Clube de leitura
Porque ler é um prazer que deve ser partilhado
14 de Dezembro de 2011

 

Este é um livro escrito por uma apresentadora de televisão e jornalista que um dia deixou o marido e os filhos já crescidos e foi viver sozinha numa casa à beira mar.

Ao longo de toda a narrativa revi-me em muitas situações que desejava  alterar e não consegui.

Joan Anderson ao invés de se divorciar, decidiu dar um tempo a si própria, tirar uma espécie de licença sabática em relação ao casamento e ao seu papel de mãe sempre disponível e dar um tempo a si própria, já que tudo parecia estagnado, deixando de ter objectivos.

Quando o marido recebe uma excelente proposta de trabalho num outro estado, ela recusa-se a acompanhá-lo e isola-se na casa de praia em Cape Cod.

À beira mar, Joan procura um novo rumo para si e para a sua família e ao longo de um ano descobre que a vida está cheia de novas possibilidades.

Apesar das dificuldades porque passou, recuperou a alegria de viver e a esperança num futuro melhor.

Esta leitura não é um romance, mas sim uma história de vida que nos convida a reflectir sobre aspectos que muitas vezes são esquecidos, fazendo com que nos anulemos e vivamos em função dos outros.

Aprende-se sobretudo a nunca descurar as nossas necessidades pessoais.

Actualmente Joan vive com o seu marido em Cape Cod, onde organiza workshops e é oradora frequente em palestras que versam os problemas das mulheres e o papel dos media nas nossas vidas.

Na contracapa do livro deixa-nos algumas perguntas para reflexão:

 

Todas as mulheres deveriam estar sozinhas durante dois dias por ano, e fazerem disso uma prioridade?

Enfrentarão as mulheres o perigo de perderem o rasto dos seus "eus " mais recônditos?

Acha que as expectativas do passado encaixam na sua vida actual?

 

Este é um livro dedicado às mulheres, mas que a meu ver também os homens deveriam ler, para que pudessem entender comportamentos, emoções, sentimentos, dúvidas que nos assaltam e que poderão colocar em perigo uma relação.

publicado por Existe um Olhar às 19:00 link do post
27 de Março de 2011

A menina que nunca chorava

 

 

 

"Querida Mãe,

 

Quero viver contigo, Estou farta de viver com o Pai. Não é que tenha acontecido alguma coisa ruim, porque há muito tempo que nada de ruim acontece ,só que fico farta dos seus modos. De me preocupar com ele, de me preocupar com a bebida e de me preocupar com as drogas e de me preocupar com o que vai acontecer com o nosso dinheiro e de me preocupar se se vai meter de novo em sarilhos e de me preocupar com o que me vai acontecer. Quero viver contigo..... "

 

Quando terminei de ler A Criança que não queria falar fiquei com vontade de saber o que aconteceu com aquela criança. Era uma histórica verídica de uma menina de 6 anos, uma mente brilhante que estava no inicio da vida, a história não poderia terminar ali. Efectivamente a historia não termina ali e a continuação está em a Menina que nunca chorava.

 

Entre as estadas do pai na prisão e nas clínicas de reabilitação, Sheila vai crescendo entregue ao estado, entre centros de acolhimento e famílias temporárias, é apesar de tudo uma criança normal que consegue dar a volta e seguir enfrente, sempre.

 

Aos 13 anos volta a reencontrar Torey, por estranho que pareça, pouco se lembra de aquela turma que viria a mudar a vida dela, lembra-se da professora mas de pouco mais. Ambas vão reencontrando aquele passado e lutando com os fantasmas que perseguem Sheila.

 

Sheila é uma adolescente que se converte num adulto precoce, cresceu sozinha e solitária sem conhecer o amor dos que a rodeiam e a sonhar com encontrar a mãe, tem uma visão do mundo muito própria e por vezes irrealista.

 

O livro tem partes chocantes, porque nos mostra alguns pormenores da cultura americana que para nós são impensáveis, a forma como vêem a adopção e o acolhimento de crianças de um modo que achei completamente leviano, o modo com tratam os problemas das crianças e adolescentes, etc. Por outro lado, mostra-nos a forma como os fantasmas do passado perseguem as crianças que foram abandonadas, Sheila nunca desiste de tentar encontrar a mãe, sonha com ela e com o momento em que se irão encontrar.

 

"Querida mãe,

A vida está a ser boa para mim. Tenho um grande emprego e o meu próprio apartamento e um cão chamado Mike. Desculpa, já não penso muito em ti. Quero faze-lo, mas não tenho tempo. É pena que nunca me tenhas conhecido. Penso que terias gostado de mim.

 

Com amor Sheila"

 

Sinopse:

 

Torey Hayden publicou A Criança Que Não Queria Falar, em 1980, relatando o caso verídico e comovente da sua relação com uma menina de seis anos que aparecera, gravemente perturbada, na sua aula de ensino especial. Ao longo de vários meses, a jovem professora lutou para fazê-la desabrochar sob o calor generoso da sua espantosa intuição e amor e levá-la a descobrir um mundo que podia ser luminoso.


Separadas pelas contingências da vida, só voltam a encontrar-se anos mais tarde quando Sheila já tem 13 anos. Para surpresa de Torey, a adolescente parece ter perdido uma grande parte das memórias dos primeiros tempos que passaram juntas e, à medida que elas ressurgem do passado com os sentimentos que lhes estão associados, a sua competência de terapeuta e a sua devoção vão de novo ser duramente postas à prova.

 

Jorge Soares

 

Post do O que é o jantar

publicado por Jorge Soares às 16:06 link do post
01 de Janeiro de 2011

José Saramago, Caim

 

A Distancia não permitia a Caim perceber a violência do furacão soprado pela boca do senhor nem o estrondo dos muros desabando uns após outros, os pilares, as arcadas, as abóbadas, os contrafortes, por isso a torre parecia desmoronar-se em silêncio, como um castelo de cartas, até que tudo acabou numa enorme nuvem de poeira que subia para o céu e não deixava ver o sol. Muitos anos depois se dirá que caiu ali um meteorito, um corpo celeste dos muitos que vagueiam pelo espaço, mas não é verdade, foi a torre de babel, que o orgulho do senhor não consentiu que terminássemos. A História dos homens é a história dos seus desentendimentos com deus, nem ele nos entende a nós, nem nós o entendemos a ele.

 

José Saramago em Caim.

 

À falta de melhor, hoje na RTP as noticias sobre o Haiti durante longos minutos versaram o religioso, primeiro a missa ao lado do que resta da catedral, depois a visita a um sacerdote Vudú, uma festa evangélica com muita gente e de novo as pessoas na Catedral...  O José Rodrigues dos Santos ficou de certeza com tema para mais um ou dois dos seus livros.

 

Estava a ouvir as pessoas e não pude deixar de dar por mim a pensar em Saramago e no Caim que estou a ler, e não pude deixar de me lembrar de algumas passagens que já li. Quando escrevi o primeiro post sobre a tragédia que assolou este país que há muito tinha sido esquecido pelo mundo, houve uma frase que decidi retirar mesmo antes de carregar em Publicar, a frase dizia:

 

-Se duvidas houvesse, está visto que deus não existe!

 

Retirei a frase porque na verdade a mim não me restam dúvidas e era de ajuda que queria falar naquele dia.

 

A verdade é que se juntarmos a tragédia às palavras sobre deus que ouvi hoje na reportagem, tudo isto podia ser mais um capitulo do livro de Saramago, com José Rodrigues dos Santos no papel de Caim. Porque o livro é assim, um conjunto de reportagens  sobre os principais capítulos da bíblia, sobre deus, o homem e a relação entre ambos, uma relação feita de provas, desafios, prémios e castigos....   nada que não tivéssemos visto todos na bíblia,  mas raramente com olhos de ver.

 

Este é um livro bem escrito, eu não sou grande fã da escrita do Saramago, mas reconheço que este é um excelente livro.

 

Quanto à  história, ou às várias historias, a mim que sou ateu não me dizem muito, há muito que olho para a bíblia como um enorme guião para filmes de Hollywood, para quem acredita, talvez deveria ser um livro a ler com alguma atenção, há sempre outras formas de interpretar o livro que para muitos é sagrado.... esta é tão ou mais válida que outra qualquer.

 

Em suma, um bom livro, que a mim por vezes me fez sorrir pela clareza das conclusões, um livro que polémicas à parte, vale cada cêntimo que pagamos por ele.

 

Jorge Soares

 

Post do Blog: O que é o Jantar

publicado por Jorge Soares às 22:47 link do post
25 de Novembro de 2010

 

 

 

Amanhã, 26 de Novembro, pelas 19 horas, será feita a apresentação do livro Meninos do Mundo – Adopção Internacional. A sessão de lançamento terá lugar no Hotel Roma (Sala Roma), em Lisboa, e contará com a presença do Dr. Carlos Jesus, que irá fazer a apresentação da obra, e do Dr. Laborinho Lúcio, autor do prefácio. Estarão, igualmente, presentes a Dra. Fernanda Salvaterra, a Dra. Mariana Negrão, ambas psicólogas, e a Dra. Sandra Cunha, socióloga, que colaboraram na obra com textos em que reflectem a sua experiência na área da adopção. 

Espera-se, ainda, a presença de muitos dos que, com o seu testemunho, colaboraram com a Associação Meninos do Mundo para que o livro que agora se lança contemple as várias vertentes da realidade da adopção: adopção nacional e internacional, adopção por casal e adopção singular, a visão de quem foi adoptado, entre outras.

 

 

O livro é composto por um conjunto de textos escritos por pessoas que passaram pela adoção internacional com explicações de todos os processos vividos em países como Cabo Verde, Rússia, S.Tomé e Príncipe, Moçambique, Brasil, Índia, Bulgária, Lituânia, Tailândia e Macau e por depoimentos de crianças que dão assim a voz de quem um dia foi adotado.

 

A Associação Meninos do Mundo é uma organização não-governamental que tem como objetivos promover o conhecimento da adopção internacional em Portugal e no estrangeiro e desenvolver actividades de consciencialização da sociedade civil em relação à adoção internacional no país.

 

Quem estiver interessado pode encomendar o livro e assim contribuir para a associação e a causa da adopção internacional, basta enviar um email para: meninosdomundo@gmail.com

 

 

Porque uma criança é uma criança em qualquer parte do mundo!

 

Jorge Soares

publicado por Jorge Soares às 21:50 link do post
08 de Novembro de 2010

o fim da inocência - Francisco Salgueiro

"Hoje em dia os pais têm pouca ideia daquilo que realmente se passa com o filhos.

 

Julgam que as suas adolescências são iguais às que tiveram e deixam-nos à solta. Acontece que a realidade actual é muitíssimo diferente daquilo que oiço dizer que era nos anos setenta, oitenta e noventa.

 

É uma realidade em que o sexo e as drogas fazem parte do dia-a-dia"

 

É assim que começa este livro, uma nota escrita pela Inês e que funciona quase como que um aviso para o que nos espera nas páginas seguintes. Diz o autor que o livro é baseado em histórias reais contadas pela Inês, confesso que tenho sérias dúvidas, não é que todas estas coisas não possam acontecer com os nossos filhos, os filhos da vizinha, os de um colega de trabalho, alguém que conhecemos, eu tenho é sérias dúvidas que todas estas coisas possam acontecer com uma só pessoa.

 

No livro podemos encontrar todos os males da nossa sociedade, da simples utilização do telemóvel para partilha de coisas pouco inocentes, até à utilização do Facebook para fins mais ou menos morais.  Pelo meio passamos por tudo, absolutamente tudo, os perigos das salas de chat e do messenger, a droga na noite, a droga nos festivais de verão, etc, etc, etc.

 

A vida da Inês é quase um clichê da sociedade actual, filha da classe média alta, com pais separados, estuda num dos melhores colégios onde todos os seus colegas são copias quase idênticas dela. Crianças mimadas e com acesso a tudo ou quase tudo o que desejam.  Sem muitas preocupações monetárias e até escolares, vivem de acordo com o que está na moda, sendo que a moda pode passar por exemplo por  ir à internet ver fotografias e vídeos pornográficos. Com pais distantes ou que simplesmente não querem ver, vivem as suas próprias vidas desde muito cedo, não fazem escolhas, simplesmente deixam-se levar pela vida ao sabor do que está na moda, e não importa se é licito ou ilícito, caro ou barato, simples ou complicado.. mais que viver, o que importa é mostrar que se viveu.

 

O livro é um relato fiel de muitas coisas, coisas que no fim explicam a forma como nós como pais estamos a deixar que os nossos filhos se destruam. Tudo o que possam imaginar.. também muitas coisas que nunca imaginamos, está ali relatado, de uma forma dura e crua e em primeira pessoa

 

Independentemente de que toda a historia tenha saído da imaginação da Inês, da do Francisco Salgueiro, ou seja mesmo real, a verdade é que tudo o que está ali relatado existe mesmo, e a maioria de nós terá ouvido falar de tudo ou de quase tudo. É precisamente isso que me deixa na dúvida.. dificilmente alguém conseguiria passar por tantas coisas na vida .. e muito menos se no fim do livro a protagonista nem 18 anos fez.

 

Tirando o detalhe das cenas realmente chocantes, é um livro muito bem escrito, um livro que nos deveria deixar a pensar sobre a forma como estamos a educar os nossos filhos, sobre as muitas coisas que lhes damos todos os dias e sobretudo as que não lhes damos, atenção, formação e informação sobre o mundo real que existe lá fora.

 

"Se estiver a ler estas linhas e disser: Com o meu filho isso não acontece, porque é bom aluno e não o educo para se meter nessas coisas, talvez não seja má ideia ler o livro até ao fim.  Eu também era boa aluna e os meus pais não me educaram para me meter nessas coisas.

 

Sinopse:

Aos olhos do mundo, Inês é a menina perfeita. Frequenta um dos melhores colégios nos arredores de Lisboa e relaciona-se com filhos de embaixadores e presidentes de grandes empresas. Por detrás das aparências, a realidade é outra, e bem distinta. Inês e os seus amigos são consumidores regulares de drogas, participam em arriscados jogos sexuais e utilizam desregradamente a internet, transformando as suas vidas numa espiral marcada pelo descontrolo físico e emocional. Francisco Salgueiro dá voz à história real e chocante de uma adolescente portuguesa, contada na primeira pessoa. Um aviso para os pais estarem mais atentos ao que se passa nas suas casas

 

Jorge Soares

 

publicado por Jorge Soares às 21:46 link do post
20 de Outubro de 2010

A Lâmpada de Aladino, Luís Sepúlveda

 

 

"Há mulheres cuja companhia convida ao silêncio, porque sabem partilhá-lo,  e não há nada  mais difícil nem mais generoso"

Luis Sepúlveda in Café Miramar

 

Eu gosto de contos, gosto de livros de contos e este livro agarrou-me logo na primeira página, o primeiro conto chama-se Café Mirarmar e é simplesmente fantástico. Tal como o são a maioria dos outros 13 que compõem o livro.

 

Luís Sepúlveda é um escritor Chileno com um imenso talento, tem uma escrita fluída e que nos transporta para dentro do livro, neste caso transporta-nos pelo mundo. Com cada conto viajamos , de Alexandria  à Colômbia, de ali a Santiago do Chile e de ali a Ipanema, e a Hamburgo e de novo à selva Amazónica e de ali à Patagónia. Para além de viajarmos no espaço fisico, viajamos pelo tempo.. e com cada novo conto, com cada nova personagem, descobrimos um novo e diferente mundo cheio de cor, de significado social e até de magia.

 

É um livro que mais que ler, devora-se, eu li-o quase de um fôlego numa tarde de verão  sentado numa esplanada com vista para a serra da Arrábida, um livro fantástico, cheio de vida e de pequenas grandes coisas.

 

Sinopse

 

A Lâmpada de Aladino constitui o esperado regresso de Luis Sepúlveda ao território da ficção. Ao longo das histórias que compõem este livro reencontramo-nos com esse território de sentimentos que fizeram do autor um dos nomes mais apreciados da literatura da América Latina.

Enquanto os nomearmos e contarmos as suas histórias, os nossos mortos nunca morrem, diz a certa altura um personagem. Foi precisamente para resgatar do esquecimento momentos, lugares e existências irrepetíveis que Luis Sepúlveda escreveu A Lâmpada de Aladino, uma lâmpada de onde surgem, como por arte de magia, treze contos magistrais.

A Alexandria de Kavafis, o Carnaval em Ipanema, uma cidade de Hamburgo fria e chuvosa, a Patagónia, Santiago do Chile nos anos sessenta, a recôndita fronteira do Peru, Colômbia e Brasil, são alguns dos cenários deste livro. Nas suas histórias, cada uma delas um romance em miniatura, Luis Sepúlveda dá vida a personagens inesquecíveis, prendendo o leitor da primeira à última página.

 

Não deixem de ler.

 

Post do O que é o Jantar?

 

Jorge Soares

 

publicado por Jorge Soares às 22:02 link do post
26 de Setembro de 2010

A escolha da Dra Cole

 

 

Depois de ler O FísicoXamã, foi com alguma ansiedade que tentei encontrar este terceiro livro da trilogia em que é narrada a história de uma família  de médicos, os Cole, desde a idade média até à actualidade.

 

Se os dois primeiros eram excelentes relatos históricos, este ultimo é um relato por vezes pungente da sociedade rural americana e da forma como na actualidade é praticada a medicina nos Estados Unidos.

 

Roberta Cole quebrou uma tradição mantida pela família desde a Idade Média. O primeiro filho era homem e depois tornava-se médico, Roberta além de ser mulher, decidiu que o seu caminho não seria a medicina e sim o Direito.

 

Ela herdara um dom e tal como alguns dos seus antepassados Coles, era capaz de pressentir a morte de uma pessoa ao pegar-lhe nas mãos, um dia, pressentiu a morte do seu marido. Nesse dia ela soube que o seu destino era o mesmo de muitos dos seus antepassados, a Medicina.

 

Era já uma das médicas mais respeitadas do Lemuei Grace Hospital, de Boston, quando, pela primeira vez se viu confrontada com os desafios da competição profissional do mundo moderno. A sua recusa em aceitar algumas das  regras impostas pelo cargo que ocupava fê-la perder a chefia de um importante departamento do hospital. Desiludida decide mudar de vida e vai trabalhar para uma pequena cidade rural no interior de Massachusetts e é aí que começa a sua verdadeira saga.

 

Os livros da trilogia de Noah GordonNa versão que eu tenho, que é  de 1998, o livro ainda se chamava Opções, agora chama-se As escolhas da Dra Cole. qualquer dos nomes se adequa perfeitamente, porque é das opções e de escolhas que é feita a nossa vida. As escolhas da Dra Cole levam-nos a percorrer os diversos caminhos da Vida, O Amor, o Aborto e a sua prática, o sistema de saúde americano, a vida nas pequenas cidades americanas, tudo no livro é uma fonte de descobertas....

 

Fiquei fan deste autor, que sem dúvida nenhuma escreve muito bem e com enorme rigor histórico e cientifico.

 

Se puderem, leiam, os 3 livros.

 

Post do O que é o Jantar?

 

Jorge Soares

publicado por Jorge Soares às 23:54 link do post
13 de Setembro de 2010

2666, Bolaño

 

Ler é quase uma tarefa obrigatória durante as férias, costumo ir carregado com um ou dois livros e muitas vezes regresso com mais um ou dois que entretanto fui comprando. Este ano fui mesmo carregado e só com um.... mas não é um livro qualquer, é sem duvida o livro com mais páginas que já li... para cima de 1200.

 

Eu que adoro a literatura latino-americana, nunca tinha ouvido falar de Bolaño,  escritor chileno que morreu em 2003, este terá sido o seu ultimo  manuscrito e que segundo o prólogo, não estaria concluído à data da sua morte. A história do livro é algo estranha, o escritor descobriu que tinha cancro e que lhe restava pouco tempo de vida quando a escrita estava a meio. Na altura terá decidido que como forma de garantir uma maior rentabilidade para os seus herdeiros, em lugar de um, seriam 5 os livros a retirar do manuscrito e terá manifestado esse desejos ao seu editor. Desejo que terminaria por não ser levado em consideração.. quanto a mim, o resultado de tudo isto foi nefasto...

 

Converter um livro em cinco, levou a que fosse necessário muito acrescento, dezenas, talvez centenas, de páginas que não estariam ali se não fossem para simplesmente encher. Um exemplo: mais ou menos a meio do livro e na sequência de páginas e páginas em que se vão descrevendo os cadáveres de mulheres que são encontradas mortas, a forma como foram encontradas, a causa da morte, a chegada dos policias, etc, gastam-se meia dúzia de páginas a descrever  como os 3 médicos forenses da cidade se encontram todos os dias para tomar o pequeno almoço. A cena aparece do nada, as personagens só aparecem ali, é descrita a forma como tomam o pequeno almoço juntos e não voltam a aparecer em todo o livro, nem há absolutamente nada que se possa retirar disso e que interesse para o desenrolar da historia.

 

De facto o livro está dividido em 5 partes distintas em que a historia se desenvolve e é contada desde o ponto de vista de personagens diferentes, à primeira vista é difícil encontrar o fio condutor, no fim descobrimos que esse fio existe, ainda que a historia não nos leve a lado nenhum e terminemos o livro a saber o mesmo que sabíamos no inicio, muito pouco.. ou mesmo nada.

 

A mim custou-me a entrar na leitura, se calhar não teria escolhido aquela primeira parte para inicio do livro, imagino que a maioria das pessoas terá imensas dificuldades em passar das primeiras páginas e quando temos dificuldade a entrar num livro que tem mais de 1200 páginas....

 

Em suma, nem sempre um livro bem escrito é um bom livro, há partes em que até parece que nos agarramos à leitura, mas há outras partes, muitas partes, em que simplesmente não entendemos para que estão ali e o seu interesse para a historia. Depois há aquela parte em que passamos centenas de páginas a ler a descrição de cadáveres de uma forma mais ou menos crua, qualquer um de nós poderia pegar naquilo tudo e estabelecer um padrão.... ou vários padrões... imagino que seria essa ideia original do escritor.... terá falecido antes de finalizar esta parte do manuscrito?

 

Este foi um livro que causou algum burburinho na blogosfera, depois de o ler, a questão que me coloco é quantas das pessoas que falam dele o terão realmente lido?

 

Em suma, para além de não ter encontrado a lógica do nome, e eu juro que li até à ultima página, não gostei do livro e não consegui ficar com uma ideia sobre o autor.

 

Post publicado no O que é o Jantar?

 

Jorge Soares

publicado por Jorge Soares às 14:08 link do post
31 de Agosto de 2010

DE: WILLIAM P. YONG

 

Em primeiro lugar, estou muito feliz em estar aqui, com vocês, partilhando nossas leituras, e nos conhecendo melhor!...Meu nome é Bete, sou brasileira,  e  também tenho  blog no Sapo, aliás três, que são a minha paixão!... Através deles conheci pessoas muito queridas que hoje fazem parte de meu cotidiano, como se as tivesse aqui pertinho!

Um abraço a todos

 

 

E Deus falou à Mackenzie:

 

"Você deve desistir de seu direito de decidir o que é bom e ruim, e escolher viver apenas EM MIM.É um comprimido difícil de engolir.

Para isso você deve me conhecer bastante, a ponto de CONFIAR EM MIM e aprender a se entregar à MINHA BONDADE inerente. O mal é uma palavra que usamos para descrever a ausencia de Deus, assim como usamos a palavra escuridão para descrever a ausencia de luz, ou a morte para descrever a ausencia de vida.Tanto o mal, quanto a escuridão só podem ser entendidos em relação à luz e ao bem.Eles não tem existencia real. EU SOU A LUZ E O BEM.SOU AMOR E NÃO HÁ ESCURIDÃO EM MIM. A Luz e o Bem existem realmente. Assim, afastar-se  de mim irá mergulhar você na escuridão.

Declarar Independência resultará no mal, porque, separado de mim,você só pode contar consigo mesmo. Isso é morte porque você separou de mim que sou a VIDA."

 

 

 

Nunca ninguem nos falou com tanta clareza, como neste livro, "O QUE" DEUS espera de nós, e "COMO" podemos ESTAR NELE!

 

 

 

publicado por Bete do Intercambiando às 20:43 link do post
30 de Agosto de 2010

Xamã, Noah Gordon

 

 

 

Robert J. Cole é um médico escocês que é descendente directo de uma linhagem de médicos que se iniciou na idade media, motivos políticos levam a que o jovem médico se veja de um momento para o outro numa longa viagem até à América do inicio do século XVIII. Depois de tomar contacto com o mundo infame em que vivem os emigrantes Europeus no jovem país, o Dr. Cole decide levar os seus conhecimentos às novas fronteiras que estavam a ser desbravadas.

 

Robert Jefferson Cole é o filho mais novo do Dr. Cole, depois de uma doença e ainda criança Robert fica surdo, no livro é retratada a forma como a família enfrenta a surdez da criança e a luta pela vida que o jovem trava até conseguir ser um brilhante estudante de medicina e um ainda mais brilhante médico. Pelo caminho ele está ao cuidado de uma mulher nativa americana, uma Xamã de uma das tribos que habita as pradarias onde o Dr. Cole se instala, que se encarrega de transmitir ao Jovem Cole alguns conhecimentos ancestrais que em mais de uma ocasião lhe vão salvar a vida.

Este livro conta a historia do Dr. Cole e da sua família na América da conquista, a forma como se implantou a civilização numa América virgem e selvagem, a forma como as terras foram sendo conquistadas aos nativos, é também tratada a guerra civil, os seus motivos e a forma como por vezes membros da mesma família se tornam em inimigos.

 

Este é o segundo livro de uma trilogia de este autor, em que o Primeiro foi O Físico, e o Terceiro é um livro que estou a ler e que na edição que eu tenho se chama Opções mas que aparentemente mudou o nome para as escolhas da Dr.. Cole.

 

É  sem duvida um excelente romance histórico que trás até nós páginas da história americana narradas de uma forma sublime.

 

Sipnose:

Xamã", ficção histórica, é o segundo volume da trilogia de Noah Gordon sobre a história da medicina. Abrange o período de 1839 a 1865, quando a anestesia ainda é novidade na prática médica. A trilogia começa com "O Físico", no século 11, e termina no século 20 com "A Escolha da Dr.ª Cole". Seus protagonistas pertencem a uma família de médicos que dá ao primogênito o nome de Robert e um segundo nome iniciado por J. Na Escócia de 1839, o assistente do cirurgião William Fergusson, Robert Judson, do Hospital da Universidade de Edimburgo, é obrigado a imigrar por ter escrito um panfleto contra a coroa inglesa. Começa a clinicar em Boston, mas se desilude com o trabalho filantrópico e compra terras em Illinois, onde aprende segredos com Makwa-ikwa, uma curandeira índia. Casa-se e tem um filho, Xamã, surdo e dono de um sexto sentido para diagnósticos. Pai e filho tratam feridos durante a Guerra de Secessão.

 

Post Publicado inicialmente no blog: O que é o jantar

 

Jorge Soares

publicado por Jorge Soares às 11:26 link do post
13 de Julho de 2010

 

 

O Físico, Noah Gordon

 

Encontrei este autor por acaso, um dia de chuvas de verão no norte de Espanha, numa visita a um centro comercial o nome e a capa de um livro chamaram a minha atenção, desde então já li uns 5 ou 6. Todos são romances históricos que tratam da vida dos Judeus, da história da medicina, ou de ambas. Todos são livros fantásticos que nos prendem a atenção do principio ao fim.

 

Este O Físico faz parte de uma trilogia que nos fala da história da Medicina, os outros são O XamãOpções, livros que nos falam da dinastia Cole, desde a idade média na Inglaterra até à medicina moderna e os seus dilemas na moderna cultura americana.

 

Rob J cole é uma criança que em pouco tempo se vê sozinho no mundo depois da morte da mãe, do pai e da separação dos seus irmãos. Num golpe de sorte é acolhido como aprendiz por um barbeiro  curandeiro que ao mesmo tempo que o leva por toda a Inglaterra medieval, o vai iniciando nas artes da cura. Rapidamente Rob descobre que tem um dom e que se quer realmente curar as pessoas, deverá aprender muito mais. Este desejo leva-o até ao oriente onde na altura estavam os grandes mestres da medicina. Sempre protegido pela sorte que abençoa os audazes, Rob consegue tornar-se no melhor dos alunos e com o tempo, no melhor dos médicos.

 

Pelo meio vamos tendo uma visão da vida na idade média na Europa e na Ásia, a religião, os conflitos, a guerra e o amor.

 

Tinha lido o livro há uns 7 ou 8 anos e foi com um enorme prazer que o reencontrei.. um livro que mais que ler, devorei.

 

Jorge Soares

PS:post publicado incialmente no O que é o Jantar

publicado por Jorge Soares às 23:38 link do post
14 de Junho de 2010

O priorado do Cifrão

 

João Aguiar foi o primeiro escritor Português que encontrei, desde bastante novo que sou um ávido leitor, mas tinha lido sobretudo escritores latino-americanos Garcia Marquez, Vargas Llosa, Isabel Allende, Romulo Gallegos. Sou um admirador confesso do Realismo Mágico e dos escritores latino-americanos e até chegar a Portugal, para além de algumas referências a Ferreira de Castro, pouco sabia da literatura Portuguesa.

 

Comecei por ler O Homem sem nome e depois fui lendo cada um dos livros do João Aguiar à medida que iam saindo... até ao A Catedral Verde, de que não gostei especialmente. Depois perdi-lhe o rasto, até que o meu irmão me ofereceu este  o Priorado do Cifrão de prenda de natal.

 

Como tudo o que escreve o João Aguiar, este é um livro bem escrito e que se lê facilmente... mas, nem sempre um livro bem escrito é um bom livro. Confesso, fiquei desiludido, talvez porque eu esperasse mais, talvez porque pelo meio li um excelente livro, talvez por ambas as coisas, o certo é que fiquei desiludido.

 

O livro pretende ser uma sátira ao Código Da Vinci e a todos os livros que aproveitaram o filão daquele tipo de escrita, é uma historia com pormenores muito rebuscados, uma historia com principio meio e fim , mas que termina por não ser nem carne nem peixe, fica a meio entre o romance, o policial e a sátira.

 

Talvez seja uma boa leitura para férias, um livro bem escrito, sem duvida, mas que a mim me deixou um vazio.... falta a arte do João Aguiar.

 

João Aguiar Morreu a semana passada, apesar de do meu ponto de vista este ter sido um livro falhado, não deixa de ser o meu escritor português preferido, morreu um grande escritor, as letras portuguesas ficaram muito mais pobres

 

Jorge Soares

PS:Post Publicado inicialmente no O que é o jantar

publicado por Jorge Soares às 16:09 link do post
16 de Abril de 2010


O velho que lia romances de amor - Luís Sepúlveda

 

 

Algures na Selva amazónica onde só os barcos chegam, vive António José Bolivar, um homem idoso que aprendeu a viver na selva com os indios Shuar. Depois de viver quarenta anos na selva longe do mundo onde nasceu e cresceu, os livros são o seu bálsamo que lhe permite enfrentar a dura realidade do mundo que o rodeia.

 

É em torno do velho José, da pobre aldeia perdida na selva em que vive e dos seus habitantes, que se desenrola a historia. Um dia o rio traz um cadáver de um gringo, rapidamente há quem tente culpar os índios da sua morte, mas o Velho António José sabe que não foram os índios e sabe também que haverá mais mortes, porque um animal acossado e no seu ambiente natural é um inimigo terrível.

 

Este é o mais conhecido dos livros do autor chileno Luis Sepúlveda, O velho que lia romances de amor foi  dedicado a Chico Mendes, morto numa emboscada por defender a floresta e os direitos das tribos amazónicas.

 

A grande floresta amazónica, um dos locais do mundo onde sobrevivem espécies raríssimas de fauna e flora é o verdadeiro protagonista do romance, cuja mensagem é transmitida pelos olhos de António José Bolívar, o velho eremita que vive na floresta e que lê romances de amor.

 

Este é um excelente livro de um autor que tem um enorme sucesso no nosso país, ao melhor estilo do Realismo Mágico, a escrita descritiva leva-nos até ao interior da selva e à alma das personagens, quase que conseguimos sentir o calor húmido e os cheiros intensos que caracterizam a selva.

 

Sinopse

 

Sinopse: "Antonio José Bolívar Proaño vive em El Idilio, um lugar remoto na região amazónica dos índios shuar, com quem aprendeu a conhecer a selva e as suas leis, a respeitar os animais que a povoam, mas também a caçar e descobrir os trilhos mais indecifráveis. Um certo dia resolve começar a ler, com paixão, os romances de amor que, duas vezes por ano, lhe leva o dentista Rubicundo Loachamín, para ocupar as solitárias noites equatoriais da sua velhice anunciada. Com eles, procura alhear-se da fanfarronice estúpida desses gringos e garimpeiros que julgam dominar a selva porque chegam armados até aos dentes, mas que não sabem enfrentar uma fera a quem mataram as crias. Descrito numa linguagem cristalina e enxuta, as aventuras e emoções do velho Bolívar Proaño há muito conquistaram o coração de milhões de leitores em todo o mundo, transformando o romance de Luis Sepúlveda num "clássico" da literatura latino-americana."

 

Post publicado no O que é o jantar?

 

Jorge Soares

 

 

publicado por Jorge Soares às 10:40 link do post
10 de Março de 2010

A ilha debaixo do mar - Isabel Allende

 

«Todos temos dentro de nós uma insuspeita reserva de força que emerge quando a vida nos põe à prova.»

                           Isabel Allende, A Ilha Debaixo do Mar

 

Comprei este livro no inicio do ano, ainda antes do terramoto,  como já estava a ler 3, este ficou guardado, depois foi o terramoto e o Haiti entrou de um momento para o outro no nosso vocabulário do dia a dia de uma forma brutal e avassaladora.

 

Levo sempre um livro quando vou de viagem, foi este o que escolhi para levar para Cabo Verde... em boa hora, porque passei uma semana de enorme tensão e o livro funcionou como um escape.

 

Sou fã da Isabel Allende, acho que li tudo o que ela escreveu e cada um dos seus livros é uma nova descoberta, adoro a forma como nos envolve nas historias e no ambiente do livro.

 

Este não é um livro sobre o Haiti, é um livro sobre o povo do Haiti, mais que um romance é um livro de historia, que nos descreve o auge e a queda da mais rica das colónias francesas e a forma como de uma enorme mistura de culturas  se  tece o passado e o futuro de um povo.

 

O livro descreve a vida nas plantações de cana de Açúcar, o ouro branco das Antilhas,  a forma como eram  tratados os escravos, a forma como conseguem preservar algumas das suas tradições que darão origem ao Vudu que sobrevive até aos dias de hoje, a forma como das suas fraquezas fazem força e com elas enfrentam todo o poderio de uma nação europeia até a vergarem.

 

Como já disse noutro post, o Haiti foi a primeira nação a obter a sua independência na América latina, uma independência conseguida à custa de muito sangue, de muita vingança, de muita destruição que deixou marcas até ao dia de hoje... tudo isso é mostrado no enredo do livro através das vidas das personagens e da forma como vivem e morrem num meio que antes de mais, é sempre hostil e selvagem.

 

Em Suma, um excelente livro que está  à altura de todos os outros desta autora.

 

Sinopse:

 

Para quem era uma escrava na Saint-Domingue dos finais do século XVIII, Zarité tinha tido uma boa estrela: aos nove anos foi vendida a Toulouse Valmorain, um rico fazendeiro, mas não conheceu nem o esgotamento das plantações de cana, nem a asfixia e o sofrimento dos moinhos, porque foi sempre uma escrava doméstica. A sua bondade natural, força de espírito e noção de honra permitiram-lhe partilhar os segredos e a espiritualidade que ajudavam os seus, os escravos, a sobreviver, e a conhecer as misérias dos amos, os brancos. Zarité converteu-se no centro de um microcosmos que era um reflexo do mundo da colónia: o amo Valmorain, a sua frágil esposa espanhola e o seu sensível filho Maurice, o sábio Parmentier, o militar Relais e a cortesã mulata Violette, Tante Rose, a curandeira, Gambo, o galante escravo rebelde… e outras personagens de uma cruel conflagração que acabaria por arrasar a sua terra e atirá-los para longe dela. Quando foi levada pelo seu amo para Nova Orleães, Zarité iniciou uma nova etapa onde alcançaria a sua maior aspiração: a liberdade. Para lá da dor e do amor, da submissão e da independência, dos seus desejos e os que lhe tinham imposto ao longo da sua vida, Zarité podia contemplá-la com serenidade e concluir que tinha tido uma boa estrela.

 

Post Publicado no  O que é o Jantar?

 

Jorge Soares

publicado por Jorge Soares às 21:12 link do post
18 de Fevereiro de 2010

Em Busca da Felicidade, dez histórias

 

Uma das minhas paixões é a leitura. Aproveito todos os tempos livres para ler um bocadinho. Ultimamente tem havido alturas em que devoro livros mas noutras ocasiões há livros que devem digeridos. Não sei se já repararam mas o livro de cabeceira ainda é o mesmo há vários dias. Um dos motivos é que, na semana passada, andei adoentada e não nem tinha vontade para pegar no livro. Para além disso, este livro reúne dez histórias, não é um romance logo lê-se mais devagar. Uma história tem que ser "mastigada" e "digerida" até se passar para a seguinte. Comprei-o num dia muito pouco feliz mas o título chamou-me a atenção. Não gostei de todas as histórias da mesma maneira, Uma das que gostei mais foi "A felicidade deles" de  Patrícia Reis. A história começa por retratar o céu como uma sala com vários operadores que vão controlando a vida dos "outros" através de computadores. Deus segue a vida de algumas pessoas, em especial. Uma dessas pessoas é a jovem Teresa cuja única ambição é ser feliz e ensinar a sua mãe a ser feliz depois de anos de infelicidade...

"Deus sentiu um aperto no peito. A menina-mulher disse

Estamos sempre sós, mãe. Sempre. Mas estamos sempre juntas, não é? E agora vamos ser felizes.

E o que é ser feliz?

Vamos fazer uma lista. Ser feliz é o arroz-doce que vamos comer ao jantar. Ser feliz é o conjunto de lençóis brancos que vais estrear hoje na tua cama de solteira. Seres feliz é saberes que estás aqui.

Onde é que tu descobriste essas coisas? Essas ideias?

Nos livros. Quando quiseres estar triste e chorar dou-te livros para chorares, Na vida vais ser feliz.

Assim de repente?

Assim de repente."

E está tudo dito...

 

STILETTO

 

Retirado do blog É possivel ser feliz

publicado por Jorge Soares às 22:56 link do post
10 de Fevereiro de 2010

 A Catedral do mar, Idelfonso Falcones

 

Uma das coisas que costumo fazer durante as férias é ler, levo sempre livros, que melhor companhia para quem vai acampar?

 

Desde sempre que as minhas preferências literárias vão para a literatura latino Americana: Isabel AllendeGabriel Garcia MarquezMario Vargas Llosa, etc. Nunca fui muito fan dos escritores espanhois, mas ultimamente tenho vindo a descobrir alguns fantásticos, depois de Carlos Ruiz ZafónIldefonso Falcones e A Catedral do Mar.

 

Li o livro em duas ou três tardes, na sombra do tecto de colmo do Xiringuito junto à praia, alheio ao calor intenso e ao mundo que passava à minha volta, embrenhei-me na vida de Arnau, nos subtis acasos do destino que decidem a sua vida, nos seus amores, na sina de homem livre de Barcelona.

 

Por momentos senti-me a viver naquela cidade de Barcelona, uma cidade e um povo orgulhosos da sua força e liberdade que marcam a diferença num mundo que à sua volta permanecia feudal e atrasado.

 

A Catedral do Mar na sua imponente simplicidade é construída com o esforço e o dinheiro doVitrais, catedral do mar, barcelona povo, ao contrario de todas as restantes igrejas da idade média, que foram construídas por e para complacência de reis e senhores, esta foi construída com o sacrifício do povo, até ao ponto que todas as pedras que a erguem, são transportadas desde a pedreira até à obra às costas pelos carregadores do Porto, os Bastaix, homens duros mas honestos e com princípios rígidos.

 

Todo o enredo do livro vai crescendo à medida que a igreja vai sendo construída, os factos passam-se à sua volta, muitas vezes na sombra das suas obras,

 

É uma historia de amor, de sacrifícios, de acasos do destino, de amores, ódios e traições é também um romance histórico fabuloso, que nos mostra como era a vida nas cidades da idade média, desde os mais pobres até à realeza, os cristãos com a inquisição e o seu ódio aos judeus. 

 

É sem dúvida um dos melhores livros que li nos últimos tempos.....

 

Post Publicado no blog O que é o Jantar? 

 

Jorge Soares

 

 

publicado por Jorge Soares às 14:45 link do post
24 de Janeiro de 2010

 Caim, José Saramago

 

A Distancia não permitia a Caim perceber a violência do furacão soprado pela boca do senhor nem o estrondo dos muros desabando uns após outros, os pilares, as arcadas, as abóbadas, os contrafortes, por isso a torre parecia desmoronar-se em silêncio, como um castelo de cartas, até que tudo acabou numa enorme nuvem de poeira que subia para o céu e não deixava ver o sol. Muitos anos depois se dirá que caiu ali um meteorito, um corpo celeste dos muitos que vagueiam pelo espaço, mas não é verdade, foi a torre de babel, que o orgulho do senhor não consentiu que terminássemos. A História dos homens é a história dos seus desentendimentos com deus, nem ele nos entende a nós, nem nós o entendemos a ele.

 

José Saramago em Caim.

 

À falta de melhor, hoje na RTP as noticias sobre o Haiti durante longos minutos versaram o religioso, primeiro a missa ao lado do que resta da catedral, depois a visita a um sacerdote Vudú, uma festa evangélica com muita gente e de novo as pessoas na Catedral...  O José Rodrigues dos Santos ficou de certeza com tema para mais um ou dois dos seus livros.

 

Estava a ouvir as pessoas e não pude deixar de dar por mim a pensar em Saramago e no Caim que estou a ler, e não pude deixar de me lembrar de algumas passagens que já li. Quando escrevi o primeiro post sobre a tragédia que assolou este país que há muito tinha sido esquecido pelo mundo, houve uma frase que decidi retirar mesmo antes de carregar em Publicar, a frase dizia:

 

-Se duvidas houvesse, está visto que deus não existe!

 

Retirei a frase porque na verdade a mim não me restam dúvidas e era de ajuda que queria falar naquele dia.

 

A verdade é que se juntarmos a tragédia às palavras sobre deus que ouvi hoje na reportagem, tudo isto podia ser mais um capitulo do livro de Saramago, com José Rodrigues dos Santos no papel de Caim. Porque o livro é assim, um conjunto de reportagens  sobre os principais capítulos da bíblia, sobre deus, o homem e a relação entre ambos, uma relação feita de provas, desafios, prémios e castigos....   nada que não tivéssemos visto todos na bíblia,  mas raramente com olhos de ver.

 

Este é um livro bem escrito, eu não sou grande fã da escrita do Saramago, mas reconheço que este é um excelente livro.

 

Quanto à  história, ou às várias historias, a mim que sou ateu não me dizem muito, há muito que olho para a bíblia como um enorme guião para filmes de Hollywood, para quem acredita, talvez deveria ser um livro a ler com alguma atenção, há sempre outras formas de interpretar o livro que para muitos é sagrado.... esta é tão ou mais válida que outra qualquer.

 

Em suma, um bom livro, que a mim por vezes me fez sorrir pela clareza das conclusões, um livro que polémicas à parte, vale cada cêntimo que pagamos por ele.

 

 Jorge Soares

 

Post escrito para o blog :O que é o Jantar?

 

publicado por Jorge Soares às 21:21 link do post
20 de Outubro de 2009

foi o título escolhido por Nuno Lobo Antunes para a sua última obra.

 

Julgando pela sinopse , o livro prometia uma leitura agradável e entusiasmante: "Sinto muito" é sobre o sofrimento em geral, sobre a dor, seguida de perda, seguida de dor. Entristece o coração, mas recompensa-o grandemente, tornando-o mais leve e melhor. 
 

Prometia disse eu, mas a meu ver, ficou-se por um objectivo a atingir. Comecei a ler com alguma curiosidade, mas à medida que os episódios iam passando e o número de páginas lidas aumentava, andava já a correr atrás de uma narrativa empolgante e cativante tal como o fogo consome ferozmente o rastilho, de forma insaciável, até atingir o explosivo. Atingi o auge da leitura  apenas com o relato quase fotográfico de dois casos clínicos. Pelo meio encontrei alguns malabarismos interessantes com as palavras que não me souberam a mais do que à bolachinha a meio da manhã. 

Por isso, sou eu quem diz "Sinto muito"! O livro não vale, para mim, os euros que paguei por ele. Não tenho o coração mais leve, muito menos melhor. Sinto muito, mas vou dispensar os seus serviços, Sr. Dr. NLA !"

 

postado no Miss G e adaptado para o Clube de Leitura

publicado por Miss G às 15:22 link do post
14 de Outubro de 2009

Creio que poucos conhecem uma meia dúzia de livros escritos por Agatha Christie com o pseudónimo de Mary Westmacott .

A grande diferença é serem romances e não livros policiais. Tenho todos e gostei de todos, mas um deles marcou-me imenso e ainda agora, anos depois, me faz pensar.
Chama-se “Ausente na Primavera”, no original Absent in the Spring.
É a história de uma mulher de meia-idade, Joan, que tem toda a sua vida organizada e se sente satisfeita e realizada com o seu casamento, o seu lugar na sociedade, os seus filhos, a sua vida preenchida e respeitável.
Um dia, numa longa viagem e por circunstâncias imprevisíveis, a activa e segura Joan fica isolada no meio de nenhures. Perdida do mundo, confinada a um quarto e ao imenso deserto à sua volta, o tempo parece parado e não há distracções possíveis. Não há ninguém para conversar, não há onde passear naquela vastidão cheia de nada, não há forma de fugir, não há televisão, nem rádio, nem telefone e os seus livros acabaram logo no 2º dia.
O vazio ganha espaço e Joan fica sozinha com os seus pensamentos, que ganham novos contornos, por mais que lute para lhes fugir. Ao longo dos dias, acaba por mergulhar numa profunda introspecção e descobrir tudo o que nunca quis ver. E após enfrentar todos os seus fantasmas resta o dilema de como voltar depois à sua vidinha tão perfeita e tão falsa.
Este livro leva-me sempre a questionar se não é isto que fazemos ao longo da nossa vida tão atarefada, fugir de nós mesmos, fugir da verdade, evitar pensamentos incómodos, preferirmos  estar ausentes até chocar com a realidade...
publicado por cigana às 22:40 link do post
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