seus alunos e que descobre que por detrás de toda a raiva e rebeldia há uma mente brilhante e uma criança como as outras, que simplesmente necessita de carinho e de atenção.

 

Sheila foi abandonada pela mãe que a atirou de um carro em andamento numa auto-estrada, vive com o pai, um homem  alcoólico e toxicodependente mas orgulhoso, num campo miserável e sem condições. Só tem uma muda de roupa que utiliza dia trás dia, mas o pai nega-se a que lhe ofereçam outra, eles não precisam.

 

Este foi um livro que me tocou, porque fala de abandono, de crianças difíceis e dos desafios que se colocam na educação de crianças que foram abandonadas.

 

O abandono é algo que marca uma criança para toda a sua vida, e essas marcas vão surgindo nas diversas fases do seu crescimento, eu sei, porque há coisas ali, poucas felizmente, que vi no meu filho.

 

O livro fala sobre a Sheila, sobre a sua professora, sobre o como ensinar e tratar crianças diferentes, mas fala também sobre o trauma do abandono, sobre as marcas que este deixa nas crianças, sobre as suas fragilidades e sobre como algumas coisas se devem tratar.

 

Há livros que nos marcam pela história, outros pela forma como estão escritos, outros porque os lemos na altura e circunstancias certas das nossas vidas, este livro marcou-me porque sou pai. Um livro que todos os pais adoptivos ou não deveríamos ler e  que todos os professores deveriam ler.

 

Sinopse: Esta é a história verídica e comovente da relação entre uma professora que ensina crianças com dificuldades mentais e emocionais e a sua aluna, Sheila, de seis anos, abandonada por uma mãe adolescente e que até então apenas conheceu um mundo onde foi severamente maltratada e abusada. Relatada pela própria professora, Torey Hayden, é uma história inspiradora, que nos mostra que só uma fé inabalável e um amor sem condições são capazes de chegar ao coração de uma criança aparentemente inacessível. Considerada uma ameaça que nenhum pai nem nenhum professor querem por perto de outras crianças, Sheila dá entrada na sala de Torey, onde ficam as crianças que não se integram noutro lugar. É o princípio de uma relação que irá gerar fortes laços de afecto entre ambas, e o início de uma batalha duramente travada para esta criança desabrochar para uma vida nova de descobertas e alegria. Desde a sua publicação, em 1980, o livro já vendeu 8 500 000 exemplares no Reino Unido  e foi traduzido em 27 línguas, tendo sido um bestseller em vários países.

 

Post publicado inicialmente no blog O que é o jantar?

 

Jorge Soares

 

publicado por Jorge Soares às 21:42 link do post
Fiquei cheia de vontade de ler o livro.
Boas Leituras
Paula
essência a 1 de Março de 2011 às 14:36
É um livro forte.. que nos deixa muitas vezes com dor de alma e a pensar no mundo e na vida.

Jorge
Jorge Soares a 15 de Março de 2011 às 22:54
Jorge

Li este livro recentemente e estava a preparar um post sobre ele.
É, na minha perspectiva, um livro que demonstra a influencia da primeira infância na vida de uma criança, e no seu processo de crescimento. Um exemplo pela prática, de como se pode colaborar com uma criança a ultrapassar as suas experiências traumaticas, neste caso, numa fase de transição (envolvendo uma família de acolhimento) que, à partida, seria pouco aceite pela seu caracter provisório...
Muito obrigada por este post.

Ana Cristina
Oficinas RANHA a 15 de Março de 2011 às 13:31
Esta autora tem vários do mesmo estilo e temática.. há um que fala sobre como se desenvolveu a vida desta criança depois disto... também é muito interessante.

Jorge
Jorge Soares a 15 de Março de 2011 às 22:56
Já li este livro em 2008 juntamente com a sequela "A menina que nunca chorava" e posso dizer que ambos são maravilhosos! Adorei, são altamente viciantes e comoventes.

Da autora já li quase todos os livros, são dramáticos mas também são reais e acho que são bons para intercalar com outros livros mais leves. :)
Mafalda a 22 de Março de 2011 às 19:12
chorei a ver este livro , é algo de muito bom sem duvida , mas tambem muito chocante , BRAV0
Anónimo a 27 de Novembro de 2012 às 20:20
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