Clube de leitura
Porque ler é um prazer que deve ser partilhado
07 de Novembro de 2009

 

Quando se trata de leitura, quer se seja um devorador ávido de livros ou um penoso e sofrido leitor esporádico, é impossível evitar uma certa tendência linear. Inconscientemente, acabamos sempre por eleger um determinado estilo de escrita, um tipo de história, tema e escritor como primeira escolha.

 

Eu, sou dos que adora livros. Vicio-me em qualquer um e não consigo parar de ler a partir do momento que começo. Ao longo do tempo fui adquirindo um gosto especial por livros que abordem uma intensa aventura de investigação e que se consiga relacionar com questões históricas. Nesta classe, há dois autores que destaco claramente: Dan Brown e José Rodrigues dos Santos.

 

Evitando a habitual tendência de importação, vou-me dedicar ao autor nacional.

 

O destaque que, pessoalmente, lhe confiro não se deve ao seu estilo de escrita. Deve-se, isso sim, à espantosa investigação por detrás das obras e à capacidade de interligar factos soltos que possam interagir na situação criada. Consegue fazer-nos pensar duas vezes nas possíveis implicações existentes entre coisas que antes pensávamos não estarem ligadas de forma nenhuma.

 

Há que reconhecer porém, que apesar de os livros se centrarem num romance leve e simples, com personagens simpáticas, frescas e agradáveis, há uma falha recorrente. Trata-se da cadência com que as informações são debitadas. A forma dos diálogos é, geralmente, tão filosófica que chega a ser difícil de acompanhar.

 

É, no entanto, um facto aceitável pois  tratam-se de matérias muito avançadas e de tal maneira teóricas que se torna difícil explicar de uma forma a que toda a gente compreenda, sem perder o teor do conteúdo (é preciso recordar que nem todos estudam, por exemplo, a física quântica).

 

Um outro pormenor é apercebido por aqueles que começam a acompanhar com maior regularidade as suas obras. Em grande parte dos seus romances históricos e científicos, a personagem principal é sempre a mesma. Porém, é difícil fazer uma ligação cronológica entre as histórias, sendo que, apesar de manter sempre o carácter mulherengo (o que confere leveza e graça ao romance), não é clara a sua árvore genealógica e de relações amorosas. Por outro lado, a escolha desta personagem leva a situações muito semelhantes entre livros e a desfechos muito equivalentes. Embora esta condição possa parecer uma falta de originalidade, na verdade, a meu ver, deve ser encarado como sendo um grande cuidado em manter as características de personalidade de uma personagem chave em livros distintos, o que é de enaltecer.

 

Restringindo-me a um único título, foco o “O Codex 632”. É um romance que se pode considerar ter duas histórias distintas dentro do mesmo livro. Enquanto relata a aventura de um historiador na senda de conhecer a verdadeira história de Cristovão Colombo, aborda também os seus problemas conjugais e familiares durante o desenrolar da investigação, relatando as dificuldades matrimoniais quando se tem um filho com uma deficiência de nascença.

 

O meu realce, porém, centra-se no tema da investigação. Ao investigar os mistérios que envolvem a identidade do descobridor da América, toca na História de Portugal, agrupando e interligando com inteligência factos, mitos, questões e incongruências dos relatos da época, culminando numa interessante descoberta muito ao estilo da “Teoria da Conspiração” acerca da sua nacionalidade e possíveis razões para a grande falta de documentação sobre a sua identidade.

 

Resumindo, é um livro que recomendo a todos os que adoram História e mistérios envolvendo factos verídicos. Bem como o autor!

 

publicado por DG14RSN às 01:00 link do post
Olá

Bem vindo ao clube.

Li este livro há bastante tempo e deste ainda gostei, é um belo romance histórico que esclarece algumas coisas e deixa muitas outras no ar. Acho que depois deste ele entrou na espiral comercial, a qualidade foi descendo e os livros foram ficando enfadonhos... não li os últimos dois ou três, mas há dois que me deixaram curioso.

Belo post... espero que escrevas mais.

Jorge
Jorge Soares a 8 de Novembro de 2009 às 19:21
Há uma tendência para os autores começaram a entrar pelo lado "comercial" à medida que vão expandindo o seu número de vendas. Sobre este livro acho que o espírito essencial é o que desvenda e o que continua a deixar pairado no ar, o que lhe dá a graça.
Sobre o post, agradeço o convite e prometo fazer novas actualizações sempre que conseguir.
DG14RSN a 9 de Novembro de 2009 às 23:06
olá, tudo bem ?

podes-me dizer as personagens desta história sff ?
sporting a 15 de Fevereiro de 2010 às 17:46
Ola!

Ora bem, a principal este livro caracteriza-se por apresentar um vasto leque de personagens com bastante peso na história.
Para começar há a personagem principal: Tomás Noronha, um historiador e perito em criptografia.
Depois, há a sua filha (uma criança com muitos problemas de saúde) e a sua esposa. (podem parecer simples personagens para encher, mas na verdade são muito importantes no desenrolar da história e da parte do romance e do drama.
Há ainda um membro de uma sociedade americana que o contrata para encontrar o referido "CODEX" e para se certificar se foi ou não Cristóvão Colombo que "descobriu" a América.
Como ponto de ligação e "pão da discórdia" há ainda uma estudante sueca que se tornará amante de Tomás, sendo na verdade uma espiã contratada pela supracitada organização.
Resumidamente, creio que estas são as personagens com mais relevo e importância na trama.
Espero ter respondido ao que era pretendido.
DG14RSN a 15 de Fevereiro de 2010 às 18:32
MUITO OBRIGADO era mesmo isto que pretendia.

ESTE BLOG É MUITO BOM MESMO

PARABÉNS
sporting a 15 de Fevereiro de 2010 às 18:35
Boa tarde,

desculpe ser bastante incomodativo, e um pouco chato, mas gostaria de perguntar se me era capaz de fazer um "resumo" deste livro ( CODEX 632 ) depois te ter lido o comentário das personagens fiquei bastante curioso, sei que podia ler o livro mas antes gostaria de ler o seu resumo por favor.

mais uma vez peço desculpa, mas espero pela resposta, obrigado :)
sporting a 16 de Fevereiro de 2010 às 15:13
A mim parece-me que alguém tem um trabalho escolar para fazer sobre o livro e está à espera que alguém o faça para ele...será?

Jorge
Jorge Soares a 16 de Fevereiro de 2010 às 15:25
Sim é um trabalho escolar, mas eu é que escolhi este livro porque o tenho em casa. Escolhi este porque já li muitos resumos e achei interessante.

Podia ter escolhido outro livro mais fácil para resumir mas como gostei deste, escolhi este.

Mas poderia-me ajudar, ou não ?

peço desculpa :)
sporting a 16 de Fevereiro de 2010 às 15:37
Para um "verdadeiro" resumo, dada a extensão da história e as conotações que dela se podem extrair, teria que me dedicar a um artigo extremamente longo e enfadonho. Não que tal me custe, mas creio que não seja isso que pretende. Desta forma, deixo-o com uma "sinopse pessoal" sobre o livro, na esperança de que seja o que espera.
Para um "verdadeiro" resumo, dada a extensão da história e as conotações que dela se podem extrair, teria que me dedicar a um artigo extremamente longo e enfadonho. Não que tal me custe, mas creio que não seja isso que pretende. Desta forma, deixo-o com uma "sinopse pessoal" sobre o livro, na esperança de que seja o que espera.

Um ilustre professor da Universidade Nova de Lisboa, Tomás Noronha, é contratado por uma influente organização norte-americana com o objectivo de continuar e concluir o trabalho de um velho e famoso historiador português, recentemente encontrado morto. Este andava, em nome da associação, a realizar uma profunda investigação à História da Descoberta do continente americano.
Tomás Noronha, retomando o labor na ponta onde havia sido abandonada, é apanhado de surpresa pelo facto de todo o trabalho e conclusões já retiradas estarem fortemente codificados. “Que razões teria um historiador para esconder tão fortemente a sua pesquisa?”
À medida que se vai inteirando, de forma gradual, do processo transacto, é confrontado com a crescente possibilidade de Cristóvão Colombo não ter a identidade que actualmente julgamos ser a sua. A esta teoria juntam-se dados cronológicos e factos estranhos que ensombram a possibilidade de, efectivamente, ter sido este navegador o verdadeiro descobridor da América.
Paralelamente a esta investigação, há um pesado drama romântico, em que a personagem principal, Tomás, se envolve com uma vistosa estudante sueca, procurando nesta refúgio das dificuldades que o seu casamento atravessa devido aos graves problemas de saúde da sua filha.
O clímax do livro dá-se aquando da descoberta final de que, na verdade, Cristóvão Colombo não é genovês, mas sim um espião português, descendente da classe aristocrática nacional. Por esta altura, Tomás percebe que o seu antecessor havia codificado as suas conclusões porque a associação era composta por descendentes de genoveses que pretendiam manter a História para sempre dessa forma, eliminando as remanescentes provas que ditavam a verdade.
No fim, tudo acaba de forma trágica para Tomás. Acaba por descobrir, da pior forma, que a estudante com quem mantinha um caso extraconjugal era, na realidade, uma espiã a soldo da organização que o contratara para que se certificasse que este dava todas as informações que tinha em posse. O caso é descoberto pela sua esposa e, para desespero da personagem principal, a história termina com a morte da sua filha após uma complicada intervenção de urgência.

"Resumidamente", estes são os principais aspectos a realçar do livro. Para algo mais pormenorizado acho que só lendo mesmo o livro.
DG14RSN a 16 de Fevereiro de 2010 às 16:59
DG14RSN, obrigado pelo excelente resumo ...
De nada. Não sei se o resumo é excelente. Nem sequer se chega a ser bom. Disse apenas o que ainda me lembrava do livro.
DG14RSN a 1 de Abril de 2010 às 13:26
Eu gosto!
Concordo que aborda temas complicados. No entanto, espevita-me a curiosidade e surpreende-me com factos que sendo do conhecimento geral muitos vezes quase passam despercebidos.
Não nos esclarece!
Mas, talvez não seja essa a sua intenção. Talvez, fazer-nos recordar factos da história com enredo e romance.
Admiro o trabalho de investigação que se nota em cada livro de José Rodrigues dos Santos.

DyDa/Flordeliz a 9 de Novembro de 2009 às 13:05
Vou agora começar a ler o Setimo Selo, nunca li nenhum livro dele, vamos lá ver se gosto...
Boas leituras
emma_leiria a 16 de Novembro de 2009 às 14:41
É um livro diferente no que toca ao tema. Nota-se o seu habitual estilo de escrita e é de leitura muito agradável. Pode parecer um pouco alarmista, mas não deixa de ter uma base científica sólida e verdadeira. Creio que é uma boa escolha. Boa leitura.
DG14RSN a 16 de Novembro de 2009 às 16:12
foi o primeiro que li do JRS e gostei, pelo que fui lendo todos os outros. Confesso que não passei do Tibete, na Fórmula de Deus...Encontrei uma incongruência no Mr Bellamy, quando li A fúria divina, e cheguei a mandar-lhe um email, que respondeu.
Encontrei outra parecida com outra personagem de A vida num sopro e o Anjo branco, mas ainda não disse nada quanto a isso. Entretanto mandei-lhe uma sugestão, para um novo livro, sobre a guerra na India. Espero que considere, numa obra futura.
na primeira pessoa do singular a 29 de Agosto de 2011 às 18:00
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