Clube de leitura
Porque ler é um prazer que deve ser partilhado
27 de Novembro de 2011

Este é o segundo livro que leio da Patricia Highsmith e (tal como no outro) fiquei agradavelmente surpreendida, para quem está habituado aos seus policias, este romance acaba por ser realmente uma grande surpresa.Creio que é preciso grande coragem para em 1952 escrever e propor-se a publicar um livro com esta temática e sobretudo com o final que teve. Tanto que de início a obra foi recusada pelo primeiro editor, pois ninguém na altura queria ficar conotado como "apoiante de homossexuais".A história centra-se numa história de amor entre a jovem Therese de 19 anos,  que se apaixona por Carol, uma mulher mais velha, em processo de divórcio e com uma filha.

Therese trabalha num armazém onde é mal paga, enquanto aguarda emprego na sua área (desenho cénico) e é nesse emprego que conhece Carol, ambas sentem de imediato grande empatia e começam a ver-se frequentemente; entretanto Therese termina com o namorado pois percebe quase de imediato que aquilo que sente por ele não se compara ao sentimento que cresce dentro dela pela a outra mulher. Carol convida Therese para viajar com ela pelos Estados Unidos, durante essa viagem ambas descobrem esse amor proibido, no entanto acabam por ter de se separar devido ao facto de estarem a ser seguidas por um detective privado contratado pelo ex-marido de Carol, que ia reunindo escutas ilegais e outras evidências de que elas estavam juntas e pretendia usar isso em tribunal como algo de negativo, numa clara vingança pelo seu orgulho ferido, para que Carol perdesse o direito de ver a filha. No entanto Carol não consegue renunciar ao amor de Therese e acabam por se reencontrar e o livro termina com a possibilidade de um futuro entre as duas. 

É porventura o primeiro livro onde um casal homossexual tem um "happy end", antes deste livro as histórias com personagens  homossexuais morriam de formas horríveis, suicidavam-se ou "tornavam-se" heterossexuais como se a sua orientação sexual fosse o primeiro caminho para a perdição...

Este livro causou assim quase logo de início grande polémica entre a sociedade norte americana, não só por mostrar uma relação de amor entre duas mulheres, mas sobretudo por terminar de um modo muito diferente do que era habitual até então.

É possível também perceber ao longo da história uma forte crítica à sociedade norte-americana sua contemporânea: a hipocrisia, a ignorância e preconceito das pessoas, a exploração do trabalho feminino, o egocentrismo dos membros do jet-set da época. Mas por outro lado mostra-nos a coragem de algumas pessoas que resolveram lutar pelos seus sentimentos, pelas suas crenças perdendo com isso partes importantes das suas vidas, sendo abertamente criticadas e, em muitos casos, simplesmente ostracizadas, por não se limitarem a ser iguais a tantas outras mulheres que nasceram para ser mães e esposas.

Este é um livro para quem tenha mente aberta, despida de preconceitos e que acredite no Amor sob todas as suas formas.
Quetzal
Post do Blog Black Bird
publicado por Jorge Soares às 22:56 link do post
07 de Outubro de 2010

Mário Vargas LLosa

 

Imagem do Público

 

O primeiro livro de que tenho memória é A cidade e os cachorros (La ciudade y los perros), é um livro forte, com um tema forte e foi sem dúvida um livro que me marcou e que tendo sido lido quando eu tinha 13 ou 14 anos, contribuiu de uma forma decisiva para que me tornasse num leitor quase compulsivo e um fã  do autor.

 

Mario Vargas Llosa tem um estilo de escrita muito próprio, a maioria dos seus livros não é escrito de forma linear, à primeira vista é difícil encontrar um fio condutor, cada capítulo é uma parte da história contada desde o ponto de vista de um dos protagonistas, à medida que vamos lendo vamos entrando na pele de cada um dos personagens e na sua historia.

 

Li a maioria dos seus livros, ele é sem duvida um dos meus autores preferidos e um dos maiores expoentes do Realismo Mágico, o estilo de escrita lationo-americano que através da leitura nos leva a conhecer a realidade politico social da América Latina do século XX.

 

De entre todos os seus livros eu destacaria, para além  A cidade e os cachorros, A Tia Julia e o escrevinhador e Travessuras da Menina má,  de que já se falou aqui, dois dos meus livros preferidos e que nos mostram duas fases distintas da escrita deste autor.

 

Este foi sem dúvida um Nobel muito bem entregue, a um autor que para além da sua escrita se destaca como jornalista, politico, chegou a ser candidato a presidente do Peru, e lutador incansável pela justiça e bem estar social do povo do seu país.

 

Livros deste autor:

Os Chefes (1959)
A cidade e os cachorros ("La ciudad y los perros") (1963)
A casa verde (1966) (Premio Rómulo Gallegos)
Conversa na catedral (1969)
Pantaleão e as visitadoras (1973)
Tia Júlia e o escrevinhador (1977)
A Guerra do Fim do Mundo (1981)
Historia de Mayta (1984)
Quem matou Palomino Molero? (1986)
O falador (1987)
Elogio da madrasta (1988)
Lituma nos Andes (1993). Premio Planeta
Os cadernos de Dom Rigoberto (1997)
A festa do bode (2000) - novela sobre a ditadura do general da República Dominicana, Rafael Leónidas Trujillo
O Paraíso na Outra Esquina (2003) - novela histórica sobre Paul Gauguin y Flora Tristán.
Travessuras da Menina Má (2006)


Jorge Soares

publicado por Jorge Soares às 12:17 link do post
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