Clube de leitura
Porque ler é um prazer que deve ser partilhado
08 de Maio de 2011

O sonho do Celta

 

Vargas Llosa é um dos meus autores favoritos, o seu livro anterior, Travessuras da menina má, foi um dos melhores que li nos últimos tempos, entretanto o escritor ganhou, com todo o mérito, o prémio Nóbel da literatura e eu estava algo ansioso por ter nas minhas mão este seu O sonho do Celta.

 

Bom, há muito que não me custava tanto terminar de ler um livro, é verdade  que este é enorme, são mais de 400 páginas no estilo característico do Vargas Llosa em que as várias partes da história nos vão sendo mostradas de forma intercalada, capítulo a capítulo, até que no fim tudo faz sentido. Mas este não é definitivamente um livro fácil de ler.

 

Estará a meio caminho entre a biografia e o romance, talvez o poderíamos classificar como uma biografia romanceada em que se conta a história de vida de Roger Casement, um Irlandês que foi cônsul da Inglaterra no Congo Bélga do fim do século XIX, que primeiro no Congo e depois na Amazónia Peruana, dedicou uma parte da sua vida denunciar a forma como eram tratados os nativos africanos e americanos pelas grandes companhias que se encarregavam da extracção da borracha. As denuncias deste senhor tiveram uma enorme influência na forma como a Europa de fins do século XIX e inicio do século XX, passaram a olhar para o colonialismo e a extracção dos recursos naturais em África e na América.

 

Com o tempo Casement passou a olhar para o seu próprio país quase como uma colónia Inglesa,  torna-se um nacionalista que luta pela liberdade da Irlanda e um inimigo da Inglaterra. Após a mal sucedida revolta  da Páscoa,  termina condenado à morte e é desde a prisão que nos vai mostrando muitas vezes com uma enorme crueza e realismo, todo o seu percurso de vida e as suas passagens por África e América. Pelo meio damos conta da sua homossexualidade através das anotações que este vai escrevendo no seu diário.. pairando sempre a dúvida se esta será real ou fruto da imaginação do inglês e se aquilo que se escreve será o que realmente aconteceu nestes encontros sexuais ou o que ele desejaria que tivesse acontecido

 

Em suma, este é um bom livro que tem uma leitura por vezes pesada e até dificil e que nos leva até uma parte da história que poucas vezes foi contada com tanto realismo.

 

Sinopse: O Sonho do Celta baseia-se na vida do irlandês Roger Casement, cônsul britânico no Congo belga, em inícios do século XX, que durante duas décadas denunciou as atrocidades do regime de Leopoldo II. Este homem, amigo de Joseph Conrad (e que o guiou numa viagem pelo Rio Congo, revelando-lhe uma realidade mais tarde retratada no romance Coração das Trevas), teve uma vida extraordinária, plena de aventura. Acérrimo defensor dos direitos humanos ‹ como também o comprovam os relatórios que redigiu durante a estadia na Amazónia peruana - militou activamente, no fim da sua vida, o nacionalismo irlandês, acabando condenado à morte por traição e executado.

 

Post do O que é o jantar


Jorge Soares

publicado por Jorge Soares às 11:59 link do post
25 de Abril de 2011

"Não tem conta as vezes que me disseram: Livro, posso ler-te? Rio-me dessa gracinha com o umbigo"

 

 

De há uns tempos para cá comecei a descobrir a literatura portuguesa mais contemporânea. Tenho lido muitos livros mas, realmente, costumo falhar nos autores portugueses, só li o meu primeiro livro do nosso Prémio Nobel há muito pouco tempo. Umdia li um artigo sobre dois autores da minha geração e, ambos, vencedores do Prémio Saramago e fiquei curiosa. Primeiro arrisquei no João Tordo e já li 2 ou 3 títulos dele.

Agora debrucei-me pela obra de José Luís Peixoto.Adquiri o "Livro" há algum tempo mas só o li agora. Dá que pensar que escritor é esse que tem a ousadia de dar o título de "Livro" a um livro seu. E a justificação para este título é tão inesperada que eu nunca adivinharia. O autor começa por descrever cenas da vida de uma aldeia do interior do país e atravessa várias épocas desde os anos 40 até aos anos 60. Algumas descrições são tão explicitas que até impressionam (até há um episódio que se tornou em mais uma razão para não comer papas de sarrabulho!). José Luís Peixoto mostra essa portugalidade já há muito esquecida e utiliza expressões e palavras deliciosas que eu já nem me lembrava que existiam.

A partir dos anos 60, a acção transfere-se para Paris já que um dos pontos centrais do "Livro" é a saga dos emigrantes portugueses por terras de França e depois também as várias vindas de férias ao país natal, as casas que constroem, os maços de notas nas mãos. Gostei muito desta parte já que corresponde à imagem que eu também tenho da emigração portuguesa dos anos 60 e seguintes. O contraste entre esta primeira parte do "Livro" e a segunda parte, bastante mais erudita, é fantástico como se a intenção fosse mostrar como as gerações foram evoluindo. Uma escrita que não é, de modo nenhum, linear e um livro que leva algum tempo a ler. É preciso ir digerindo a pouco e pouco mas gostei tanto que já estou a ler mais outro livro dele, desta feita um livro de contos com histórias, imagino eu, baseadas nas histórias de vida da sua Galveias natal.

 

"O momento de ligar a telefonia. Era uma máquina que impunha respeito. Quando se aproximavam dela, os homens metiam as mãos nos bolsos. Era impossível imaginar a quantidade de turbinas que existiam dentro daquela máquina estrangeira. Em vez de fazerem uma bomba, fizeram isto, pensava a velha Lubélia. O único homem que tocava na máquina, que a compreendia, era um indivíduo baixo, careca, que atendia ao balcão da Casa do Povo. Os seus dedos brancos, pouco sol, rodavam os botões da telefonia com uma elegância geométrica. A máquina uivava um gemido que se enfiava nos ouvidos, depois começava a rugir, depois afinava-se na voz de um locutor, a articular muito bem as palavras , a anunciar pastas de dentes, licores, e a apresentar artistas. A velha Lubélia consolava-se com o momento de ligar a telefonia. Seguia cada gesto e cada posição do homem que a ligava. À maneira de uma mulher de quase setenta anos, à sua maneira, desejava-o sexualmente."

 

 

Publicado originalmente nas Leituras da Stiletto

publicado por Charneca em flor às 18:46 link do post
19 de Abril de 2011

O jogo do Anjo

 

Andava com uma enorme curiosidade sobre este livro do Carlos Ruiz Zafon, o La sombra del viento foi um dos melhores livros que já li, comprei este na véspera dos dias de férias no Algarve, comecei a ler no primeiro dia  à noite e tive uma enorme dificuldade em parar de ler, a madrugada já ia alta quando decidi que era melhor dormir.

 
Li mais de metade do livro de uma só tirada ... a primeira parte está à altura do A sombra do Vento, de novo a historia tem uma Barcelona de outros tempos quase como um protagonista mais e  há até algumas coisas comuns nos dois livros, o cemitério dos livros esquecidos não podia deixar de ser uma delas.  O livro começa assim:
 
Um escritor nunca esquece a primeira vez em que aceita algumas moedas ou um elogio em troca de uma história. Nunca esquece a primeira vez em que sente o doce veneno da vaidade no sangue e começa a acreditar que, se conseguir disfarçar sua falta de talento, o sonho da literatura será capaz de garantir um teto sobre sua cabeça, um prato quente no final do dia e aquilo que mais deseja: seu nome impresso num miserável pedaço de papel que certamente vai viver mais do que ele. Um escritor está condenado a recordar esse momento porque, a partir daí, ele está perdido e sua alma já tem um preço.
 
O livro conta a história de um escritor de romances policiais que vai enfrentando a vida e subindo por ela a pulso. A atmosfera do livro, a cidade, o ambiente e até alguns personagens são  os  mesmos de A sombra do Vento...e como já disse, a primeira parte lê-se de um fôlego, é difícil deixar o livro de  lado. Depois... bom, eu cheguei a meio e achei que a história tinha atingido o seu epílogo... que o livro devia ter terminado ali. Olhei para o livro e vi que ainda faltavam mais de duzentas páginas...... é claro que continuei a ler.. mas para mim era como se fosse outra história..... outro livro, apesar de a personagem principal ser a mesma.
 
Não deixa de ser um excelente livro, muito bem escrito. Ao recorrer as suas páginas sentimo-nos a passear pela Barcelona de aqueles tempos, conseguimos sentir a cidade, o ambiente.
 
A segunda parte do livro começa com um pacto que sela a vida do protagonista, não está lá escrito mas conseguimos sentir que vendeu a alma ao diabo, é também nesta parte que o livro se torna uma história de amor, um amor impossível... confesso que gostei mais da primeira parte....  mas é sem duvida um dos melhores livros que me passaram pelas mãos nos últimos tempos.
 
Sinopse:
Com deslumbrante estilo e impecável precisão narrativa, o autor de A Sombra do Vento transporta-nos de novo para a Barcelona do Cemitério dos Livros Esquecidos, para nos oferecer uma aventura de intriga, romance e tragédia, através de um labirinto de segredos onde o fascínio pelos livros, a paixão e a amizade se conjugam num relato magistral.
 

Jorge Soares
 
Post do  O que é o Jantar
publicado por Jorge Soares às 13:29 link do post
18 de Abril de 2011

Recentemente li a Marina. É daqueles livros que conseguem sobrepor-se ao tempo, roubam-no egoisticamente e impõem a sua história. É um livro pequeno.

Abundam por aí as histórias sobre a história. Aqui fica a minha sensação. A história lê-se no livro.

Em primeiro lugar, amei a forma como está escrito, as inúmeras frases que encarnam citações de lições de vida e inesperadamente nos fazem pensar. Para logo recomeçar a ler.

Em segundo lugar, a densidade da história dentro da história que afinal é a história que de que fala o livro. Achei as passagens para contar a história na terceira pessoa um pouco atabalhoadas, simples e demasiado fáceis com a vontade de começar a narrativa noutra personagem, em mais um capítulo.

Em terceiro lugar, gostei da trama da tragédia: da tragédia do amor do pai de Marina, da tragédia do amor da bela cantora, da loucura trágica e fantasiosa do inventor, do fim de algo que nunca chegou a existir que ligaria Óscar a Marina.

Pessoalmente acho que o livro tem uma fronteira muito próxima com uma fantasia de terror e sou pouco dada a historietas de fantasia, mas o peso da tragédia gótica prendeu-me.

E a forma de escrita diferencia claramente quem sabe escrever, das feministas que escrevem um palavrão em cada frase e vendem amontoados de páginas como livros fashion-treta-bestseller.

Foi uma agradável surpresa. De um escritor de verdade.

publicado por claudia às 16:34 link do post
12 de Abril de 2011

Tudo o que ele sempre quis - Anita Shreve

 

Desde que li Luz na Neve, fiquei mais ou menos viciado nos livros da Anita Shreve, livros bem escritos, com historias envolventes e enredos atraentes. Normalmente historias de amor, historias de mulheres apaixonadas que tem que enfrentar a vida e o mundo para poderem ser felizes.

 

Este Tudo o que sempre quis  é um livro diferente, não deixa de ter uma historia de amor, mas neste caso a historia não se centra directamente numa mulher. Este livro foi escrito à volta de decisões, um homem conhece uma mulher que o arrebata mas que não se deixa arrebatar, ele acredita no seu amor, na sua capacidade de amar, e decide que é a ela que quer amar. Ela, já não acredita no amor e decide viver a vida fechada no seu mundo, sem dar e sem receber.

 

Mais que uma historia de amor, é a historia de uma vida,  uma historia contada na primeira pessoa por alguém que decidiu amar e nunca foi amado. 

 

Sipnose

 

Sinopse: Um casamento junta sempre duas histórias, dois passados. Esta constatação é talvez tardia para o marido de Etna: um homem cuja obsessão com a sua jovem mulher tem início no momento em que se conhecem – e em que ele a ajuda a escapar a um incêndio - e culmina numa união ensombrada por segredos, traição e pelo fogo avassalador de uma paixão não correspondida.Ao académico Nicholas Van Tassel bastou ver Etna Bliss uma única vez para saber que chegara o momento de abandonar a sua condição de solteirão inveterado. Mas a frieza física e emocional com que é brindado é um prenúncio de tragédia: Etna deseja liberdade e independência, Nicholas quer a jovem exclusivamente para si… E quando descobre que, ainda que tivesse conseguido casar com ela, não teria chegado sequer a conquistá-la, vai ser o lado mais sombrio da sua personalidade a decidir o que fazer a seguir.Escrito com a inteligência e a graça que são já habituais na autora, Tudo o que Ele Sempre Quis é uma arrepiante história sobre desejo, ciúme, perda e os perigos que o fogo – o figurativo e o literal – sempre arrasta consigo.

 

Jorge Soares

Post do: O que é o jantar?

publicado por Jorge Soares às 22:13 link do post
31 de Março de 2011

 

 

Carrie, a telecinética.

Onde o fogo, o controlo e a imaginação se juntam numa mistura explosiva.

 

 

O meu primeiro livro que me deixou a pensar durante dias, semanas, perturbando-me sempre que penso nele. Reli este livro cerca de 5 vezes. E basta pensar nele um bocadinho para de imediato ter toda a certeza de que nós, seres humanos, somos os animais mais cruéis e desumanos que existem.

 

Resumidamente, Carrie é uma criança, no inicio da sua adolescencia, que não teve a infância mais fácil. A mãe é devota ao cristianismo no sentido amplo e rigorosa, onde apenas o usar de uma t-shirt de manga curta pode ser dos piores pecados deste mundo.

Este crescimento fez com que esta se torna-se uma pessoa fechada, calada, e, por si, alvo fácil de bullyng por parte das suas colegas.

 

Carrie encontrava na sua habilidade de mover objectos, concentrando-se neles, fazendo-os dançar e mover-se no ar, mas até isto foi desaprovado, sendo considerado um caminho pecaminoso, pelo menos segundo sua mãe, Margaret White.

 

Mas, no famoso baile de finalistas, onde finalmente tudo seria perfeito para Carrie White, foi alvo da pior e mais humillhante partida provocado por uma invejosa colega.

Carrie utiliza a sua habilidade, num ataque de fúria inconsciente e fora de controlo, deixando de ser para descontração e encontro do conforto e calma, tornando-se uma das armas mais mortíferas da história de Chamberlain.

 

Stephen King sabe melhor que ninguém provocar ao leitor um misto de sentimentos e, mais interessante de tudo, sentimentos esses paradoxais uns aos outros; e ele provou-o logo de início com o seu primeiro grande sucesso Carrie, tendo a sua primeira edição sido lançada em 1974.

Após ler diversas vezes este livro, ainda não sei se sinto pena, horror, medo ou empatia pela Carrie White. Para mim, a melhor personagem alguma vez criada.

 

Livro divido em três partes, onde vemos uma linguagem rica, mas fácil e de leitura fluida. Dificil de parar de ler, apesar de ter apenas 212 páginas, tem tudo o que um excelente livro deve ter.

 

Intenso, aterrorizante, emocionante pouco definem este livro.

 

Post do Ler Para Viver

publicado por ChadGrey às 16:38 link do post
28 de Março de 2011

 

Este é já o segundo livro que leio de Madeline Hunter. O primeiro foi "Jogos de Sedução".

A acção passa-se no século XIX e tem como pano de fundo as relações comerciais, mais ou menos legais, entre a Inglaterra e o Oriente, abordando até o tráfico de ópio e a destruição que o ópio provoca na vida de quem se lhe entrega. As personagens principais, Christian e Leona, conhecem-se em Macau onde se apaixonam mas são obrigados a separarem-se. Ao fim de 7 anos voltam-se a encontrar, em Londres, onde revivem as emoções vividas no Oriente. No entanto, há muitas coisas que os separam uma vez que Leona vai para Londres para estabelecer relações comerciais mas também para se vingar de quem levou o seu pai à morte.

Madeline Hunter faz um brilhante relato histórico e descreve os encontros entre Christian e Leona com uma grande carga sensual como já acontecera na outra obra dela a que faço referência. Ainda mais, neste "Os pecados...", a sensualidade ainda traz um toque do exotismo do Oriente. Como diz na sinopse:"Uma viagem no tempo até uma era marcada por escândalos, intriga e desejos secretos..."

 

"Silêncio. Calma. A respiração dele a sintonizar-se com um ritmo mais amplo na escuridão. Sem tumulto. Sem ânsias. Um estado de suspensão do ser procurando formar-se e crescer...

O centro não iria aguentar-se. Em vez disso, insurgiu-se uma lembrança, mais vívida do que seria natural. As imagens moveram~se na obscuridade da sua mente. De repente, estava de regresso a Macau, numa noite perfeita...

Cores a tremeluzir num luar de prata. Odor a flores de lótus vindo da lagoa próxima. Lâmpadas que brilhavam tenuamente no interior das casas, para além das paredes de estuque. Ruídos silenciosos que vinham ao seu encontro, misturando-se com os sons da noite.

 (...)

 Um som. Não do tipo silencioso, mas um ruído humano normal. Passos, respiração e um murmúrio débil e feminino.

Subitamente, ela estava ali, no trilho à sua frente. Viu-o e deteve-se. A camisa de noite alva brilhava sob a faixa escura do seu longo xaile de seda. O cabelo escuro encobria-a. A pele parecia cintilar sob a luz da lua.

O desejo tomou imediatamente conta dele, tal como sempre acontecia junto dela. Vê-la era a faìsca necessária para fazer com que a chama do seu desejo ardesse descontroladamente."

 

Originalmente publicado aqui

publicado por Charneca em flor às 19:42 link do post
27 de Março de 2011

A menina que nunca chorava

 

 

 

"Querida Mãe,

 

Quero viver contigo, Estou farta de viver com o Pai. Não é que tenha acontecido alguma coisa ruim, porque há muito tempo que nada de ruim acontece ,só que fico farta dos seus modos. De me preocupar com ele, de me preocupar com a bebida e de me preocupar com as drogas e de me preocupar com o que vai acontecer com o nosso dinheiro e de me preocupar se se vai meter de novo em sarilhos e de me preocupar com o que me vai acontecer. Quero viver contigo..... "

 

Quando terminei de ler A Criança que não queria falar fiquei com vontade de saber o que aconteceu com aquela criança. Era uma histórica verídica de uma menina de 6 anos, uma mente brilhante que estava no inicio da vida, a história não poderia terminar ali. Efectivamente a historia não termina ali e a continuação está em a Menina que nunca chorava.

 

Entre as estadas do pai na prisão e nas clínicas de reabilitação, Sheila vai crescendo entregue ao estado, entre centros de acolhimento e famílias temporárias, é apesar de tudo uma criança normal que consegue dar a volta e seguir enfrente, sempre.

 

Aos 13 anos volta a reencontrar Torey, por estranho que pareça, pouco se lembra de aquela turma que viria a mudar a vida dela, lembra-se da professora mas de pouco mais. Ambas vão reencontrando aquele passado e lutando com os fantasmas que perseguem Sheila.

 

Sheila é uma adolescente que se converte num adulto precoce, cresceu sozinha e solitária sem conhecer o amor dos que a rodeiam e a sonhar com encontrar a mãe, tem uma visão do mundo muito própria e por vezes irrealista.

 

O livro tem partes chocantes, porque nos mostra alguns pormenores da cultura americana que para nós são impensáveis, a forma como vêem a adopção e o acolhimento de crianças de um modo que achei completamente leviano, o modo com tratam os problemas das crianças e adolescentes, etc. Por outro lado, mostra-nos a forma como os fantasmas do passado perseguem as crianças que foram abandonadas, Sheila nunca desiste de tentar encontrar a mãe, sonha com ela e com o momento em que se irão encontrar.

 

"Querida mãe,

A vida está a ser boa para mim. Tenho um grande emprego e o meu próprio apartamento e um cão chamado Mike. Desculpa, já não penso muito em ti. Quero faze-lo, mas não tenho tempo. É pena que nunca me tenhas conhecido. Penso que terias gostado de mim.

 

Com amor Sheila"

 

Sinopse:

 

Torey Hayden publicou A Criança Que Não Queria Falar, em 1980, relatando o caso verídico e comovente da sua relação com uma menina de seis anos que aparecera, gravemente perturbada, na sua aula de ensino especial. Ao longo de vários meses, a jovem professora lutou para fazê-la desabrochar sob o calor generoso da sua espantosa intuição e amor e levá-la a descobrir um mundo que podia ser luminoso.


Separadas pelas contingências da vida, só voltam a encontrar-se anos mais tarde quando Sheila já tem 13 anos. Para surpresa de Torey, a adolescente parece ter perdido uma grande parte das memórias dos primeiros tempos que passaram juntas e, à medida que elas ressurgem do passado com os sentimentos que lhes estão associados, a sua competência de terapeuta e a sua devoção vão de novo ser duramente postas à prova.

 

Jorge Soares

 

Post do O que é o jantar

publicado por Jorge Soares às 16:06 link do post
19 de Março de 2011

Drácula, Bram Stoker

 

Terminei ontem de ler o "Drácula" do Bram Stoker (1897), tinha visto o filme há vários anos atrás e como tenho sempre curiosidade de ver se as adaptações cinematográficas são bem feitas, já andava atrás do livro há um bom tempo. 

Creio que Bram Stoker foi talvez o principal responsável pelo surgimento do mito do vampiro moderno, que é um dos temas que na actualidade é bastante procurado.  Nos últimos tempos têm saído inúmeros filmes, séries, documentários e livros sobre o vampirismo, mas que, na minha opinião, não são tão interessantes quanto o original...

Para criar a sua obra, Stoker, baseou-se em lendas das zonas rurais romenas, contadas entre camponeses, de geração em geração; mas também em factos históricos o que enriqueceu bastante a sua obra.

A personalidade sanguinária de Vlad Tepes, conhecido por empalar os seus inimigos e beber o seu sangue terá certamente influenciado as lendas de vampiros que ainda hoje se contam na Valáquia.

Quem se interesse por conhecer outros aspectos da sua vida, como o facto de fazer parte de uma liga para defesa dos cristãos contra os turcos, que tornou a Transilvânia num dos poucos locais capazes de resistir a fúria muçulmana, (que até tomou Constantinopla aos Bizantinos)... existem bons documentários sobre o assunto e um bom livro, que embora ficcional, conta de uma forma dinâmica e entusiasmente muitos acontecimentos históricos relacionados com Draculea: chama-se o "Historiador" de Elisabeth Kostova e faz lembrar um pouco no estilo o Código da Vinci.

Aqui podem encontrar o ebook de Bram Stoker.

 

Retirado do Blog Black Bird

publicado por Jorge Soares às 16:08 link do post
13 de Março de 2011

 

Nunca tinha lido nada de José Eduardo Agualusa embora, de algum tempo para cá, tenha alguma curiosidade pelos escritores africanos como Agualusa ou Mia Couto. Comecei a ler a medo mas foi uma boa aposta. O livro não é muito grande (184 páginas apenas) e lê-se muito bem desde que se leia com disciplina e atenção já que não se trata de um relato linear. Capítulos do enredo alternam com capítulos que contam lendas africanas, relatos de sonhos e histórias longinquas no tempo. Agualusa escreve de uma maneira muito divertida. O fulcro desta história é a pesquisa de novas palavras, neologismos, na língua portuguesa. Nesta busca acompanhamos o percurso de Iara, uma jovem linguista portuguesa, à procura da origem destes neologismos. Iara conta com a ajuda de um velho professor angolano e anarquista. Como diz na sinopse, "Milagrário Pessoal é um romance de amor e, ao mesmo tempo, uma viagem através da história da língua portuguesa, das suas origens à actualidade, percorrendo os diferentes territórios aos quais a mesma se vem afeiçoando."

Tendo em conta o cenário actual da língua portuguesa, com o tão falado Acordo Ortográfico, esta história prova que uma das riquezas da língua portuguesa é a sua diversidade, as várias maneiras de falar português em Portugal, nos vários países africanos ou no Brasil. A meu ver, este (des)Acordo vai retirar inocência à nossa língua obrigando-nos a escrever todos da mesma maneira. Não sei se Agualusa escreveu esta história a pensar nestas discussões sobre o Acordo mas foi isso que eu li nas entrelinhas e essa conclusão é da minha responsabilidade, evidentemente.

 

"Volto a estudar a lista. Vinte e três palavras, todas elas polidas e perfeitas, lúcidas, evidentes, e - sobretudo - imprescindíveis.

São palavras tão familiares, ou melhor, soam tão familiares, que não parecem neologismos, diz-me Iara. As pessoas ouvem-nas, e ficam convencidas de que sempre as utilizaram."

 

"Levou-o este necromante à Vila de Massangano, onde o apresentou a uns pássaros de voo lento e trabalhoso, forte penagem verde e azul, e uma crista púrpura na cabeça, à maneira do solidéu dos cardeais, mostrando-se tais pássaros muito àgeis nos pensamento e hábeis no falar. A partir de várias conferências com os referidos pássaros doutores, que os nativos chamam onduvas, reuniu Moisés da Conceição uma colecção de palavras extravagantes, de muita serventia, segundo me confidenciou o índio Mariano, para a boa iluminação das nações que habitam este país e, mais do que isso, da natureza da vida e dos seus maiores."

 

Post publicado originalmente em Leituras da Stiletto

publicado por Charneca em flor às 21:33 link do post
13 de Março de 2011

Acredito que a maior parte das mulheres, mães, esposas, companheiras, apesar de fazerem tudo o que está ao seu alcance para educarem os seus filhos, dando-lhes o melhor, no intuito de fazerem deles cidadãos com valores, princípios e boas regras de conduta, apesar do sua missão olímpica de tentarem cumprir com perfeição as tarefas que lhe são inerentes em todas as áreas de vida, mais que uma vez se terão questionado se os métodos usados serão os melhores e se no futuro os resultados cumprirão as expectativas criadas.

 

Marta Gautier, psicóloga clínica, a par da terapia individual, tem desenvolvido um trabalho na Área das Competências Parentais junto dos pais que querem melhorar a relação com os filhos de modo a adquirirem conhecimentos para mudar comportamentos.

 

O que é ser mulher e mãe em Portugal é a pergunta com que é iniciado o excelente prefácio escrito por Marcelo Rebelo de Sousa onde a certa altura se pode ler: "...é bom ler este livro, para descobrir e redescobrir que a realidade é sempre mais criativa do que a mais fértil imaginação" e mais à frente..."A vida é feita de tudo um pouco. E saber olhar para o seu lado positivo -pequeno que seja - é outro apelo/ sugestão  da leitura desta obra.

Não desanimar. Não descrer. Não deixar de sonhar. Este é o imperativo que não podemos esquecer, mesmo nos piores momentos da nossa vida".

 

Marta Gautier, num tom confessional e genuíno com que certamente muitas mães se identificarão, pretende alertar para certos vícios e equívocos que se instalam nas relações familiares.

Mães e mulheres, a meu ver, depois de lerem este livro, despenalizar-se-ão, ou suspirarão de alívio, por constatarem que as dúvidas, constrangimentos limitações que surgem no dia a dia de uma família, são comuns a muitas outras e certamente perceberão que não há famílias perfeitas.

 

 

 

publicado por Existe um Olhar às 19:14 link do post
28 de Fevereiro de 2011

A criança que não queria falar

 

Sheila é uma menina de seis anos que rapta um menino de três, o ata a uma árvore e lhe prende fogo. É praticamente assim que começa o livro, uma criança que comete um acto irracional e que é condenada a ser internada num hospital psiquiátrico, como não há vagas no hospital, é colocada temporariamente numa escola onde há uma turma de crianças especiais.

 

Nesta turma há uma professora que se interessa realmente pelos seus alunos e que descobre que por detrás de toda a raiva e rebeldia há uma mente brilhante e uma criança como as outras, que simplesmente necessita de carinho e de atenção.

 

Sheila foi abandonada pela mãe que a atirou de um carro em andamento numa auto-estrada, vive com o pai, um homem  alcoólico e toxicodependente mas orgulhoso, num campo miserável e sem condições. Só tem uma muda de roupa que utiliza dia trás dia, mas o pai nega-se a que lhe ofereçam outra, eles não precisam.

 

Este foi um livro que me tocou, porque fala de abandono, de crianças difíceis e dos desafios que se colocam na educação de crianças que foram abandonadas.

 

O abandono é algo que marca uma criança para toda a sua vida, e essas marcas vão surgindo nas diversas fases do seu crescimento, eu sei, porque há coisas ali, poucas felizmente, que vi no meu filho.

 

O livro fala sobre a Sheila, sobre a sua professora, sobre o como ensinar e tratar crianças diferentes, mas fala também sobre o trauma do abandono, sobre as marcas que este deixa nas crianças, sobre as suas fragilidades e sobre como algumas coisas se devem tratar.

 

Há livros que nos marcam pela história, outros pela forma como estão escritos, outros porque os lemos na altura e circunstancias certas das nossas vidas, este livro marcou-me porque sou pai. Um livro que todos os pais adoptivos ou não deveríamos ler e  que todos os professores deveriam ler.

 

Sinopse: Esta é a história verídica e comovente da relação entre uma professora que ensina crianças com dificuldades mentais e emocionais e a sua aluna, Sheila, de seis anos, abandonada por uma mãe adolescente e que até então apenas conheceu um mundo onde foi severamente maltratada e abusada. Relatada pela própria professora, Torey Hayden, é uma história inspiradora, que nos mostra que só uma fé inabalável e um amor sem condições são capazes de chegar ao coração de uma criança aparentemente inacessível. Considerada uma ameaça que nenhum pai nem nenhum professor querem por perto de outras crianças, Sheila dá entrada na sala de Torey, onde ficam as crianças que não se integram noutro lugar. É o princípio de uma relação que irá gerar fortes laços de afecto entre ambas, e o início de uma batalha duramente travada para esta criança desabrochar para uma vida nova de descobertas e alegria. Desde a sua publicação, em 1980, o livro já vendeu 8 500 000 exemplares no Reino Unido  e foi traduzido em 27 línguas, tendo sido um bestseller em vários países.

 

Post publicado inicialmente no blog O que é o jantar?

 

Jorge Soares

 

publicado por Jorge Soares às 21:42 link do post
23 de Fevereiro de 2011

 

Este é um livro especial. Primeiro que tudo porque é uma história verídica e porque foi comprado na livraria da Casa-Museu Anne Frank, em Amsterdão, depois de ter passado pelo anexo secreto onde Anne viveu dos 13 aos 15 anos. Quando cheguei à livraria estava muito emocionada já que terminei a visita com um nó na garganta e com lágrimas nos olhos. Na parte final da visita, é projectado um filme em que Otto Frank, pai de Anne Frank e o único que sobreviveu ao Holocausto, diz que só conheceu, verdadeiramente, a filha quando leu o seu diário. Percebe-se pelo seu testemunho que ele encontrou um sentido para a sua vida ao lutar para publicar o diário e para criar aquela Casa-Museu como espaço de encontro e de reflexão para todos, independentemente da raça, cor, língua ou religião, um espaço de paz e concórdia.

 Qual não foi o meu espanto encontrei esta versão escrita em português. Esta versão é chamada definitiva porque inclui algumas passagens que tinham sido omitidas nas primeiras edições por vontade de Otto Frank. Estas passagens contêm alguns comentários relativos à mãe que Otto não tinha querido divulgar. 

Muitas pessoas terão lido este livro na adolescência ou terão visto o filme. Eu não, embora já tivesse ouvido falar, por alto, na história de Anne Frank.

O Diário conta os 2 anos que a família Frank, com mais algumas pessoas, passou num pequeno anexo do antigo escritório de Otto Frank. A família refugiou-se aí para tentar escapar às perseguições anti-semitas levadas a cabo durante a 2ª Guerra Mundial. Anne descreve o espaço ao qual estavam confinados, o tipo de alimentação que eram obrigados a fazer, as privações e dificuldades a que estavam sujeitos. Para além disso percebe-se que Anne não deixou de ser uma adolescente como as outras, com os mesmos conflitos, as mesmas dúvidas, as mesmas revoltas e os mesmo anseios. É doloroso ler os planos que ela fazia para o futuro quando sabemos que ela, apesar de todos os riscos e sacrifícios que passaram, acabou por morrer num campo de concentração. Algumas entradas do Diário são de uma tal profundidade que custa a acreditar que tenham sido escritos por uma pessoa tão jovem. Obviamente que as circunstâncias a obrigaram a crescer já que passou por coisas que nunca ninguém deveria ter passado só porque o acaso a fez nascer no seio duma família judia. Um dos livros da minha vida, sem dúvida.

 

                                                                                                                                                                                                                                                   "Espero poder confiar-te tudo, como nunca pude confiar em ninguém, e espero que venhas a ser uma grande fonte de conforto e apoio", 12 de Junho de 1942

 

 

"Estamos todos vivos, mas não sabemos porquê ou para quê; todos procuramos a felicidade; todos levamos vidas que são diferentes e, contudo,  iguais. Nós os três fomos criados em boas famílias, temos oportunidade de adquirir uma educação e fazer algo pela nossa vida. Temos muitas razões para esperar uma grande felicidade, mas ... temos de a merecer. E isso é algo que não se consegue escolhendo a saída mais fácil. Merecer a felicidade significa fazer o bem e trabalhar, não especular e ser preguisoço. A preguiça pode ser convidativa, mas só o trabalho pode dar uma verdadeira satisfação", 6 de Julho de 1944

 

 

 

Post publicado originalmente aqui

publicado por Charneca em flor às 09:11 link do post
15 de Fevereiro de 2011

 

Às vezes leio dois livros ao mesmo tempo. Desta vez senti necessidade de ler um livro mais "leve" enquanto lia "O Diário de Anne Frank" já que este é um livro muito duro a nível emocional. Candace Bushnell tornou-se conhecida pela sua crónica "O Sexo e a Cidade" no New York Observer que deu origem ao livro, à série e aos 2 filmes. Este livro tem um protagonista principal e umas quantas personagens secundárias. O protagonista é o edifício situado no nº 1 da 5ª Avenida. Esta avenida é uma das mais caras avenidas de Nova Iorque. O edifício é mais do que o cenário, parece fazer mesmo parte da história. Todas a personagens ou vivem nesse sítio, ou na sua proximidade ou então desejam lá viver. Candace conta várias histórias e em todas elas aborda a ambição, o poder, a relação das várias pessoas com a cidade, a jovem que quer subir na vida, a mulher de meia idade que não conseguiu realizar tudo o que desejava, os novos ricos que construiram a fortuna na Bolsa à custa da gestão de fundos de alto risco e por aí fora. Um retrato da sociedade actual incluindo a grande influência da Internet na vida das pessoas e como aquilo que se escreve online permanece para sempre. Um livro que distrai e faz sonhar...
 
"Billy Litchfield passava em frente ao nº 1 da Quinta Avenida pelo menos duas vezes ao dia. Em tempos fora dono de um Wheaten terrier oferecido pela Srª Houghson, que criara cães dessa raça na sua propriedade junto ao Hudson. Wheaty precisava diariamente de ser passeado duas vezes em Whashington Square Park e Billy, que vivia na 5ª Avenida,a norte do nº1, desenvolvera nessa altura o hábito de passar pelo edifício como parte do seu passeio diário. Era uma das suas referências, um sumptuoso edifício construído em pedra de um cinza-claro e de linhas clássicas condizentes com o estilo art déco,e Billy, a meio caminho entre o novo milénio e as tradições de outrora. « Não importa onde se mora desde que seja um lugar decente». dizia para si mesmo, embora ansiasse viver no nº1.Alimentara essa pretensão durante trinta e cinco anos, mas o seu desejo continuava por cumprir."
Publicado originalmente aqui
publicado por Charneca em flor às 08:52 link do post
04 de Fevereiro de 2011

"Tenho ainda um bocado de vida a cumprir, foi-me guardado pelo destino. Sobrou do que me roubaram, o destino guardou-me como um bocado de pão."

 

Se este pequeno excerto despertou a vontade de conhecer este livro, continue a ler. Caso contrário, espero pelo próximo! 

 

 

Vergílio Ferreira não pode ser lido como a imensidão de livros de algibeira que se reproduzem nas livrarias. Há de certo muito bons autores, sem dúvidas. Há aqueles que se lêem correndo, quase adivinhando o que a próxima frase traz. V.G não, não fosse ele um dos maiores e mais importante romancista português do séc. XX. É por isso que é preciso saber ler, saber ser paciente ao descobrir a história (coisa que nem sempre sou!).

Afinal de que trata a história? Este romance baseia-se num monólog (parcialmente diálogo) entre pa  e filho, aquando do velório deste. É na noite que precede o enterro do seu filho que o protagonista, Cláudio, nos conta a sua vida até ao momento presente da narrativa. Com saltos no tempo e espaco há decerto imensos pormenores que me escaparam e que pedem por uma segunda leitura. É-me impossível dizer muito mais sobre o livro, porque as ideias viriam em cadeia e acabaria por contar a história toda.

Deixo para quem se sentiu tentado a ler esta obra de 1987! 

 

(publicado também no Miss G)

publicado por Miss G às 17:54 link do post
30 de Janeiro de 2011

 

Se alguma dúvida tivesse sobre a genialidade da escrita do prémio Nobel da literatura 2010, com a leitura deste segundo livro dele Travessuras de Menina Má, ela desfazer-se-ia de imediato.

É um livro que nos prende do princípio ao fim.

As personagens são caracterizadas de uma forma tão perfeita, que quase lhes imaginamos as feições.

Os lugares onde se passa toda esta saga de um amor turbulento (Peru, Madrid, Paris, Tóquio, Londres), levam-nos a viajar e a visulizar cada rua, cada café, cada local visitado, com um realismo e fidelidade fantásticas.

Na minha opinião este é um dos livros que daria um óptimo filme.

 

Sinopse

 

É a história de uma jovem peruana e suas peripécias, narrada por um jovem chamado Ricardo Somocurcio. Os dois se conheceram adolescentes, no bairro Miraflorino, de Lima, e ela desperta nele uma paixão avassaladora que apenas diminui com a morte dela. Ao longo da história a protagonista se descobre como um ser de baixas paixões primando pela ambição. Ainda assim, ela era a razão de viver de Ricardo, e sempre que ela voltava pra ele, era perdoada por tudo. A menina má, que na verdade se chamava Odília, era filha de uma cozinheira e de um homem chamado Arquimedes, cujo principal trabalho era marcar por instinto o lugar exato onde deveriam ser construídos esporões junto ao mar . Eles eram imigrantes e muito pobres. A vida de aventuras de Odília começa cedo, quando ela descobre que o que mais lhe interessava na vida era viver comodamente e usar seu corpo para conseguir isto. Ricardo reconstrói a vida da moça passo a passo, investigando suas diversas aventuras. A sua vida aventureira se inicia com Odília disfarçada de chilena, foi assim que ele a conheceu e se apaixonou. De outra vez em que ele a viu, estavam em Paris, e ela era a camarada Arlette. Os dois viveram um idílio até que ela segue para Cuba, seguindo um guerrilheiro. Depois ele fica sabendo que ela tornou-se amante de um Comandante da Guerrilha. O encontro seguinte é no escritório da Unesco, onde ele trabalha. Desta vez ela aparece elegantíssima e irreconhecível como Madame Robert Amoux, esposa de um diplomata francês que muito sofreu para tirá-la de La Habana. Logo depois se soube que ela havia fugido levando todos os bens do pobre francês. Mais tarde, num encontro com um amigo na Inglaterra, Ricardo tem nova pista de Odília, ao reconhecer ela numa foto. Desta vez, ela apresentava-se como Mrs. Richarson e encontraram-se por acaso numa recepção, e reataram o romance por quatro anos. Odília pede o divórcio pois dizia-se infeliz. Aí descobre-se que ela é bígama e, por isso, não teria direito a nada. Ela volta a desaparecer. Um amigo de Ricardo viaja a trabalho para Tóquio. Lá encontra Odília e avisa Ricardo. Ele viaja e a encontra, desta vez, como Kurika, amante de um poderoso senhor japonês, Fukuda, um homem que muito a humilhou, lhe transmitiu várias doenças sexuais e, por fim, a abandonou. Ricardo consegue curá-la das doenças físicas, mas sua mente continuava enferma. Após ele tentar suicidar-se, ela aceita se casar com ele. Porém, ela o abandona novamente e ele conhece Marcella, uma italiana, e vive com ela algum tempo na Espanha. Depois de um tempo, ele reencontra Odília, e vão viver juntos no sul da França. E ali vivem os últimos 37 dias de Odília. Ela deixa para Ricardo a casa na França e recursos com os quais ele poderia viver. A menina má morre muito magra, definhada pelas enfermidades

 

publicado por Existe um Olhar às 20:05 link do post
14 de Janeiro de 2011

 

 

Comprei este livro essencialmente pelo preço, estava baratíssimo, mas também por se tratar de um romance histórico, género que me agrada bastante.

Fiquei surpreendida.

Adorei.

Uma leitura empolgante, viciante. Uma aventura partilhada por três estranhos, de nacionalidade diferentes, e que pouco têm em comum. Juntos são chamados a desvendar uns misteriosos roubos de relíquias. Uma missão que vai levá-los a viver uma série de peripécias e provações com muita enigma à mistura.

Aconselho.

 

Sinopse
Uma apaixonante viagem pela história e pelos segredos mais bem guardados do cristianismo.

Sob o solo da Cidade do Vaticano, encerrada entre códices no seu gabinete do Arquivo Secreto, a irmã Ottavia Salina recebe o encargo de decifrar as estranhas tatuagens aparecidas no cadáver de um etíope: sete letras gregas e sete cruzes. Junto ao corpo foram encontrados três pedaços que tudo indica pertencerem à Vera Cruz, a verdadeira cruz de Cristo.
Acompanhada por um arqueólogo de Alexandria, e pelo capitão da Guarda Suiça vaticana a protagonista deverá descobrir quem está por detrás do misterioso desaparecimento das relíquias nas igrejas de todo o mundo...

 

 

publicado por Abigai às 13:33 link do post
01 de Janeiro de 2011

José Saramago, Caim

 

A Distancia não permitia a Caim perceber a violência do furacão soprado pela boca do senhor nem o estrondo dos muros desabando uns após outros, os pilares, as arcadas, as abóbadas, os contrafortes, por isso a torre parecia desmoronar-se em silêncio, como um castelo de cartas, até que tudo acabou numa enorme nuvem de poeira que subia para o céu e não deixava ver o sol. Muitos anos depois se dirá que caiu ali um meteorito, um corpo celeste dos muitos que vagueiam pelo espaço, mas não é verdade, foi a torre de babel, que o orgulho do senhor não consentiu que terminássemos. A História dos homens é a história dos seus desentendimentos com deus, nem ele nos entende a nós, nem nós o entendemos a ele.

 

José Saramago em Caim.

 

À falta de melhor, hoje na RTP as noticias sobre o Haiti durante longos minutos versaram o religioso, primeiro a missa ao lado do que resta da catedral, depois a visita a um sacerdote Vudú, uma festa evangélica com muita gente e de novo as pessoas na Catedral...  O José Rodrigues dos Santos ficou de certeza com tema para mais um ou dois dos seus livros.

 

Estava a ouvir as pessoas e não pude deixar de dar por mim a pensar em Saramago e no Caim que estou a ler, e não pude deixar de me lembrar de algumas passagens que já li. Quando escrevi o primeiro post sobre a tragédia que assolou este país que há muito tinha sido esquecido pelo mundo, houve uma frase que decidi retirar mesmo antes de carregar em Publicar, a frase dizia:

 

-Se duvidas houvesse, está visto que deus não existe!

 

Retirei a frase porque na verdade a mim não me restam dúvidas e era de ajuda que queria falar naquele dia.

 

A verdade é que se juntarmos a tragédia às palavras sobre deus que ouvi hoje na reportagem, tudo isto podia ser mais um capitulo do livro de Saramago, com José Rodrigues dos Santos no papel de Caim. Porque o livro é assim, um conjunto de reportagens  sobre os principais capítulos da bíblia, sobre deus, o homem e a relação entre ambos, uma relação feita de provas, desafios, prémios e castigos....   nada que não tivéssemos visto todos na bíblia,  mas raramente com olhos de ver.

 

Este é um livro bem escrito, eu não sou grande fã da escrita do Saramago, mas reconheço que este é um excelente livro.

 

Quanto à  história, ou às várias historias, a mim que sou ateu não me dizem muito, há muito que olho para a bíblia como um enorme guião para filmes de Hollywood, para quem acredita, talvez deveria ser um livro a ler com alguma atenção, há sempre outras formas de interpretar o livro que para muitos é sagrado.... esta é tão ou mais válida que outra qualquer.

 

Em suma, um bom livro, que a mim por vezes me fez sorrir pela clareza das conclusões, um livro que polémicas à parte, vale cada cêntimo que pagamos por ele.

 

Jorge Soares

 

Post do Blog: O que é o Jantar

publicado por Jorge Soares às 22:47 link do post
29 de Novembro de 2010

Depois de saber da nomeação do Nobel da Literatura Mario Vargas Llosa e depois do que li aqui acerca da escrita dele fiquei com curiosidade em conhecer alguma obra literária deste conceituado escritor. Um amigo meu teve a gentileza de me emprestar "A Tia Julia e o Escrevedor". Fiquei fã, apesar de pensar que ia encontrar uma escrita romanceada, tal não aconteceu. O livro está dividido em capítulos e mesmo que não o possamos ler rapidamente, que foi o meu caso, não perdemos o fio á meada e há sempre em todos eles um apego e entusiasmo, para além duma escrita perfeita e não linear.

Encantou-me sobretudo o modo como ele descreve o encantamento e paixão pela tia Júlia, e como enfrentou toda a família que se opunha ao casamento de um jovem de 18 anos com a sua tia, mulher divorciada e muito mais velha que ele.

 

  

Sinopse

Durante os anos cinquenta, quando a televisão ainda não chegara ao Peru, era através da rádio que se difundiam os sonhos, se transmitiam as notícias e que as vozes fascinantes que davam alma e forma às histórias rocambolescas que coloriam a sucessão dos dias penetravam em casa das famílias...

 

Terá sido por essa altura que Pedro Camacho, autor e intérprete de folhetins radiofónicos boliviano, foi contratado para aumentar a audiência da Rádio Central de Lima, e que a tia Júlia, recém-divorciada, chegou igualmente da Bolívia para transformar a vida de Varguitas, estudante de direito, aprendiz de escritor e responsável pelos serviços de informação de uma estação de rádio.

 

 

A estrutura deste romance desenvolve-se em dois níveis que correm paralelos numa perfeita alternância. Por um lado, Varguitas e a sua adolescência, a descoberta do amor e da tia Júlia, a mulher flaubertiana com quem terá uma relação amorosa; por outro, a imaginação prodigiosa de Pedro Camacho e as suas histórias delirantes, aventuras que no fim se confundem para se tornarem uma só. E, subjacente a ambas, a voz difundida pelas ondas populares de uma estação de rádio de Lima, que possibilita o reencontro último com a dimensão mágica da palavra.

 

 

publicado por Existe um Olhar às 19:54 link do post
25 de Novembro de 2010

 

 

 

Amanhã, 26 de Novembro, pelas 19 horas, será feita a apresentação do livro Meninos do Mundo – Adopção Internacional. A sessão de lançamento terá lugar no Hotel Roma (Sala Roma), em Lisboa, e contará com a presença do Dr. Carlos Jesus, que irá fazer a apresentação da obra, e do Dr. Laborinho Lúcio, autor do prefácio. Estarão, igualmente, presentes a Dra. Fernanda Salvaterra, a Dra. Mariana Negrão, ambas psicólogas, e a Dra. Sandra Cunha, socióloga, que colaboraram na obra com textos em que reflectem a sua experiência na área da adopção. 

Espera-se, ainda, a presença de muitos dos que, com o seu testemunho, colaboraram com a Associação Meninos do Mundo para que o livro que agora se lança contemple as várias vertentes da realidade da adopção: adopção nacional e internacional, adopção por casal e adopção singular, a visão de quem foi adoptado, entre outras.

 

 

O livro é composto por um conjunto de textos escritos por pessoas que passaram pela adoção internacional com explicações de todos os processos vividos em países como Cabo Verde, Rússia, S.Tomé e Príncipe, Moçambique, Brasil, Índia, Bulgária, Lituânia, Tailândia e Macau e por depoimentos de crianças que dão assim a voz de quem um dia foi adotado.

 

A Associação Meninos do Mundo é uma organização não-governamental que tem como objetivos promover o conhecimento da adopção internacional em Portugal e no estrangeiro e desenvolver actividades de consciencialização da sociedade civil em relação à adoção internacional no país.

 

Quem estiver interessado pode encomendar o livro e assim contribuir para a associação e a causa da adopção internacional, basta enviar um email para: meninosdomundo@gmail.com

 

 

Porque uma criança é uma criança em qualquer parte do mundo!

 

Jorge Soares

publicado por Jorge Soares às 21:50 link do post
11 de Novembro de 2010

 

Este já é o segundo livro que leio do João Tordo. O primeiro foi o "Três Vidas", romance premiado com o Prémio Literário José Saramago. A mim parece-me que foi prematuro atribuir o prémio naquela altura. "O Bom Inverno" é muito melhor do que o "Três Vidas". João Tordo conta histórias fabulosas e verdadeiramente surpreendentes desde às personagens, ao enredo, às soluções que ele arranja quando a história está muito complicada para desenrolar a trama. A história gira em torno de um escritor frustado e hipocondriaco que, depois de participar numa conferência de literatura em Budapeste, viaja até à Itália e envolve-se involuntariamente numa assustadora "história carregada de suspense, em que o amor e a literatura se misturam com sexo, crime e metafísica". João Tordo está a tornar-se um caso sério da literatura portuguesa da actualidade.


Só para abrir o apetite:

 

"Pusemos o homem dentro do cesto do balão e deixámo-los desaparecer no céu pálido do Lácio. Foi um momento dramático e, se não houvéssemos caído naquele torpor pesado e ruminante que de nós se aporedou, alguém teria erguido um braço para, por entre lágrimas ou sorrisos, acenar um último adeus a Don Metzger. Foram precisos oito braços para tranportar o corpo do carro até à gôndola de verga, junto da qual o sinistro Bosco havia, com a ajuda do fiel Alípio, insuflado de ar frio o envelope de nylon preto, a grande ventoinha ensurdecendo aquele dia tão fúnebre. Acomodámos Don denro da gôndola o melhor que pudemos - tanto quanto era possível acomodar um gigante - e depois, com um gesto de amor que chegou a parecer cruel, Bosco abriu a válvula de propano e acenceu o maçarico, as chamas incendiaram o ar e ergueram a gôndola do chão como se a carregassem na palma de uma mão invisível. Era ainda muito cedo naquela manhã e Donjá partia em direcção ao ininito, onde conjuntos de nuvens em vários tons de cinzento, banhadas por um sol melancólico, avançavam lentamente em direcção à montanha, sobrevoando-a como anjos coléricos que trouxessem o prenúncio de tempos terríveis."
Este post foi publicado, originalmente, no blog "É possível ser feliz..."
publicado por Charneca em flor às 00:35 link do post
08 de Novembro de 2010

o fim da inocência - Francisco Salgueiro

"Hoje em dia os pais têm pouca ideia daquilo que realmente se passa com o filhos.

 

Julgam que as suas adolescências são iguais às que tiveram e deixam-nos à solta. Acontece que a realidade actual é muitíssimo diferente daquilo que oiço dizer que era nos anos setenta, oitenta e noventa.

 

É uma realidade em que o sexo e as drogas fazem parte do dia-a-dia"

 

É assim que começa este livro, uma nota escrita pela Inês e que funciona quase como que um aviso para o que nos espera nas páginas seguintes. Diz o autor que o livro é baseado em histórias reais contadas pela Inês, confesso que tenho sérias dúvidas, não é que todas estas coisas não possam acontecer com os nossos filhos, os filhos da vizinha, os de um colega de trabalho, alguém que conhecemos, eu tenho é sérias dúvidas que todas estas coisas possam acontecer com uma só pessoa.

 

No livro podemos encontrar todos os males da nossa sociedade, da simples utilização do telemóvel para partilha de coisas pouco inocentes, até à utilização do Facebook para fins mais ou menos morais.  Pelo meio passamos por tudo, absolutamente tudo, os perigos das salas de chat e do messenger, a droga na noite, a droga nos festivais de verão, etc, etc, etc.

 

A vida da Inês é quase um clichê da sociedade actual, filha da classe média alta, com pais separados, estuda num dos melhores colégios onde todos os seus colegas são copias quase idênticas dela. Crianças mimadas e com acesso a tudo ou quase tudo o que desejam.  Sem muitas preocupações monetárias e até escolares, vivem de acordo com o que está na moda, sendo que a moda pode passar por exemplo por  ir à internet ver fotografias e vídeos pornográficos. Com pais distantes ou que simplesmente não querem ver, vivem as suas próprias vidas desde muito cedo, não fazem escolhas, simplesmente deixam-se levar pela vida ao sabor do que está na moda, e não importa se é licito ou ilícito, caro ou barato, simples ou complicado.. mais que viver, o que importa é mostrar que se viveu.

 

O livro é um relato fiel de muitas coisas, coisas que no fim explicam a forma como nós como pais estamos a deixar que os nossos filhos se destruam. Tudo o que possam imaginar.. também muitas coisas que nunca imaginamos, está ali relatado, de uma forma dura e crua e em primeira pessoa

 

Independentemente de que toda a historia tenha saído da imaginação da Inês, da do Francisco Salgueiro, ou seja mesmo real, a verdade é que tudo o que está ali relatado existe mesmo, e a maioria de nós terá ouvido falar de tudo ou de quase tudo. É precisamente isso que me deixa na dúvida.. dificilmente alguém conseguiria passar por tantas coisas na vida .. e muito menos se no fim do livro a protagonista nem 18 anos fez.

 

Tirando o detalhe das cenas realmente chocantes, é um livro muito bem escrito, um livro que nos deveria deixar a pensar sobre a forma como estamos a educar os nossos filhos, sobre as muitas coisas que lhes damos todos os dias e sobretudo as que não lhes damos, atenção, formação e informação sobre o mundo real que existe lá fora.

 

"Se estiver a ler estas linhas e disser: Com o meu filho isso não acontece, porque é bom aluno e não o educo para se meter nessas coisas, talvez não seja má ideia ler o livro até ao fim.  Eu também era boa aluna e os meus pais não me educaram para me meter nessas coisas.

 

Sinopse:

Aos olhos do mundo, Inês é a menina perfeita. Frequenta um dos melhores colégios nos arredores de Lisboa e relaciona-se com filhos de embaixadores e presidentes de grandes empresas. Por detrás das aparências, a realidade é outra, e bem distinta. Inês e os seus amigos são consumidores regulares de drogas, participam em arriscados jogos sexuais e utilizam desregradamente a internet, transformando as suas vidas numa espiral marcada pelo descontrolo físico e emocional. Francisco Salgueiro dá voz à história real e chocante de uma adolescente portuguesa, contada na primeira pessoa. Um aviso para os pais estarem mais atentos ao que se passa nas suas casas

 

Jorge Soares

 

publicado por Jorge Soares às 21:46 link do post
03 de Novembro de 2010

A Mecânica no Coração

 

Confesso que comprei este livro pela sua linda capa e pelo título atractivo, porque do autor não tinha qualquer referência. Actualmente sei apenas que Mathias Malzieu, é vocalista de uma banda de rock francesa e, no campo da escrita, é autor de vários contos editados e de um romance. O livro que venho falar hoje foi assim uma descoberta de um autor que ficará para sempre na minha lista dos que devem ser lidos mais vezes.

 

“A mecânica do coração” é sobretudo de uma linda e doce história sobre o amor. No final do séc. XIX, numa época sombria e pobre em emoções há personagens que fazem a diferença porque amam de forma pouco convencional; uma mulher que conserta defeitos de crianças abandonadas para que possam ser adoptadas por novas famílias, uma criança com voz de pássaro e que desperta paixões, o inventor que sofre de desamor e o jovem que vive com medo de morrer de amor mas que não resiste a esse sentimento porque ao mesmo tempo é esse mesmo amor que o faz sentir vivo.

 

Ao estilo de Tim Burton ou de Lewis Carol, como podemos ler no resumo da contra-capa, encontramos um livro de fácil leitura, que eu gostei muito e que aconselho a quem gosta do estilo.

 

Ana Cristina

 

Post Publicado no arRanha no Trapo

publicado por Jorge Soares às 22:14 link do post
20 de Outubro de 2010

O clube de leitura em destaque

 

Antes de mais, em meu nome e dos demais participantes do BLOG, quero agradecer ao ao Pedro e ao restante pessoal do SAPO pelo destaque.

 

Este blog é  espaço de partilha, há muito por aí quem goste de ler, e são recorrentes na blogosfera os posts em que se fala de livros, nada como agrupar num só lugar todos esses posts para termos um clube, um clube de leitores.

 

Quero aproveitar esta avalancha de visitas para deixar um convite, o clube está aberto a quem queira participar, ali ao lado está um link que diz Participe neste blog , e o convite é aberto para os bloguers do SAPO ou para outros qualquer. Quem não é do sapo envie-me um email para jfreitas.soares@sapo.pt.

 

 

Porque ler é um prazer que deve ser partilhado

publicado por Jorge Soares às 22:10 link do post
20 de Outubro de 2010

A Lâmpada de Aladino, Luís Sepúlveda

 

 

"Há mulheres cuja companhia convida ao silêncio, porque sabem partilhá-lo,  e não há nada  mais difícil nem mais generoso"

Luis Sepúlveda in Café Miramar

 

Eu gosto de contos, gosto de livros de contos e este livro agarrou-me logo na primeira página, o primeiro conto chama-se Café Mirarmar e é simplesmente fantástico. Tal como o são a maioria dos outros 13 que compõem o livro.

 

Luís Sepúlveda é um escritor Chileno com um imenso talento, tem uma escrita fluída e que nos transporta para dentro do livro, neste caso transporta-nos pelo mundo. Com cada conto viajamos , de Alexandria  à Colômbia, de ali a Santiago do Chile e de ali a Ipanema, e a Hamburgo e de novo à selva Amazónica e de ali à Patagónia. Para além de viajarmos no espaço fisico, viajamos pelo tempo.. e com cada novo conto, com cada nova personagem, descobrimos um novo e diferente mundo cheio de cor, de significado social e até de magia.

 

É um livro que mais que ler, devora-se, eu li-o quase de um fôlego numa tarde de verão  sentado numa esplanada com vista para a serra da Arrábida, um livro fantástico, cheio de vida e de pequenas grandes coisas.

 

Sinopse

 

A Lâmpada de Aladino constitui o esperado regresso de Luis Sepúlveda ao território da ficção. Ao longo das histórias que compõem este livro reencontramo-nos com esse território de sentimentos que fizeram do autor um dos nomes mais apreciados da literatura da América Latina.

Enquanto os nomearmos e contarmos as suas histórias, os nossos mortos nunca morrem, diz a certa altura um personagem. Foi precisamente para resgatar do esquecimento momentos, lugares e existências irrepetíveis que Luis Sepúlveda escreveu A Lâmpada de Aladino, uma lâmpada de onde surgem, como por arte de magia, treze contos magistrais.

A Alexandria de Kavafis, o Carnaval em Ipanema, uma cidade de Hamburgo fria e chuvosa, a Patagónia, Santiago do Chile nos anos sessenta, a recôndita fronteira do Peru, Colômbia e Brasil, são alguns dos cenários deste livro. Nas suas histórias, cada uma delas um romance em miniatura, Luis Sepúlveda dá vida a personagens inesquecíveis, prendendo o leitor da primeira à última página.

 

Não deixem de ler.

 

Post do O que é o Jantar?

 

Jorge Soares

 

publicado por Jorge Soares às 22:02 link do post
14 de Outubro de 2010

Joanne Harris, O rapas de Olhos Azuis

 

Acabei há poucos dias de ler este livro. Comprei-o durante as férias e li-o de sopetão porque é daqueles que não se consegue parar.

 

Não vou fazer grandes resumos porque é fácil de os ler pela net. Limito-me a adiantar que é um thriller interessante que envolve um grupo restrito de pessoas que partilham um passado comum e onde a certa altura já não se consegue perceber quem é quem ou quem é capaz de fazer o quê.

 

Tenho quase todos os livros da Joanne Harris. Gosto muito do tipo de escrita, simples e sem pretensiosismos. Gosto do envolvimento que sinto com os enredos e personagens. Gosto das ideias iniciais, embora acabe por pensar que têm sempre uma base comum, o que dá uma bibliografia com uma aparência repetitiva...


Neste caso em particular, e embora a leitura tenha sido agradável e ensusiasmante, o final desiludiu-me um pouco, por considerar que deu voltas excessivas no intuito de surpreender cabalmente o leitor... na minha opinião, um daqueles casos em que "menos teria sido mais".

 

De qualquer forma, aconselho, principalmente se pretenderem uma leitura que vos envolva e vos faça correr para o livro de cada vez que tenham um bocadinho de tempo livre.

 

Rita

 

Post do arRanha no Trapo

publicado por Jorge Soares às 20:43 link do post
07 de Outubro de 2010

Mário Vargas LLosa

 

Imagem do Público

 

O primeiro livro de que tenho memória é A cidade e os cachorros (La ciudade y los perros), é um livro forte, com um tema forte e foi sem dúvida um livro que me marcou e que tendo sido lido quando eu tinha 13 ou 14 anos, contribuiu de uma forma decisiva para que me tornasse num leitor quase compulsivo e um fã  do autor.

 

Mario Vargas Llosa tem um estilo de escrita muito próprio, a maioria dos seus livros não é escrito de forma linear, à primeira vista é difícil encontrar um fio condutor, cada capítulo é uma parte da história contada desde o ponto de vista de um dos protagonistas, à medida que vamos lendo vamos entrando na pele de cada um dos personagens e na sua historia.

 

Li a maioria dos seus livros, ele é sem duvida um dos meus autores preferidos e um dos maiores expoentes do Realismo Mágico, o estilo de escrita lationo-americano que através da leitura nos leva a conhecer a realidade politico social da América Latina do século XX.

 

De entre todos os seus livros eu destacaria, para além  A cidade e os cachorros, A Tia Julia e o escrevinhador e Travessuras da Menina má,  de que já se falou aqui, dois dos meus livros preferidos e que nos mostram duas fases distintas da escrita deste autor.

 

Este foi sem dúvida um Nobel muito bem entregue, a um autor que para além da sua escrita se destaca como jornalista, politico, chegou a ser candidato a presidente do Peru, e lutador incansável pela justiça e bem estar social do povo do seu país.

 

Livros deste autor:

Os Chefes (1959)
A cidade e os cachorros ("La ciudad y los perros") (1963)
A casa verde (1966) (Premio Rómulo Gallegos)
Conversa na catedral (1969)
Pantaleão e as visitadoras (1973)
Tia Júlia e o escrevinhador (1977)
A Guerra do Fim do Mundo (1981)
Historia de Mayta (1984)
Quem matou Palomino Molero? (1986)
O falador (1987)
Elogio da madrasta (1988)
Lituma nos Andes (1993). Premio Planeta
Os cadernos de Dom Rigoberto (1997)
A festa do bode (2000) - novela sobre a ditadura do general da República Dominicana, Rafael Leónidas Trujillo
O Paraíso na Outra Esquina (2003) - novela histórica sobre Paul Gauguin y Flora Tristán.
Travessuras da Menina Má (2006)


Jorge Soares

publicado por Jorge Soares às 12:17 link do post
28 de Setembro de 2010

 

A primeira vez que ouvi falar de João Tordo foi no programa "Ping Pong Top", do canal Q, o canal das oduções Fictícias. João Tordo deu uma entrevista bem divertida a Patrícia Muller e a Hugo Gonçalves falando do novo livro "O Bom Inverno". Como fiquei curiosa fui descobrindo várias coisas, João Tordo é filho do cantor Fernando Tordo, nasceu em 1975 e ganhou o Prémio José Saramago 2009 com este romance "As três vidas", o seu terceiro romance. João Tordo representa uma nova geração de escritores e é, nas suas próprias palavras, "um gajo que conta histórias" (na revista Visão). João Tordo é um excelente e imaginativo contador de histórias. "As três vidas" é um romance repleto de mistérios que se vão desenrolando ao longo de muitos anos, atravessando períodos marcantes da História do século XX e do ínicio do século XXI. A imaginação do autor surpreende-nos a cada página e, quando não conseguimos perceber como ele vai desenrolar o novelo da história, eis que surge uma solução inacreditável. O narrador é um jovem secretário, sem nome, que começa a trabalhar com o misterioso António Augusto Milhouse  Pascal. Durante muito tempo não consegue compreender qual é o trabalho que o patrão executa. Sempre presente está Artur, o jardineiro e motorista, quase tão misterioso como Milhouse Pascal. Os clientes, que são ricos, perigosos e loucos vêm e vão. O conhecimento que o jovem trava com os netos de Milhouse Pascal influenciará o seu discernimento e as suas decisões. Uma história que diicilmente  se consegue deixar de ler...

 
"Ainda hoje, sempre que o mundo se apresenta como um espectáculo enfadonho e miserável, sou incapaz de resistir à tentação de relembrar o tempo em que, por força da necessidade, fui obrigado a aprender a difícil arte do funambulismo. Esses anos, que considero terem sido excepcionais - e, ocasionalmente, marcados por acontecimentos funestos -, deixaram-me num estado de melancolia crónica no qual, embora dele tenha procurado escapar, acabo inevitalmente por voltar a cair. (...) Bastará dizer que não recordo um tempo em que a vida tenha sido particularmente eliz, mas que sou incapaz de esquecer cada hora que passei na companhia de António Augusto Milhouse Pascal"
"Se eu fosse um homem diferente, com mais imaginação, talvez pudesse acreditar - e fazer-vos acreditar -que os mistérios que perpassaram esta narrativa irão um dia encontrar a sua resposta: estou convencido, contudo, de que muitas coisas permanecem eternamente veladas e, com o passar do tempo, aprendi a viver com esta resignação"
Publicado originalmente aqui
publicado por Charneca em flor às 23:48 link do post
26 de Setembro de 2010

A escolha da Dra Cole

 

 

Depois de ler O FísicoXamã, foi com alguma ansiedade que tentei encontrar este terceiro livro da trilogia em que é narrada a história de uma família  de médicos, os Cole, desde a idade média até à actualidade.

 

Se os dois primeiros eram excelentes relatos históricos, este ultimo é um relato por vezes pungente da sociedade rural americana e da forma como na actualidade é praticada a medicina nos Estados Unidos.

 

Roberta Cole quebrou uma tradição mantida pela família desde a Idade Média. O primeiro filho era homem e depois tornava-se médico, Roberta além de ser mulher, decidiu que o seu caminho não seria a medicina e sim o Direito.

 

Ela herdara um dom e tal como alguns dos seus antepassados Coles, era capaz de pressentir a morte de uma pessoa ao pegar-lhe nas mãos, um dia, pressentiu a morte do seu marido. Nesse dia ela soube que o seu destino era o mesmo de muitos dos seus antepassados, a Medicina.

 

Era já uma das médicas mais respeitadas do Lemuei Grace Hospital, de Boston, quando, pela primeira vez se viu confrontada com os desafios da competição profissional do mundo moderno. A sua recusa em aceitar algumas das  regras impostas pelo cargo que ocupava fê-la perder a chefia de um importante departamento do hospital. Desiludida decide mudar de vida e vai trabalhar para uma pequena cidade rural no interior de Massachusetts e é aí que começa a sua verdadeira saga.

 

Os livros da trilogia de Noah GordonNa versão que eu tenho, que é  de 1998, o livro ainda se chamava Opções, agora chama-se As escolhas da Dra Cole. qualquer dos nomes se adequa perfeitamente, porque é das opções e de escolhas que é feita a nossa vida. As escolhas da Dra Cole levam-nos a percorrer os diversos caminhos da Vida, O Amor, o Aborto e a sua prática, o sistema de saúde americano, a vida nas pequenas cidades americanas, tudo no livro é uma fonte de descobertas....

 

Fiquei fan deste autor, que sem dúvida nenhuma escreve muito bem e com enorme rigor histórico e cientifico.

 

Se puderem, leiam, os 3 livros.

 

Post do O que é o Jantar?

 

Jorge Soares

publicado por Jorge Soares às 23:54 link do post
15 de Setembro de 2010

Já tinha ouvido falar de Isabel Allende, mas nunca me interessei pelos títulos dos seus livros. Talvez fosse a ideia de que era uma escritora para as massas, o que me mantinha afastada das histórias que conta. Queria algo diferente. Por isso, posso dizer que foi por mero acaso que dois livros dela me escolheram.   

 

A Casa dos Espíritos, Sinopse: O relato da vida de Esteban Trueba, da mulher, dos filhos legítimos e naturais, e dos netos vai levar-nos do começo do século até à actualidade; é toda uma dinastia de personagens à volta das quais a narrativa vai gravitando sem perder de vista os outros - mesmo depois de mortos. O temperamento colérico do fundador, a hipersensibilidade fantasista da sua mulher e a evolução social do país - que reflecte e pode muito bem simbolizar qualquer país latino-americano - tornam difíceis as relações familiares, marcadas pelo drama e a extravagância e conduzem a um final surpreendente e cruel, que deixa no entanto aberto o caminho de uma trabalhosa reconciliação. 

No panorama da actual literatura hispano-americana, nenhum nome de mulher tinha conseguido até agora ocupar um lugar cimeiro. Faltava pois uma romancista. A impecável desenvoltura estilística, a lucidez histórica e social e a coerência estética, patentes em A Casa dos Espíritos fazem do primeiro romance de Isabel, um livro inesquecível. 

  

 

Paula Sinopse:Esta obra de Isabel Allende possui e prossegue duas qualidades essenciais à sua narrativa e ao seu estilo literário: a densidade e a intensidade.
Sendo uma representação do sofrimento e das memórias, Paula é um documento multi-biográfico, como de resto são em grande parte os seus outros romances, e neste se configura como uma viagem dupla em presença do estado comático da filha e da acumulação das experiências de outras dores, entremeadas de alegrias, da mãe.
Paula é tanto um diálogo à cabeceira de uma doente clinicamente privada de consciência, como um solilóquio de grandeza e fragilidade, a tentativa de unir a ideia do amor como única ponte de salvação humana, a realidade do sofrimento tantas vezes absurdo e indecoroso.  

 

 

 

Por estas breves descrições é possível notar já um denominador comum: a família Trueba/Allende. O cariz familiar, diria até catártico, destas duas obras não deixa ninguém indiferente à história, à psicologia, ao paranormal e aos sentimentos.

Fui positivamente surpreendida pela capacidade da escrita de Isabel em me prender a uma história de centenas de páginas (A Casa dos Espíritos) repleta de notas históricas, sem que eu pensasse uma única vez que estava a ler uma enciclopédia da história da América Latina. Curioso também, é a multiplicidade de temas envolvidos, a riqueza e a peculiaridade desta família, onde se reúnem caracteres, mundos, à primeira vista antagonistas. Confesso que se tivesse lido a sinopse em primeiro lugar e não fosse o título chamativo, o livro teria ficado na prateleira.  

Quando li a contracapa de Paula, fiquei presa a história, antevendo já o seu fim. Mas até que a última palavra esteja lida, tudo pode acontecer, ainda mais pela mão de Isabel. Na minha perspectiva, aqui personagem principal é (de novo) a escritora que nos leva ao seu passado, ao seu presente e ao seu interior. Conhece-se aqui a mãe, a matriarca, a mulher. 

 

Ler Isabel Allende, é portanto uma aventura deliciosa e alucinante, que eu recomendo e planeio repetir.

publicado por Miss G às 16:22 link do post
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