Clube de leitura
Porque ler é um prazer que deve ser partilhado
16 de Novembro de 2009

Este foi um dos meus presentes de aniversário, já o li, é uma leitura ligeira que se lé rapidamente pois a história é empolgante, gostei muito e recomendo.

Duas irmãs separadas pela tragédia.
Um reencontro inesperado.
Uma história inesquecível.
 
Após umas idílicas férias de Verão, a família Beecham regressava a casa, de carro, quando um condutor embriagado ditou a sua sorte. Hannah tinha 4 anos e Julie quase 2. Aquela noite deixou-as órfãs. A solidão encaminhou-as para uma tia cruel e sem escrúpulos. O destino encarregou-se de as separar.
Muito anos depois, Hannah está a trabalhar quando ouve uma voz que a abala profunda e incompreensivelmente. Quem é a estranha mulher que grita contra as injustiças do mundo? A verdade atinge-a como um raio: Julie!
Hannah tem uma vida desafogada, um casamento estável e um emprego que a realiza, feitos notáveis para quem conviveu de perto com o inferno. Mas o mesmo não se pode dizer de Julie, cuja natureza explosiva se virou contra si própria. Ela precisa desesperadamente de ajuda e terá de ser a irmã a intervir, mas ao fazê-lo, Hannah descobre horrorizada que a sua própria vida não é tão perfeita quanto parece…
 
Duas irmãs.
Dois mundos em rota de colisão.
Apenas o perdão evitará a tragédia.

 

publicado por emma_leiria às 15:37 link do post
02 de Novembro de 2009

 

 

Nasci numa seita poligâmica radical. Aos dezoito anos, tornei-me a quarta mulher de um homem de cinquenta e dois anos. Em quinze anos, tive oito filhos. Quando o nosso líder começou a pregar o apocalipse, percebi que tinha de os tirar dali.

 

Isto é o que podemos ler na capa do livro, depois temos a sinopse:

 

Aos dezoito anos, Carolyn foi coagida a casar com um homem trinta e dois anos mais velho, Merril Jessop, que já tinha três mulheres. Os casamentos plurais faziam parte da tradição de Carolyn, que crescera no seio da Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos dias (FLDS). Nos quinze anos que se seguiram, Carolyn teve oito filhos e suportou os abusos psicológicos constantes do marido.

Todos os movimentos dela eram ditados pelos caprichos do marido. Era ele quem decidia onde viver; quem controlava o dinheiro que ela ganhava como professora; quem decidia quando tinham sexo. Durante anos, ela foi infeliz, mas sabia que se tentasse fugir e fosse apanhada, os filhos ser-lhe-iam tirados. Mas, em 2003, Carolyn trocou o medo pela liberdade e fugiu com os oito filhos, com apenas vinte dolares no bolso.

A Fuga revela um mundo equivalente a um campo de concentração, criado por um fanático religioso que, em nome de Deus, privou os seguidores do direito de escolher, obrigou mulheres a serem totalmente subservientes aos homens e fez lavagens ao cérebro às crianças. Num tal ambiente, a saída de Carolyn assume uma força extraordinária e inspiradora.

Otestemunho de Carolyn constitui uma parte fundamental do processo judicial que levou á detenção do seu famoso líder, Warren Jeffs.

 

O livro tem 400 paginas, vou na pag. 157 e não paro de pensar em como é imcompreensível que uma seita como esta possa existir nos tempos de hoje.....

 

publicado por emma_leiria às 22:18 link do post
25 de Outubro de 2009

Os desaparecidos, de Daniel Mendelsohn, conta a história verídica e muito pessoal da procura do autor de um ramo esquecido da sua família, parentes que se dizia terem sidos «mortos pelos Nazis». Mendelshon, ainda rapaz, era invariavelmente o único interessado pela história da sua família. Quando já em adulto lhe chegam as mãos cartas antigas do seu tio-avô Schmiel suplicando ajuda aos parentes americanos perante o cerco nazi, cada vez mais apertado aos judeus na cidade polaca onde habitava, decide que tem que apurar a verdade sobre os parentes desaparecidos.

Ainda só vou na pagina 228 mas estou a gostar da escrita simples do autor, entre os meandros da procura o autor mistura a interpretação da Biblia(a parte do Genesis), de início achei um pouco chato mas com o passar das paginas já anseava por ela, deixo aqui algumas partes de uma entrevista com o autor que para mim consegue transparecer o que o leitor irá encontrar neste livro.

"Os Desaparecidos" abre com a ilustração de uma árvore genealógica, cuja legenda é: "A Família de Schmiel Jäger". Tendo em conta o que se vai ler a seguir, não teria sido mais apropriado escrever "A família de Daniel Mendelsohn"?

É a minha família, claro. O livro trata de mim, da minha busca. Mas incluí essa árvore, terminando-a na minha geração, para lembrar que Schmiel tem uma família que nunca conheceu. 

No fim do livro, ficamos a saber alguns detalhes concretos sobre os seus parentes mortos pelos nazis, mas as informações que reuniu não nos dão um verdadeiro retrato dessas pessoas. Se tivesse conseguido saber bastante mais, não lhe parece possível que, em vez de um volume de quase 600 páginas, pudesse ter escrito, paradoxalmente, um livro bastante mais curto?

Se eu tivesse sabido, na minha primeira viagem à Ucrânia, o que soube na última, ter-me-ia ficado por aí e teria escrito um pequeno volume, ou mesmo um artigo. O livro tem uma espécie de falso final, antes dessa última visita a Bolechow - quando soube ao certo o que tinha acontecido a Schmiel -, porque pensei mesmo que estava terminado. E se o tivesse acabado aí, acho que seria na mesma um livro interessante. O que me interessa é a ideia da busca, agrada-me escrever sobre procurar, e não tanto sobre o que se encontrou.

Uma das singularidades de "Os Desaparecidos" é o modo como interrompe a narração com referências à cultura clássica greco-latina e excertos comentados da Bíblia hebraica. Parece fazê-lo para justificar o modo como se propõe contar a sua história, mas também para mostrar que os acontecimentos que narra têm precedentes antigos, seguem um padrão. Como se precisasse de recuar milhares de anos para coser o pequeno rasgão temporal entre a sua geração e a dos seus avós.

É verdade, mas há outras razões. Um dos temas do livro é o modo como usamos as ferramentas que temos para perceber o passado. Pode-se ir a todo o mundo e entrevistar muita gente, mas também se pode usar essa outra ferramenta que é a literatura. Ao recorrer aos fragmentos bíblicos, tentei mostrar que as histórias que ocorrem na vida real, comigo, com a minha família, são histórias reencenadas, cujas sementes já estão brilhantemente descritas no Génesis. Por outro lado, o livro tenta perceber um acontecimento vasto e complexo, mas foca-se num grupo de seis pessoas. É um livro íntimo. Um dos motivos para a presença das reflexões em torno do Génesis é que elas expandem o foco, afastam o leitor da história íntima para o obrigar a ver que ela tem implicações muito vastas. Creio que é aí, nessa relação entre ambos os planos, que o verdadeiro sentido do livro se gera. 

Um dos temas recorrentes de "Os Desaparecidos" parece ser o dos irmãos: Abel e Caim, Schmiel e o seu avô, o seu pai e o irmão com quem ele deixou de falar, as possíveis tensões entre as duas filhas mais velhas de Schmiel, e, finalmente, a sua própria relação com Matt, o irmão fotógrafo que o acompanhou nas muitas viagens que fez para escrever este livro. Fica-se com a ideia de que esta busca comum os aproximou.

Fui procurar parentes desaparecidos e achei um, que foi o Matt. Essa é uma grande parte da história. Mas os irmãos também são uma metáfora para o que podem fazer umas pessoas a outras que lhes estão muito próximas. O que se passou na guerra da Bósnia, com os vizinhos a matar-se uns aos outros, aconteceu do mesmo modo em Bolechow durante a Segunda Guerra. 

 

 

Boas leituras 

publicado por emma_leiria às 22:48 link do post
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