Clube de leitura
Porque ler é um prazer que deve ser partilhado
08 de Maio de 2011

O sonho do Celta

 

Vargas Llosa é um dos meus autores favoritos, o seu livro anterior, Travessuras da menina má, foi um dos melhores que li nos últimos tempos, entretanto o escritor ganhou, com todo o mérito, o prémio Nóbel da literatura e eu estava algo ansioso por ter nas minhas mão este seu O sonho do Celta.

 

Bom, há muito que não me custava tanto terminar de ler um livro, é verdade  que este é enorme, são mais de 400 páginas no estilo característico do Vargas Llosa em que as várias partes da história nos vão sendo mostradas de forma intercalada, capítulo a capítulo, até que no fim tudo faz sentido. Mas este não é definitivamente um livro fácil de ler.

 

Estará a meio caminho entre a biografia e o romance, talvez o poderíamos classificar como uma biografia romanceada em que se conta a história de vida de Roger Casement, um Irlandês que foi cônsul da Inglaterra no Congo Bélga do fim do século XIX, que primeiro no Congo e depois na Amazónia Peruana, dedicou uma parte da sua vida denunciar a forma como eram tratados os nativos africanos e americanos pelas grandes companhias que se encarregavam da extracção da borracha. As denuncias deste senhor tiveram uma enorme influência na forma como a Europa de fins do século XIX e inicio do século XX, passaram a olhar para o colonialismo e a extracção dos recursos naturais em África e na América.

 

Com o tempo Casement passou a olhar para o seu próprio país quase como uma colónia Inglesa,  torna-se um nacionalista que luta pela liberdade da Irlanda e um inimigo da Inglaterra. Após a mal sucedida revolta  da Páscoa,  termina condenado à morte e é desde a prisão que nos vai mostrando muitas vezes com uma enorme crueza e realismo, todo o seu percurso de vida e as suas passagens por África e América. Pelo meio damos conta da sua homossexualidade através das anotações que este vai escrevendo no seu diário.. pairando sempre a dúvida se esta será real ou fruto da imaginação do inglês e se aquilo que se escreve será o que realmente aconteceu nestes encontros sexuais ou o que ele desejaria que tivesse acontecido

 

Em suma, este é um bom livro que tem uma leitura por vezes pesada e até dificil e que nos leva até uma parte da história que poucas vezes foi contada com tanto realismo.

 

Sinopse: O Sonho do Celta baseia-se na vida do irlandês Roger Casement, cônsul britânico no Congo belga, em inícios do século XX, que durante duas décadas denunciou as atrocidades do regime de Leopoldo II. Este homem, amigo de Joseph Conrad (e que o guiou numa viagem pelo Rio Congo, revelando-lhe uma realidade mais tarde retratada no romance Coração das Trevas), teve uma vida extraordinária, plena de aventura. Acérrimo defensor dos direitos humanos ‹ como também o comprovam os relatórios que redigiu durante a estadia na Amazónia peruana - militou activamente, no fim da sua vida, o nacionalismo irlandês, acabando condenado à morte por traição e executado.

 

Post do O que é o jantar


Jorge Soares

publicado por Jorge Soares às 11:59 link do post
30 de Janeiro de 2011

 

Se alguma dúvida tivesse sobre a genialidade da escrita do prémio Nobel da literatura 2010, com a leitura deste segundo livro dele Travessuras de Menina Má, ela desfazer-se-ia de imediato.

É um livro que nos prende do princípio ao fim.

As personagens são caracterizadas de uma forma tão perfeita, que quase lhes imaginamos as feições.

Os lugares onde se passa toda esta saga de um amor turbulento (Peru, Madrid, Paris, Tóquio, Londres), levam-nos a viajar e a visulizar cada rua, cada café, cada local visitado, com um realismo e fidelidade fantásticas.

Na minha opinião este é um dos livros que daria um óptimo filme.

 

Sinopse

 

É a história de uma jovem peruana e suas peripécias, narrada por um jovem chamado Ricardo Somocurcio. Os dois se conheceram adolescentes, no bairro Miraflorino, de Lima, e ela desperta nele uma paixão avassaladora que apenas diminui com a morte dela. Ao longo da história a protagonista se descobre como um ser de baixas paixões primando pela ambição. Ainda assim, ela era a razão de viver de Ricardo, e sempre que ela voltava pra ele, era perdoada por tudo. A menina má, que na verdade se chamava Odília, era filha de uma cozinheira e de um homem chamado Arquimedes, cujo principal trabalho era marcar por instinto o lugar exato onde deveriam ser construídos esporões junto ao mar . Eles eram imigrantes e muito pobres. A vida de aventuras de Odília começa cedo, quando ela descobre que o que mais lhe interessava na vida era viver comodamente e usar seu corpo para conseguir isto. Ricardo reconstrói a vida da moça passo a passo, investigando suas diversas aventuras. A sua vida aventureira se inicia com Odília disfarçada de chilena, foi assim que ele a conheceu e se apaixonou. De outra vez em que ele a viu, estavam em Paris, e ela era a camarada Arlette. Os dois viveram um idílio até que ela segue para Cuba, seguindo um guerrilheiro. Depois ele fica sabendo que ela tornou-se amante de um Comandante da Guerrilha. O encontro seguinte é no escritório da Unesco, onde ele trabalha. Desta vez ela aparece elegantíssima e irreconhecível como Madame Robert Amoux, esposa de um diplomata francês que muito sofreu para tirá-la de La Habana. Logo depois se soube que ela havia fugido levando todos os bens do pobre francês. Mais tarde, num encontro com um amigo na Inglaterra, Ricardo tem nova pista de Odília, ao reconhecer ela numa foto. Desta vez, ela apresentava-se como Mrs. Richarson e encontraram-se por acaso numa recepção, e reataram o romance por quatro anos. Odília pede o divórcio pois dizia-se infeliz. Aí descobre-se que ela é bígama e, por isso, não teria direito a nada. Ela volta a desaparecer. Um amigo de Ricardo viaja a trabalho para Tóquio. Lá encontra Odília e avisa Ricardo. Ele viaja e a encontra, desta vez, como Kurika, amante de um poderoso senhor japonês, Fukuda, um homem que muito a humilhou, lhe transmitiu várias doenças sexuais e, por fim, a abandonou. Ricardo consegue curá-la das doenças físicas, mas sua mente continuava enferma. Após ele tentar suicidar-se, ela aceita se casar com ele. Porém, ela o abandona novamente e ele conhece Marcella, uma italiana, e vive com ela algum tempo na Espanha. Depois de um tempo, ele reencontra Odília, e vão viver juntos no sul da França. E ali vivem os últimos 37 dias de Odília. Ela deixa para Ricardo a casa na França e recursos com os quais ele poderia viver. A menina má morre muito magra, definhada pelas enfermidades

 

publicado por Existe um Olhar às 20:05 link do post
02 de Outubro de 2009

 Travessuras da menina má - Mario Vargas Llosa

 

O primeiro livro que me marcou realmente foi La ciudad y los perros, de Mario Vargas Llosa. Foi no 7 ou 8 ano e lembro-me que podíamos escolher entre este, Dona Barbara de Romulo Gallegos  e Cem anos de solidão de Garcia Marques. Escolhi A cidade e os cachorros, já não sei porquê, mas foi um livro que me marcou e foi o primeiro de muitos que li de este escritor, entre eles o fabuloso A tia Júlia e o escrevedor e o ultimo, Travessuras da menina má.

 

Vargas Llosa tem um estilo de escrita peculiar em que a historia não é linear, é intercalada entre capítulos, um capitulo conta uma parte da historia e o seguinte conta uma parte completamente diferente, que pode ser algo que acontece em paralelo, no passado ou no futuro, no fim tudo se conjuga, mas no inicio é como se estivéssemos a ler dois, ou mais livros diferentes ao mesmo tempo.

 

Como disse antes, o ultimo que li foi Travessuras da menina má, que é uma história que começa em Lima, no Peru, passa por Paris e termina algures no norte de Espanha e que relata as incidências de um grande amor que começa na adolescência e dura toda a vida. Uma história de idas e vindas de uma mulher aos braços de um homem, que cada vez que ela regressa a recebe de coração aberto só para a ter durante o tempo que ela precisa para se preparar para voltar a partir.

 

Um grande livro, de um grande escritor.

 

Jorge

publicado por Jorge Soares às 00:28 link do post
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