Clube de leitura
Porque ler é um prazer que deve ser partilhado
04 de Maio de 2012

Este livro já não é uma novidade, antes pelo contrário. A edição é de 1994. Desde que li "A soma dos dias" que desejava ler este. Aliás li-os pela ordem inversa. "A soma dos dias" começa precisamente, onde este termina. "Paula" foi escrito durante 1 ano pela autora durante o tempo em que a filha permaneceu em coma em sequência de uma doença grave que a afectava. Durante as longas horas em que Isabel Allende esperava que a filha acordasse foi escrevendo a sua história de vida e a dos seus familiares mais próximos. Este livro é, ao mesmo tempo, o relato da dor de uma mãe pelo sofrimento da filha e um relato bibliográfico da vida intensa de Isabel Allende que se cruza com a história do seu país, o Chile. Não é um livro fácil porque sofremos com a autora, emocionamo-nos com o amor e dedicação do jovem marido de Paula e participamos da revolta inicial e depois da progressiva aceitação da situação em que Paula se encontra. Apesar de tudo vale a pena ler mas só se tivermos um coração forte. Acredito que haja quem não seja capaz de lê-lo até ao fim.

 

 

"Tento não cair em sentimentalismos, que tanto horror te provocam, filha, mas terás de desculpar-me se de repente me vou abaixo. Estarei a ficar louca? Não dou pelos dias, não me interessam as notícias do mundo, as horas arrastam-se penosamente numa espera eterna. O momento de te ver é muito breve, mas o tempo gasta-me aguardando-o"

 

" Eu pensei então que há séculos imemoriais que as mulheres perderam filhos, que é a dor mais antiga e inevitável da humanidade. Não sou a única, quase todas as mães passam por essa provação, quebram-se-lhes os corações, mas continuam a viver porque têm de proteger e amar aqueles que ficam."

 

 

Post originalmente publicado aqui

publicado por Charneca em flor às 21:55 link do post
15 de Setembro de 2010

Já tinha ouvido falar de Isabel Allende, mas nunca me interessei pelos títulos dos seus livros. Talvez fosse a ideia de que era uma escritora para as massas, o que me mantinha afastada das histórias que conta. Queria algo diferente. Por isso, posso dizer que foi por mero acaso que dois livros dela me escolheram.   

 

A Casa dos Espíritos, Sinopse: O relato da vida de Esteban Trueba, da mulher, dos filhos legítimos e naturais, e dos netos vai levar-nos do começo do século até à actualidade; é toda uma dinastia de personagens à volta das quais a narrativa vai gravitando sem perder de vista os outros - mesmo depois de mortos. O temperamento colérico do fundador, a hipersensibilidade fantasista da sua mulher e a evolução social do país - que reflecte e pode muito bem simbolizar qualquer país latino-americano - tornam difíceis as relações familiares, marcadas pelo drama e a extravagância e conduzem a um final surpreendente e cruel, que deixa no entanto aberto o caminho de uma trabalhosa reconciliação. 

No panorama da actual literatura hispano-americana, nenhum nome de mulher tinha conseguido até agora ocupar um lugar cimeiro. Faltava pois uma romancista. A impecável desenvoltura estilística, a lucidez histórica e social e a coerência estética, patentes em A Casa dos Espíritos fazem do primeiro romance de Isabel, um livro inesquecível. 

  

 

Paula Sinopse:Esta obra de Isabel Allende possui e prossegue duas qualidades essenciais à sua narrativa e ao seu estilo literário: a densidade e a intensidade.
Sendo uma representação do sofrimento e das memórias, Paula é um documento multi-biográfico, como de resto são em grande parte os seus outros romances, e neste se configura como uma viagem dupla em presença do estado comático da filha e da acumulação das experiências de outras dores, entremeadas de alegrias, da mãe.
Paula é tanto um diálogo à cabeceira de uma doente clinicamente privada de consciência, como um solilóquio de grandeza e fragilidade, a tentativa de unir a ideia do amor como única ponte de salvação humana, a realidade do sofrimento tantas vezes absurdo e indecoroso.  

 

 

 

Por estas breves descrições é possível notar já um denominador comum: a família Trueba/Allende. O cariz familiar, diria até catártico, destas duas obras não deixa ninguém indiferente à história, à psicologia, ao paranormal e aos sentimentos.

Fui positivamente surpreendida pela capacidade da escrita de Isabel em me prender a uma história de centenas de páginas (A Casa dos Espíritos) repleta de notas históricas, sem que eu pensasse uma única vez que estava a ler uma enciclopédia da história da América Latina. Curioso também, é a multiplicidade de temas envolvidos, a riqueza e a peculiaridade desta família, onde se reúnem caracteres, mundos, à primeira vista antagonistas. Confesso que se tivesse lido a sinopse em primeiro lugar e não fosse o título chamativo, o livro teria ficado na prateleira.  

Quando li a contracapa de Paula, fiquei presa a história, antevendo já o seu fim. Mas até que a última palavra esteja lida, tudo pode acontecer, ainda mais pela mão de Isabel. Na minha perspectiva, aqui personagem principal é (de novo) a escritora que nos leva ao seu passado, ao seu presente e ao seu interior. Conhece-se aqui a mãe, a matriarca, a mulher. 

 

Ler Isabel Allende, é portanto uma aventura deliciosa e alucinante, que eu recomendo e planeio repetir.

publicado por Miss G às 16:22 link do post
10 de Março de 2010

A ilha debaixo do mar - Isabel Allende

 

«Todos temos dentro de nós uma insuspeita reserva de força que emerge quando a vida nos põe à prova.»

                           Isabel Allende, A Ilha Debaixo do Mar

 

Comprei este livro no inicio do ano, ainda antes do terramoto,  como já estava a ler 3, este ficou guardado, depois foi o terramoto e o Haiti entrou de um momento para o outro no nosso vocabulário do dia a dia de uma forma brutal e avassaladora.

 

Levo sempre um livro quando vou de viagem, foi este o que escolhi para levar para Cabo Verde... em boa hora, porque passei uma semana de enorme tensão e o livro funcionou como um escape.

 

Sou fã da Isabel Allende, acho que li tudo o que ela escreveu e cada um dos seus livros é uma nova descoberta, adoro a forma como nos envolve nas historias e no ambiente do livro.

 

Este não é um livro sobre o Haiti, é um livro sobre o povo do Haiti, mais que um romance é um livro de historia, que nos descreve o auge e a queda da mais rica das colónias francesas e a forma como de uma enorme mistura de culturas  se  tece o passado e o futuro de um povo.

 

O livro descreve a vida nas plantações de cana de Açúcar, o ouro branco das Antilhas,  a forma como eram  tratados os escravos, a forma como conseguem preservar algumas das suas tradições que darão origem ao Vudu que sobrevive até aos dias de hoje, a forma como das suas fraquezas fazem força e com elas enfrentam todo o poderio de uma nação europeia até a vergarem.

 

Como já disse noutro post, o Haiti foi a primeira nação a obter a sua independência na América latina, uma independência conseguida à custa de muito sangue, de muita vingança, de muita destruição que deixou marcas até ao dia de hoje... tudo isso é mostrado no enredo do livro através das vidas das personagens e da forma como vivem e morrem num meio que antes de mais, é sempre hostil e selvagem.

 

Em Suma, um excelente livro que está  à altura de todos os outros desta autora.

 

Sinopse:

 

Para quem era uma escrava na Saint-Domingue dos finais do século XVIII, Zarité tinha tido uma boa estrela: aos nove anos foi vendida a Toulouse Valmorain, um rico fazendeiro, mas não conheceu nem o esgotamento das plantações de cana, nem a asfixia e o sofrimento dos moinhos, porque foi sempre uma escrava doméstica. A sua bondade natural, força de espírito e noção de honra permitiram-lhe partilhar os segredos e a espiritualidade que ajudavam os seus, os escravos, a sobreviver, e a conhecer as misérias dos amos, os brancos. Zarité converteu-se no centro de um microcosmos que era um reflexo do mundo da colónia: o amo Valmorain, a sua frágil esposa espanhola e o seu sensível filho Maurice, o sábio Parmentier, o militar Relais e a cortesã mulata Violette, Tante Rose, a curandeira, Gambo, o galante escravo rebelde… e outras personagens de uma cruel conflagração que acabaria por arrasar a sua terra e atirá-los para longe dela. Quando foi levada pelo seu amo para Nova Orleães, Zarité iniciou uma nova etapa onde alcançaria a sua maior aspiração: a liberdade. Para lá da dor e do amor, da submissão e da independência, dos seus desejos e os que lhe tinham imposto ao longo da sua vida, Zarité podia contemplá-la com serenidade e concluir que tinha tido uma boa estrela.

 

Post Publicado no  O que é o Jantar?

 

Jorge Soares

publicado por Jorge Soares às 21:12 link do post
08 de Novembro de 2009

A soma dos Dias, Isabel AllendeTerminei de ler La suma de los dias, de Isabel Allende , eu nunca tive um especial interesse por biografias ou autobiografias, que me lembre li o Confiesso que vivi" do Garcia Marquez.....  mais nenhum. Este livro é autobiográfico, é uma espécie de continuação do Paula, mas sem a tristeza. Dei por mim um dia eram uma duas da manhã a tentar conter as gargalhadas para não acordar a P.

 

Tenho não sei quantas folhas dobradas com trechos que achei que iria colocar no meu Blog, este livro fala da vida da Isabel e do seu Clan , da forma como ela passa pela morte da sua filha, de como organizou a sua vida para estar sempre rodeada da família , da forma como se apoiam, como enfrentam os amores e os pesares, como festejam os feitos, como vão crescendo e pouco a pouco ficam ali, à volta do clan .

 

Li o livro em Castelhano, por norma, se puder escolher, compro os livros desta escritora em Castelhano , há uma certa magia e uma parte do misticismo associado ao ser Chilena e latina que se perdem na tradução,.

 

Neste livro ela fala de todos os que escreveu neste período , e é engraçado perceber como é que algumas coisas funcionam, fiquei espantado quando ela diz o seguinte:

 

"Um Sábado ao meio dia chegaram a nossa casa três pessoas, que ao principio confundimos com missioneiros mormons . Por sorte estávamos enganados. Explicaram que tinham os direitos mundiais do Zorro, o heroi californiano que todos conhecemos. Criei-me com o Zorro...

.....- Fizemos tudo com o Zorro, filmes, series de televisão, historias, banda desenhada, disfarces, etc , menos uma obra literária , gostava de a escrever?"

 

E assim nasceu mais um bestseller.

 

No livro temos uma perspectiva sobre a sociedade americana dos últimos 20 anos vista pelos olhos de uma matriarca latino-americana que vive em São Francisco, que é casada com um americano e que consegue juntar à sua volta os seus filhos, os filhos dele, os seus dramas e as suas conquistas.

 

Um livro a ler, que me deixou com vontade de revisitar o Paula uma vez mais e que quanto a mim dará para muitos posts .... 

 

Jorge

PS:imagem retirada da internet

PS2:Post publicado inicialmente no blog O que é o jantar?

publicado por Jorge Soares às 19:11 link do post
18 de Outubro de 2009

Inês da minha alma, Isabel AllendeTenho um gosto especial pelos escritores da literatura fantástica latino-americana, Vargas Llosa, Garcia Marquez, Romulo Gallegos, e especialmente Isabel Allende, já li várias vezes o A casa dos espíritos, duas vezes o Paula e todos os outros livros da autora a que consegui deitar a mão.

 

Inês da minha alma é  um  livro fantástico. Conta a história de Ines Suarez, uma costureira da Estremadura Espanhola que parte para a América da conquista à procura do seu marido e para escapar à vida claustrofóbica da sua terra.

 

Esta mulher simples e humilde termina sendo uma das  conquistadoras do Chile, heroína das guerras da conquista do continente aos ferozes índios e exemplo da importância das mulheres na conquista e povoamento da América do Sul.

 

Como a maioria dos livros de Isabel Allende, este consegue misturar de uma forma mágica, o fantástico com o real, o misticismo religioso dos conquistadores/invasores Espanhois com a espiritualidade quase pagã herdada das culturas milenares pré-colombinas que já existiam muito antes do suposto nascimento de Cristo e uma história de amor com a história de um país e de um continente.

 

Tenho uma enorme proximidade com o castelhano e gosto de ler os autores latinoamericanos nesse idioma, este não foi a excepção.

 

"Supongo que pondrán estatuas de mi persona en las plazas, y habrá calles y ciudades con mi nombre, como las habrá de Pedro De Valdivia y otros conquistadores, pero de cientos de esforzadas mujeres que fundaron los pueblos, mientras sus hombres peleaban, serán olvidadas".

 

Imagem reirada da internet.

 Post publicado inicialmente no blog:O que é o jantar?

Jorge Soares

publicado por Jorge Soares às 18:22 link do post
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