Clube de leitura
Porque ler é um prazer que deve ser partilhado
04 de Dezembro de 2011

Este livro foi finalista em 2006 do "Man Booker Prize for Fiction" e tem uma estrutura completamente diferente do habitual. Começa no pós-guerra em 1947 e recua até 1941, dando a perceber a história das personagens através do passado, mostrando-nos que de certa forma todas elas estão relacionadas...

Foi o primeiro livro que li deste autora e gostei bastante, dos personagens, da história, da densidade dos sentimentos, tendo sempre como pano de fundo os horrores da Guerra: os bombardeamentos dos aviões alemães a Londres, a destruição de monumentos históricos, a morte de centenas de inocentes e o bom carácter de algumas pessoas corajosas que arriscavam a vida para ajudarem os outros...

A história centra-se na vida de quatro pessoas em Londres: Kay, Helen, Vivien e Duncan, focando-se sobretudo nas suas relações e sentimentos.
Aborda questões como a emancipação feminina, o machismo da sociedade londrina, a homossexualidade, a infidelidade, aborto, o suicídio...

As descrições são bastante intensas, quase nos sentimos com as personagens a ouvir os apitos dos Vigilantes, o medo das bombas, os clarões das chamas, do pó e das cinzas... a sentir necessidade de viver os dias como se fossemos morrer a qualquer segundo, sob a iminência de ser atingido pelas bombas alemãs...

Um livro que apesar de passar das 400 páginas é bastante fluído e muito fácil de ler. Recomendo a todos!
Do Blog Black Magic Bird
publicado por Jorge Soares às 22:59 link do post
27 de Novembro de 2011

Este é o segundo livro que leio da Patricia Highsmith e (tal como no outro) fiquei agradavelmente surpreendida, para quem está habituado aos seus policias, este romance acaba por ser realmente uma grande surpresa.Creio que é preciso grande coragem para em 1952 escrever e propor-se a publicar um livro com esta temática e sobretudo com o final que teve. Tanto que de início a obra foi recusada pelo primeiro editor, pois ninguém na altura queria ficar conotado como "apoiante de homossexuais".A história centra-se numa história de amor entre a jovem Therese de 19 anos,  que se apaixona por Carol, uma mulher mais velha, em processo de divórcio e com uma filha.

Therese trabalha num armazém onde é mal paga, enquanto aguarda emprego na sua área (desenho cénico) e é nesse emprego que conhece Carol, ambas sentem de imediato grande empatia e começam a ver-se frequentemente; entretanto Therese termina com o namorado pois percebe quase de imediato que aquilo que sente por ele não se compara ao sentimento que cresce dentro dela pela a outra mulher. Carol convida Therese para viajar com ela pelos Estados Unidos, durante essa viagem ambas descobrem esse amor proibido, no entanto acabam por ter de se separar devido ao facto de estarem a ser seguidas por um detective privado contratado pelo ex-marido de Carol, que ia reunindo escutas ilegais e outras evidências de que elas estavam juntas e pretendia usar isso em tribunal como algo de negativo, numa clara vingança pelo seu orgulho ferido, para que Carol perdesse o direito de ver a filha. No entanto Carol não consegue renunciar ao amor de Therese e acabam por se reencontrar e o livro termina com a possibilidade de um futuro entre as duas. 

É porventura o primeiro livro onde um casal homossexual tem um "happy end", antes deste livro as histórias com personagens  homossexuais morriam de formas horríveis, suicidavam-se ou "tornavam-se" heterossexuais como se a sua orientação sexual fosse o primeiro caminho para a perdição...

Este livro causou assim quase logo de início grande polémica entre a sociedade norte americana, não só por mostrar uma relação de amor entre duas mulheres, mas sobretudo por terminar de um modo muito diferente do que era habitual até então.

É possível também perceber ao longo da história uma forte crítica à sociedade norte-americana sua contemporânea: a hipocrisia, a ignorância e preconceito das pessoas, a exploração do trabalho feminino, o egocentrismo dos membros do jet-set da época. Mas por outro lado mostra-nos a coragem de algumas pessoas que resolveram lutar pelos seus sentimentos, pelas suas crenças perdendo com isso partes importantes das suas vidas, sendo abertamente criticadas e, em muitos casos, simplesmente ostracizadas, por não se limitarem a ser iguais a tantas outras mulheres que nasceram para ser mães e esposas.

Este é um livro para quem tenha mente aberta, despida de preconceitos e que acredite no Amor sob todas as suas formas.
Quetzal
Post do Blog Black Bird
publicado por Jorge Soares às 22:56 link do post
31 de Outubro de 2011


Esta obra literária retrata o clima de opressão, medo e terror vivido na República Dominicana durante o governo do ditador Rafael Leónidas Trujillo, mais propriamente os momentos que antecedem o seu assassinato e o lento processo de democratização do país, protagonizado pelo presidente Joaquim Balaguer.

É curioso perceber como as personagens se vão movendo conforme os seus próprios interesses, passando por cima daquilo que sabem ser moralmente correcto, sem qualquer tipo de arrependimento, não hesitando passar para a antítese do que defenderam durante anos não só como forma de sobrevivência, mas sobretudo pela ambição do poder. Faz lembrar um pouco a questão da evolução de Charles Darwin: os indivíduos que sobrevivem não são necessariamente os mais fortes ou mais inteligentes, mas sim os que se conseguem adaptar.

Isso explica como personagens que eram apoiantes directos do governo de Trujillo, adolando-o, prestando-lhe culto como um "Deus", humilhando-se para o servir, se conseguem adaptar às mudanças políticas que emplicaram o assassinato do "chefe supremo" e no momento da transição democrática aparecem a insultar a sua memória e como representantes da mudança e da liberdade...

É curioso como a memória dos povos é curta e se esquecem frequentemente dos horrorres cometidos pelos regimes ditatoriais, neste caso em particular havia pessoas que simplesmente desapareciam de um dia para outro, caso se suspeitasse que nutriam algum tipo de sentimento anti-Trujillista eram perseguidos, torturados e frequentemente assassinados da forma mais cruel possível, acabando entregues a voracidade de tubarões.

É um bom livro para reflectir sobre até onde vai a sede de poder de alguns seres humanos, confesso que nalguns momentos achei completamente arrepiante a descrição das turturas sofridas pelos assassinos de Trujillo, todos os pormenores, os cheiros, os sons são descritos de tal forma que parecemos ver e vivenciar os acontecimentos. É impressionante depois perceber como os assassinos do ditador e as suas respectivas famílias (inocentes) foram primeiro perseguidos, apontados e entregues pela própria população às forças dos Serviços Inteligentes, acabando a maioria por falecer devido às torturas; e depois de mortos, já durante a democratização do país, serem considerados heróis da Pátria...

Algo que achei também bastante interessante ao longo do livro é que o autor vai-nos dando as diferentes facetas e as perspectivas das personagens, aquilo que os move, as suas paixões, os seus dramas individuais...

Concluo referindo que mesmo tendo noção de que se trata de História ficcionada gostei bastante do livro e recomendo a todos que gostem de pensar.

 

Post do Black Bird

publicado por Jorge Soares às 08:28 link do post
25 de Outubro de 2011

O rei do Mercado - Juliette Benzoni

 

As férias da Páscoa foram molhadas, no Alentejo foram muito molhadas, tal como o ano passado fomos para o Zmar, só que ao contrário do ano passado, esta vez não deu para grandes maratonas fotográficas e nem chegamos a ir à Zambujeira do Mar.. muito menos à praia.

 

Uma das melhores coisas deste parque de campismo é que tem livros para emprestar, é uma pequena biblioteca com titulos de autores conhecidos, já tinha lido muito do que por lá está, a P. pegou neste O rei do Mercado quase ao acaso, ela sabe que eu gosto de romances históricos pelo que achou que seria uma boa sugestão para mim.

 

Nunca tinha sequer ouvido falar nem da autora nem do livro, percebi depois que este o Rei do Mercado é o segundo livro uma trilogia, chamada Segredo de Estado e narra a vida de Silvie, uma jovem que foge primeiro aos assassinos da sua família e mais tarde quando já é uma das damas da Rainha, para salvar a sua própria vida. Em ambos os casos é salva por um jovem da nobreza Francesa pelo que nutre um amor tão grande como impossível de se realizar.

 

Toda a história se passa na França de Luis XIII e retrata a vida da corte, os jogos de poder, as intrigas, paixões e traições da nobreza francesa desta época. Com o desenrolar da trama vamos tomando conhecimento de uma serie de acontecimentos da história da corte francesa que pelo menos para mim eram mais ou menos desconhecidos e que envolvem as guerras com a Espanha, a intrigas palacianas de Ana de Áustria e os jogos do poder que foram utilizados pelo  temível cardeal Richelieu e que marcaram uma época na história da Europa.

 

É um livro bem escrito de leitura leve e que deverá agradar a quem como eu gosta de romances históricos, é de certeza um bom livro para levar nas férias.. especialmente se estiver de chuva.. a mim deu-me para duas tardes... e fiquei com vontade de ler os dois volumes restantes da trilogía.

 

Sinopse

 

Trama, segredos e paixão. Ao rigor histórico Juliette Benzoni alia um ritmo de aventura, romance e conluios pelo poder. Num vigoroso e efervescente retrato da corte francesa dos séculos XVII-XVIII com o seu luxo e decadência, amores e traições, escreve um contagiante romance histórico em três volumes. Da fuga da pequena Sylvie de Valaines, que escapa a vingança de Richelieu, à cumplicidade que terá com a amante de rei, e o segredo que guarda sobre o nascimento do delfim Luís XIV que se dirá Rei-Sol, atravessamos - em três títulos - um período envolto em segredos e mentiras.   Confessa leitora de Alexandre Dumas, apaixonada pela História, a autora francesa tem mais de 300 milhões de leitores por todo o mundo. E percebe-se porquê: lendo o primeiro logo queremos continuar-e-continuar na sua viagem no tempo.   Casados há mais de vinte anos, sem que a rainha tivesse ainda dado à luz um herdeiro, o súbito milagre veio alegrar a corte mas também lançar viperinos boatos sobre a verdadeira paternidade do príncipe herdeiro. Se em «O Quarto da Rainha» Sylvie se torna a portadora de um segredo real, em «O Rei do Mercado» ela paga bem caro a sua lealdade. Reconhecida pelos que assassinaram a sua família, é obrigada a casar com o terrível La Ferrière que a viola na noite de casamento. Desorientada, foge e é novamente encontrada, por acaso, por François que a esconde e faz espalhar a notícia da sua morte. Estará assim a salvo?

 

Post do O que é o Jantar?

 

Jorge Soares

publicado por Jorge Soares às 19:07 link do post
08 de Maio de 2011

O sonho do Celta

 

Vargas Llosa é um dos meus autores favoritos, o seu livro anterior, Travessuras da menina má, foi um dos melhores que li nos últimos tempos, entretanto o escritor ganhou, com todo o mérito, o prémio Nóbel da literatura e eu estava algo ansioso por ter nas minhas mão este seu O sonho do Celta.

 

Bom, há muito que não me custava tanto terminar de ler um livro, é verdade  que este é enorme, são mais de 400 páginas no estilo característico do Vargas Llosa em que as várias partes da história nos vão sendo mostradas de forma intercalada, capítulo a capítulo, até que no fim tudo faz sentido. Mas este não é definitivamente um livro fácil de ler.

 

Estará a meio caminho entre a biografia e o romance, talvez o poderíamos classificar como uma biografia romanceada em que se conta a história de vida de Roger Casement, um Irlandês que foi cônsul da Inglaterra no Congo Bélga do fim do século XIX, que primeiro no Congo e depois na Amazónia Peruana, dedicou uma parte da sua vida denunciar a forma como eram tratados os nativos africanos e americanos pelas grandes companhias que se encarregavam da extracção da borracha. As denuncias deste senhor tiveram uma enorme influência na forma como a Europa de fins do século XIX e inicio do século XX, passaram a olhar para o colonialismo e a extracção dos recursos naturais em África e na América.

 

Com o tempo Casement passou a olhar para o seu próprio país quase como uma colónia Inglesa,  torna-se um nacionalista que luta pela liberdade da Irlanda e um inimigo da Inglaterra. Após a mal sucedida revolta  da Páscoa,  termina condenado à morte e é desde a prisão que nos vai mostrando muitas vezes com uma enorme crueza e realismo, todo o seu percurso de vida e as suas passagens por África e América. Pelo meio damos conta da sua homossexualidade através das anotações que este vai escrevendo no seu diário.. pairando sempre a dúvida se esta será real ou fruto da imaginação do inglês e se aquilo que se escreve será o que realmente aconteceu nestes encontros sexuais ou o que ele desejaria que tivesse acontecido

 

Em suma, este é um bom livro que tem uma leitura por vezes pesada e até dificil e que nos leva até uma parte da história que poucas vezes foi contada com tanto realismo.

 

Sinopse: O Sonho do Celta baseia-se na vida do irlandês Roger Casement, cônsul britânico no Congo belga, em inícios do século XX, que durante duas décadas denunciou as atrocidades do regime de Leopoldo II. Este homem, amigo de Joseph Conrad (e que o guiou numa viagem pelo Rio Congo, revelando-lhe uma realidade mais tarde retratada no romance Coração das Trevas), teve uma vida extraordinária, plena de aventura. Acérrimo defensor dos direitos humanos ‹ como também o comprovam os relatórios que redigiu durante a estadia na Amazónia peruana - militou activamente, no fim da sua vida, o nacionalismo irlandês, acabando condenado à morte por traição e executado.

 

Post do O que é o jantar


Jorge Soares

publicado por Jorge Soares às 11:59 link do post
19 de Abril de 2011

O jogo do Anjo

 

Andava com uma enorme curiosidade sobre este livro do Carlos Ruiz Zafon, o La sombra del viento foi um dos melhores livros que já li, comprei este na véspera dos dias de férias no Algarve, comecei a ler no primeiro dia  à noite e tive uma enorme dificuldade em parar de ler, a madrugada já ia alta quando decidi que era melhor dormir.

 
Li mais de metade do livro de uma só tirada ... a primeira parte está à altura do A sombra do Vento, de novo a historia tem uma Barcelona de outros tempos quase como um protagonista mais e  há até algumas coisas comuns nos dois livros, o cemitério dos livros esquecidos não podia deixar de ser uma delas.  O livro começa assim:
 
Um escritor nunca esquece a primeira vez em que aceita algumas moedas ou um elogio em troca de uma história. Nunca esquece a primeira vez em que sente o doce veneno da vaidade no sangue e começa a acreditar que, se conseguir disfarçar sua falta de talento, o sonho da literatura será capaz de garantir um teto sobre sua cabeça, um prato quente no final do dia e aquilo que mais deseja: seu nome impresso num miserável pedaço de papel que certamente vai viver mais do que ele. Um escritor está condenado a recordar esse momento porque, a partir daí, ele está perdido e sua alma já tem um preço.
 
O livro conta a história de um escritor de romances policiais que vai enfrentando a vida e subindo por ela a pulso. A atmosfera do livro, a cidade, o ambiente e até alguns personagens são  os  mesmos de A sombra do Vento...e como já disse, a primeira parte lê-se de um fôlego, é difícil deixar o livro de  lado. Depois... bom, eu cheguei a meio e achei que a história tinha atingido o seu epílogo... que o livro devia ter terminado ali. Olhei para o livro e vi que ainda faltavam mais de duzentas páginas...... é claro que continuei a ler.. mas para mim era como se fosse outra história..... outro livro, apesar de a personagem principal ser a mesma.
 
Não deixa de ser um excelente livro, muito bem escrito. Ao recorrer as suas páginas sentimo-nos a passear pela Barcelona de aqueles tempos, conseguimos sentir a cidade, o ambiente.
 
A segunda parte do livro começa com um pacto que sela a vida do protagonista, não está lá escrito mas conseguimos sentir que vendeu a alma ao diabo, é também nesta parte que o livro se torna uma história de amor, um amor impossível... confesso que gostei mais da primeira parte....  mas é sem duvida um dos melhores livros que me passaram pelas mãos nos últimos tempos.
 
Sinopse:
Com deslumbrante estilo e impecável precisão narrativa, o autor de A Sombra do Vento transporta-nos de novo para a Barcelona do Cemitério dos Livros Esquecidos, para nos oferecer uma aventura de intriga, romance e tragédia, através de um labirinto de segredos onde o fascínio pelos livros, a paixão e a amizade se conjugam num relato magistral.
 

Jorge Soares
 
Post do  O que é o Jantar
publicado por Jorge Soares às 13:29 link do post
12 de Abril de 2011

Tudo o que ele sempre quis - Anita Shreve

 

Desde que li Luz na Neve, fiquei mais ou menos viciado nos livros da Anita Shreve, livros bem escritos, com historias envolventes e enredos atraentes. Normalmente historias de amor, historias de mulheres apaixonadas que tem que enfrentar a vida e o mundo para poderem ser felizes.

 

Este Tudo o que sempre quis  é um livro diferente, não deixa de ter uma historia de amor, mas neste caso a historia não se centra directamente numa mulher. Este livro foi escrito à volta de decisões, um homem conhece uma mulher que o arrebata mas que não se deixa arrebatar, ele acredita no seu amor, na sua capacidade de amar, e decide que é a ela que quer amar. Ela, já não acredita no amor e decide viver a vida fechada no seu mundo, sem dar e sem receber.

 

Mais que uma historia de amor, é a historia de uma vida,  uma historia contada na primeira pessoa por alguém que decidiu amar e nunca foi amado. 

 

Sipnose

 

Sinopse: Um casamento junta sempre duas histórias, dois passados. Esta constatação é talvez tardia para o marido de Etna: um homem cuja obsessão com a sua jovem mulher tem início no momento em que se conhecem – e em que ele a ajuda a escapar a um incêndio - e culmina numa união ensombrada por segredos, traição e pelo fogo avassalador de uma paixão não correspondida.Ao académico Nicholas Van Tassel bastou ver Etna Bliss uma única vez para saber que chegara o momento de abandonar a sua condição de solteirão inveterado. Mas a frieza física e emocional com que é brindado é um prenúncio de tragédia: Etna deseja liberdade e independência, Nicholas quer a jovem exclusivamente para si… E quando descobre que, ainda que tivesse conseguido casar com ela, não teria chegado sequer a conquistá-la, vai ser o lado mais sombrio da sua personalidade a decidir o que fazer a seguir.Escrito com a inteligência e a graça que são já habituais na autora, Tudo o que Ele Sempre Quis é uma arrepiante história sobre desejo, ciúme, perda e os perigos que o fogo – o figurativo e o literal – sempre arrasta consigo.

 

Jorge Soares

Post do: O que é o jantar?

publicado por Jorge Soares às 22:13 link do post
27 de Março de 2011

A menina que nunca chorava

 

 

 

"Querida Mãe,

 

Quero viver contigo, Estou farta de viver com o Pai. Não é que tenha acontecido alguma coisa ruim, porque há muito tempo que nada de ruim acontece ,só que fico farta dos seus modos. De me preocupar com ele, de me preocupar com a bebida e de me preocupar com as drogas e de me preocupar com o que vai acontecer com o nosso dinheiro e de me preocupar se se vai meter de novo em sarilhos e de me preocupar com o que me vai acontecer. Quero viver contigo..... "

 

Quando terminei de ler A Criança que não queria falar fiquei com vontade de saber o que aconteceu com aquela criança. Era uma histórica verídica de uma menina de 6 anos, uma mente brilhante que estava no inicio da vida, a história não poderia terminar ali. Efectivamente a historia não termina ali e a continuação está em a Menina que nunca chorava.

 

Entre as estadas do pai na prisão e nas clínicas de reabilitação, Sheila vai crescendo entregue ao estado, entre centros de acolhimento e famílias temporárias, é apesar de tudo uma criança normal que consegue dar a volta e seguir enfrente, sempre.

 

Aos 13 anos volta a reencontrar Torey, por estranho que pareça, pouco se lembra de aquela turma que viria a mudar a vida dela, lembra-se da professora mas de pouco mais. Ambas vão reencontrando aquele passado e lutando com os fantasmas que perseguem Sheila.

 

Sheila é uma adolescente que se converte num adulto precoce, cresceu sozinha e solitária sem conhecer o amor dos que a rodeiam e a sonhar com encontrar a mãe, tem uma visão do mundo muito própria e por vezes irrealista.

 

O livro tem partes chocantes, porque nos mostra alguns pormenores da cultura americana que para nós são impensáveis, a forma como vêem a adopção e o acolhimento de crianças de um modo que achei completamente leviano, o modo com tratam os problemas das crianças e adolescentes, etc. Por outro lado, mostra-nos a forma como os fantasmas do passado perseguem as crianças que foram abandonadas, Sheila nunca desiste de tentar encontrar a mãe, sonha com ela e com o momento em que se irão encontrar.

 

"Querida mãe,

A vida está a ser boa para mim. Tenho um grande emprego e o meu próprio apartamento e um cão chamado Mike. Desculpa, já não penso muito em ti. Quero faze-lo, mas não tenho tempo. É pena que nunca me tenhas conhecido. Penso que terias gostado de mim.

 

Com amor Sheila"

 

Sinopse:

 

Torey Hayden publicou A Criança Que Não Queria Falar, em 1980, relatando o caso verídico e comovente da sua relação com uma menina de seis anos que aparecera, gravemente perturbada, na sua aula de ensino especial. Ao longo de vários meses, a jovem professora lutou para fazê-la desabrochar sob o calor generoso da sua espantosa intuição e amor e levá-la a descobrir um mundo que podia ser luminoso.


Separadas pelas contingências da vida, só voltam a encontrar-se anos mais tarde quando Sheila já tem 13 anos. Para surpresa de Torey, a adolescente parece ter perdido uma grande parte das memórias dos primeiros tempos que passaram juntas e, à medida que elas ressurgem do passado com os sentimentos que lhes estão associados, a sua competência de terapeuta e a sua devoção vão de novo ser duramente postas à prova.

 

Jorge Soares

 

Post do O que é o jantar

publicado por Jorge Soares às 16:06 link do post
19 de Março de 2011

Drácula, Bram Stoker

 

Terminei ontem de ler o "Drácula" do Bram Stoker (1897), tinha visto o filme há vários anos atrás e como tenho sempre curiosidade de ver se as adaptações cinematográficas são bem feitas, já andava atrás do livro há um bom tempo. 

Creio que Bram Stoker foi talvez o principal responsável pelo surgimento do mito do vampiro moderno, que é um dos temas que na actualidade é bastante procurado.  Nos últimos tempos têm saído inúmeros filmes, séries, documentários e livros sobre o vampirismo, mas que, na minha opinião, não são tão interessantes quanto o original...

Para criar a sua obra, Stoker, baseou-se em lendas das zonas rurais romenas, contadas entre camponeses, de geração em geração; mas também em factos históricos o que enriqueceu bastante a sua obra.

A personalidade sanguinária de Vlad Tepes, conhecido por empalar os seus inimigos e beber o seu sangue terá certamente influenciado as lendas de vampiros que ainda hoje se contam na Valáquia.

Quem se interesse por conhecer outros aspectos da sua vida, como o facto de fazer parte de uma liga para defesa dos cristãos contra os turcos, que tornou a Transilvânia num dos poucos locais capazes de resistir a fúria muçulmana, (que até tomou Constantinopla aos Bizantinos)... existem bons documentários sobre o assunto e um bom livro, que embora ficcional, conta de uma forma dinâmica e entusiasmente muitos acontecimentos históricos relacionados com Draculea: chama-se o "Historiador" de Elisabeth Kostova e faz lembrar um pouco no estilo o Código da Vinci.

Aqui podem encontrar o ebook de Bram Stoker.

 

Retirado do Blog Black Bird

publicado por Jorge Soares às 16:08 link do post
28 de Fevereiro de 2011

A criança que não queria falar

 

Sheila é uma menina de seis anos que rapta um menino de três, o ata a uma árvore e lhe prende fogo. É praticamente assim que começa o livro, uma criança que comete um acto irracional e que é condenada a ser internada num hospital psiquiátrico, como não há vagas no hospital, é colocada temporariamente numa escola onde há uma turma de crianças especiais.

 

Nesta turma há uma professora que se interessa realmente pelos seus alunos e que descobre que por detrás de toda a raiva e rebeldia há uma mente brilhante e uma criança como as outras, que simplesmente necessita de carinho e de atenção.

 

Sheila foi abandonada pela mãe que a atirou de um carro em andamento numa auto-estrada, vive com o pai, um homem  alcoólico e toxicodependente mas orgulhoso, num campo miserável e sem condições. Só tem uma muda de roupa que utiliza dia trás dia, mas o pai nega-se a que lhe ofereçam outra, eles não precisam.

 

Este foi um livro que me tocou, porque fala de abandono, de crianças difíceis e dos desafios que se colocam na educação de crianças que foram abandonadas.

 

O abandono é algo que marca uma criança para toda a sua vida, e essas marcas vão surgindo nas diversas fases do seu crescimento, eu sei, porque há coisas ali, poucas felizmente, que vi no meu filho.

 

O livro fala sobre a Sheila, sobre a sua professora, sobre o como ensinar e tratar crianças diferentes, mas fala também sobre o trauma do abandono, sobre as marcas que este deixa nas crianças, sobre as suas fragilidades e sobre como algumas coisas se devem tratar.

 

Há livros que nos marcam pela história, outros pela forma como estão escritos, outros porque os lemos na altura e circunstancias certas das nossas vidas, este livro marcou-me porque sou pai. Um livro que todos os pais adoptivos ou não deveríamos ler e  que todos os professores deveriam ler.

 

Sinopse: Esta é a história verídica e comovente da relação entre uma professora que ensina crianças com dificuldades mentais e emocionais e a sua aluna, Sheila, de seis anos, abandonada por uma mãe adolescente e que até então apenas conheceu um mundo onde foi severamente maltratada e abusada. Relatada pela própria professora, Torey Hayden, é uma história inspiradora, que nos mostra que só uma fé inabalável e um amor sem condições são capazes de chegar ao coração de uma criança aparentemente inacessível. Considerada uma ameaça que nenhum pai nem nenhum professor querem por perto de outras crianças, Sheila dá entrada na sala de Torey, onde ficam as crianças que não se integram noutro lugar. É o princípio de uma relação que irá gerar fortes laços de afecto entre ambas, e o início de uma batalha duramente travada para esta criança desabrochar para uma vida nova de descobertas e alegria. Desde a sua publicação, em 1980, o livro já vendeu 8 500 000 exemplares no Reino Unido  e foi traduzido em 27 línguas, tendo sido um bestseller em vários países.

 

Post publicado inicialmente no blog O que é o jantar?

 

Jorge Soares

 

publicado por Jorge Soares às 21:42 link do post
01 de Janeiro de 2011

José Saramago, Caim

 

A Distancia não permitia a Caim perceber a violência do furacão soprado pela boca do senhor nem o estrondo dos muros desabando uns após outros, os pilares, as arcadas, as abóbadas, os contrafortes, por isso a torre parecia desmoronar-se em silêncio, como um castelo de cartas, até que tudo acabou numa enorme nuvem de poeira que subia para o céu e não deixava ver o sol. Muitos anos depois se dirá que caiu ali um meteorito, um corpo celeste dos muitos que vagueiam pelo espaço, mas não é verdade, foi a torre de babel, que o orgulho do senhor não consentiu que terminássemos. A História dos homens é a história dos seus desentendimentos com deus, nem ele nos entende a nós, nem nós o entendemos a ele.

 

José Saramago em Caim.

 

À falta de melhor, hoje na RTP as noticias sobre o Haiti durante longos minutos versaram o religioso, primeiro a missa ao lado do que resta da catedral, depois a visita a um sacerdote Vudú, uma festa evangélica com muita gente e de novo as pessoas na Catedral...  O José Rodrigues dos Santos ficou de certeza com tema para mais um ou dois dos seus livros.

 

Estava a ouvir as pessoas e não pude deixar de dar por mim a pensar em Saramago e no Caim que estou a ler, e não pude deixar de me lembrar de algumas passagens que já li. Quando escrevi o primeiro post sobre a tragédia que assolou este país que há muito tinha sido esquecido pelo mundo, houve uma frase que decidi retirar mesmo antes de carregar em Publicar, a frase dizia:

 

-Se duvidas houvesse, está visto que deus não existe!

 

Retirei a frase porque na verdade a mim não me restam dúvidas e era de ajuda que queria falar naquele dia.

 

A verdade é que se juntarmos a tragédia às palavras sobre deus que ouvi hoje na reportagem, tudo isto podia ser mais um capitulo do livro de Saramago, com José Rodrigues dos Santos no papel de Caim. Porque o livro é assim, um conjunto de reportagens  sobre os principais capítulos da bíblia, sobre deus, o homem e a relação entre ambos, uma relação feita de provas, desafios, prémios e castigos....   nada que não tivéssemos visto todos na bíblia,  mas raramente com olhos de ver.

 

Este é um livro bem escrito, eu não sou grande fã da escrita do Saramago, mas reconheço que este é um excelente livro.

 

Quanto à  história, ou às várias historias, a mim que sou ateu não me dizem muito, há muito que olho para a bíblia como um enorme guião para filmes de Hollywood, para quem acredita, talvez deveria ser um livro a ler com alguma atenção, há sempre outras formas de interpretar o livro que para muitos é sagrado.... esta é tão ou mais válida que outra qualquer.

 

Em suma, um bom livro, que a mim por vezes me fez sorrir pela clareza das conclusões, um livro que polémicas à parte, vale cada cêntimo que pagamos por ele.

 

Jorge Soares

 

Post do Blog: O que é o Jantar

publicado por Jorge Soares às 22:47 link do post
25 de Novembro de 2010

 

 

 

Amanhã, 26 de Novembro, pelas 19 horas, será feita a apresentação do livro Meninos do Mundo – Adopção Internacional. A sessão de lançamento terá lugar no Hotel Roma (Sala Roma), em Lisboa, e contará com a presença do Dr. Carlos Jesus, que irá fazer a apresentação da obra, e do Dr. Laborinho Lúcio, autor do prefácio. Estarão, igualmente, presentes a Dra. Fernanda Salvaterra, a Dra. Mariana Negrão, ambas psicólogas, e a Dra. Sandra Cunha, socióloga, que colaboraram na obra com textos em que reflectem a sua experiência na área da adopção. 

Espera-se, ainda, a presença de muitos dos que, com o seu testemunho, colaboraram com a Associação Meninos do Mundo para que o livro que agora se lança contemple as várias vertentes da realidade da adopção: adopção nacional e internacional, adopção por casal e adopção singular, a visão de quem foi adoptado, entre outras.

 

 

O livro é composto por um conjunto de textos escritos por pessoas que passaram pela adoção internacional com explicações de todos os processos vividos em países como Cabo Verde, Rússia, S.Tomé e Príncipe, Moçambique, Brasil, Índia, Bulgária, Lituânia, Tailândia e Macau e por depoimentos de crianças que dão assim a voz de quem um dia foi adotado.

 

A Associação Meninos do Mundo é uma organização não-governamental que tem como objetivos promover o conhecimento da adopção internacional em Portugal e no estrangeiro e desenvolver actividades de consciencialização da sociedade civil em relação à adoção internacional no país.

 

Quem estiver interessado pode encomendar o livro e assim contribuir para a associação e a causa da adopção internacional, basta enviar um email para: meninosdomundo@gmail.com

 

 

Porque uma criança é uma criança em qualquer parte do mundo!

 

Jorge Soares

publicado por Jorge Soares às 21:50 link do post
08 de Novembro de 2010

o fim da inocência - Francisco Salgueiro

"Hoje em dia os pais têm pouca ideia daquilo que realmente se passa com o filhos.

 

Julgam que as suas adolescências são iguais às que tiveram e deixam-nos à solta. Acontece que a realidade actual é muitíssimo diferente daquilo que oiço dizer que era nos anos setenta, oitenta e noventa.

 

É uma realidade em que o sexo e as drogas fazem parte do dia-a-dia"

 

É assim que começa este livro, uma nota escrita pela Inês e que funciona quase como que um aviso para o que nos espera nas páginas seguintes. Diz o autor que o livro é baseado em histórias reais contadas pela Inês, confesso que tenho sérias dúvidas, não é que todas estas coisas não possam acontecer com os nossos filhos, os filhos da vizinha, os de um colega de trabalho, alguém que conhecemos, eu tenho é sérias dúvidas que todas estas coisas possam acontecer com uma só pessoa.

 

No livro podemos encontrar todos os males da nossa sociedade, da simples utilização do telemóvel para partilha de coisas pouco inocentes, até à utilização do Facebook para fins mais ou menos morais.  Pelo meio passamos por tudo, absolutamente tudo, os perigos das salas de chat e do messenger, a droga na noite, a droga nos festivais de verão, etc, etc, etc.

 

A vida da Inês é quase um clichê da sociedade actual, filha da classe média alta, com pais separados, estuda num dos melhores colégios onde todos os seus colegas são copias quase idênticas dela. Crianças mimadas e com acesso a tudo ou quase tudo o que desejam.  Sem muitas preocupações monetárias e até escolares, vivem de acordo com o que está na moda, sendo que a moda pode passar por exemplo por  ir à internet ver fotografias e vídeos pornográficos. Com pais distantes ou que simplesmente não querem ver, vivem as suas próprias vidas desde muito cedo, não fazem escolhas, simplesmente deixam-se levar pela vida ao sabor do que está na moda, e não importa se é licito ou ilícito, caro ou barato, simples ou complicado.. mais que viver, o que importa é mostrar que se viveu.

 

O livro é um relato fiel de muitas coisas, coisas que no fim explicam a forma como nós como pais estamos a deixar que os nossos filhos se destruam. Tudo o que possam imaginar.. também muitas coisas que nunca imaginamos, está ali relatado, de uma forma dura e crua e em primeira pessoa

 

Independentemente de que toda a historia tenha saído da imaginação da Inês, da do Francisco Salgueiro, ou seja mesmo real, a verdade é que tudo o que está ali relatado existe mesmo, e a maioria de nós terá ouvido falar de tudo ou de quase tudo. É precisamente isso que me deixa na dúvida.. dificilmente alguém conseguiria passar por tantas coisas na vida .. e muito menos se no fim do livro a protagonista nem 18 anos fez.

 

Tirando o detalhe das cenas realmente chocantes, é um livro muito bem escrito, um livro que nos deveria deixar a pensar sobre a forma como estamos a educar os nossos filhos, sobre as muitas coisas que lhes damos todos os dias e sobretudo as que não lhes damos, atenção, formação e informação sobre o mundo real que existe lá fora.

 

"Se estiver a ler estas linhas e disser: Com o meu filho isso não acontece, porque é bom aluno e não o educo para se meter nessas coisas, talvez não seja má ideia ler o livro até ao fim.  Eu também era boa aluna e os meus pais não me educaram para me meter nessas coisas.

 

Sinopse:

Aos olhos do mundo, Inês é a menina perfeita. Frequenta um dos melhores colégios nos arredores de Lisboa e relaciona-se com filhos de embaixadores e presidentes de grandes empresas. Por detrás das aparências, a realidade é outra, e bem distinta. Inês e os seus amigos são consumidores regulares de drogas, participam em arriscados jogos sexuais e utilizam desregradamente a internet, transformando as suas vidas numa espiral marcada pelo descontrolo físico e emocional. Francisco Salgueiro dá voz à história real e chocante de uma adolescente portuguesa, contada na primeira pessoa. Um aviso para os pais estarem mais atentos ao que se passa nas suas casas

 

Jorge Soares

 

publicado por Jorge Soares às 21:46 link do post
03 de Novembro de 2010

A Mecânica no Coração

 

Confesso que comprei este livro pela sua linda capa e pelo título atractivo, porque do autor não tinha qualquer referência. Actualmente sei apenas que Mathias Malzieu, é vocalista de uma banda de rock francesa e, no campo da escrita, é autor de vários contos editados e de um romance. O livro que venho falar hoje foi assim uma descoberta de um autor que ficará para sempre na minha lista dos que devem ser lidos mais vezes.

 

“A mecânica do coração” é sobretudo de uma linda e doce história sobre o amor. No final do séc. XIX, numa época sombria e pobre em emoções há personagens que fazem a diferença porque amam de forma pouco convencional; uma mulher que conserta defeitos de crianças abandonadas para que possam ser adoptadas por novas famílias, uma criança com voz de pássaro e que desperta paixões, o inventor que sofre de desamor e o jovem que vive com medo de morrer de amor mas que não resiste a esse sentimento porque ao mesmo tempo é esse mesmo amor que o faz sentir vivo.

 

Ao estilo de Tim Burton ou de Lewis Carol, como podemos ler no resumo da contra-capa, encontramos um livro de fácil leitura, que eu gostei muito e que aconselho a quem gosta do estilo.

 

Ana Cristina

 

Post Publicado no arRanha no Trapo

publicado por Jorge Soares às 22:14 link do post
20 de Outubro de 2010

O clube de leitura em destaque

 

Antes de mais, em meu nome e dos demais participantes do BLOG, quero agradecer ao ao Pedro e ao restante pessoal do SAPO pelo destaque.

 

Este blog é  espaço de partilha, há muito por aí quem goste de ler, e são recorrentes na blogosfera os posts em que se fala de livros, nada como agrupar num só lugar todos esses posts para termos um clube, um clube de leitores.

 

Quero aproveitar esta avalancha de visitas para deixar um convite, o clube está aberto a quem queira participar, ali ao lado está um link que diz Participe neste blog , e o convite é aberto para os bloguers do SAPO ou para outros qualquer. Quem não é do sapo envie-me um email para jfreitas.soares@sapo.pt.

 

 

Porque ler é um prazer que deve ser partilhado

publicado por Jorge Soares às 22:10 link do post
20 de Outubro de 2010

A Lâmpada de Aladino, Luís Sepúlveda

 

 

"Há mulheres cuja companhia convida ao silêncio, porque sabem partilhá-lo,  e não há nada  mais difícil nem mais generoso"

Luis Sepúlveda in Café Miramar

 

Eu gosto de contos, gosto de livros de contos e este livro agarrou-me logo na primeira página, o primeiro conto chama-se Café Mirarmar e é simplesmente fantástico. Tal como o são a maioria dos outros 13 que compõem o livro.

 

Luís Sepúlveda é um escritor Chileno com um imenso talento, tem uma escrita fluída e que nos transporta para dentro do livro, neste caso transporta-nos pelo mundo. Com cada conto viajamos , de Alexandria  à Colômbia, de ali a Santiago do Chile e de ali a Ipanema, e a Hamburgo e de novo à selva Amazónica e de ali à Patagónia. Para além de viajarmos no espaço fisico, viajamos pelo tempo.. e com cada novo conto, com cada nova personagem, descobrimos um novo e diferente mundo cheio de cor, de significado social e até de magia.

 

É um livro que mais que ler, devora-se, eu li-o quase de um fôlego numa tarde de verão  sentado numa esplanada com vista para a serra da Arrábida, um livro fantástico, cheio de vida e de pequenas grandes coisas.

 

Sinopse

 

A Lâmpada de Aladino constitui o esperado regresso de Luis Sepúlveda ao território da ficção. Ao longo das histórias que compõem este livro reencontramo-nos com esse território de sentimentos que fizeram do autor um dos nomes mais apreciados da literatura da América Latina.

Enquanto os nomearmos e contarmos as suas histórias, os nossos mortos nunca morrem, diz a certa altura um personagem. Foi precisamente para resgatar do esquecimento momentos, lugares e existências irrepetíveis que Luis Sepúlveda escreveu A Lâmpada de Aladino, uma lâmpada de onde surgem, como por arte de magia, treze contos magistrais.

A Alexandria de Kavafis, o Carnaval em Ipanema, uma cidade de Hamburgo fria e chuvosa, a Patagónia, Santiago do Chile nos anos sessenta, a recôndita fronteira do Peru, Colômbia e Brasil, são alguns dos cenários deste livro. Nas suas histórias, cada uma delas um romance em miniatura, Luis Sepúlveda dá vida a personagens inesquecíveis, prendendo o leitor da primeira à última página.

 

Não deixem de ler.

 

Post do O que é o Jantar?

 

Jorge Soares

 

publicado por Jorge Soares às 22:02 link do post
14 de Outubro de 2010

Joanne Harris, O rapas de Olhos Azuis

 

Acabei há poucos dias de ler este livro. Comprei-o durante as férias e li-o de sopetão porque é daqueles que não se consegue parar.

 

Não vou fazer grandes resumos porque é fácil de os ler pela net. Limito-me a adiantar que é um thriller interessante que envolve um grupo restrito de pessoas que partilham um passado comum e onde a certa altura já não se consegue perceber quem é quem ou quem é capaz de fazer o quê.

 

Tenho quase todos os livros da Joanne Harris. Gosto muito do tipo de escrita, simples e sem pretensiosismos. Gosto do envolvimento que sinto com os enredos e personagens. Gosto das ideias iniciais, embora acabe por pensar que têm sempre uma base comum, o que dá uma bibliografia com uma aparência repetitiva...


Neste caso em particular, e embora a leitura tenha sido agradável e ensusiasmante, o final desiludiu-me um pouco, por considerar que deu voltas excessivas no intuito de surpreender cabalmente o leitor... na minha opinião, um daqueles casos em que "menos teria sido mais".

 

De qualquer forma, aconselho, principalmente se pretenderem uma leitura que vos envolva e vos faça correr para o livro de cada vez que tenham um bocadinho de tempo livre.

 

Rita

 

Post do arRanha no Trapo

publicado por Jorge Soares às 20:43 link do post
07 de Outubro de 2010

Mário Vargas LLosa

 

Imagem do Público

 

O primeiro livro de que tenho memória é A cidade e os cachorros (La ciudade y los perros), é um livro forte, com um tema forte e foi sem dúvida um livro que me marcou e que tendo sido lido quando eu tinha 13 ou 14 anos, contribuiu de uma forma decisiva para que me tornasse num leitor quase compulsivo e um fã  do autor.

 

Mario Vargas Llosa tem um estilo de escrita muito próprio, a maioria dos seus livros não é escrito de forma linear, à primeira vista é difícil encontrar um fio condutor, cada capítulo é uma parte da história contada desde o ponto de vista de um dos protagonistas, à medida que vamos lendo vamos entrando na pele de cada um dos personagens e na sua historia.

 

Li a maioria dos seus livros, ele é sem duvida um dos meus autores preferidos e um dos maiores expoentes do Realismo Mágico, o estilo de escrita lationo-americano que através da leitura nos leva a conhecer a realidade politico social da América Latina do século XX.

 

De entre todos os seus livros eu destacaria, para além  A cidade e os cachorros, A Tia Julia e o escrevinhador e Travessuras da Menina má,  de que já se falou aqui, dois dos meus livros preferidos e que nos mostram duas fases distintas da escrita deste autor.

 

Este foi sem dúvida um Nobel muito bem entregue, a um autor que para além da sua escrita se destaca como jornalista, politico, chegou a ser candidato a presidente do Peru, e lutador incansável pela justiça e bem estar social do povo do seu país.

 

Livros deste autor:

Os Chefes (1959)
A cidade e os cachorros ("La ciudad y los perros") (1963)
A casa verde (1966) (Premio Rómulo Gallegos)
Conversa na catedral (1969)
Pantaleão e as visitadoras (1973)
Tia Júlia e o escrevinhador (1977)
A Guerra do Fim do Mundo (1981)
Historia de Mayta (1984)
Quem matou Palomino Molero? (1986)
O falador (1987)
Elogio da madrasta (1988)
Lituma nos Andes (1993). Premio Planeta
Os cadernos de Dom Rigoberto (1997)
A festa do bode (2000) - novela sobre a ditadura do general da República Dominicana, Rafael Leónidas Trujillo
O Paraíso na Outra Esquina (2003) - novela histórica sobre Paul Gauguin y Flora Tristán.
Travessuras da Menina Má (2006)


Jorge Soares

publicado por Jorge Soares às 12:17 link do post
26 de Setembro de 2010

A escolha da Dra Cole

 

 

Depois de ler O FísicoXamã, foi com alguma ansiedade que tentei encontrar este terceiro livro da trilogia em que é narrada a história de uma família  de médicos, os Cole, desde a idade média até à actualidade.

 

Se os dois primeiros eram excelentes relatos históricos, este ultimo é um relato por vezes pungente da sociedade rural americana e da forma como na actualidade é praticada a medicina nos Estados Unidos.

 

Roberta Cole quebrou uma tradição mantida pela família desde a Idade Média. O primeiro filho era homem e depois tornava-se médico, Roberta além de ser mulher, decidiu que o seu caminho não seria a medicina e sim o Direito.

 

Ela herdara um dom e tal como alguns dos seus antepassados Coles, era capaz de pressentir a morte de uma pessoa ao pegar-lhe nas mãos, um dia, pressentiu a morte do seu marido. Nesse dia ela soube que o seu destino era o mesmo de muitos dos seus antepassados, a Medicina.

 

Era já uma das médicas mais respeitadas do Lemuei Grace Hospital, de Boston, quando, pela primeira vez se viu confrontada com os desafios da competição profissional do mundo moderno. A sua recusa em aceitar algumas das  regras impostas pelo cargo que ocupava fê-la perder a chefia de um importante departamento do hospital. Desiludida decide mudar de vida e vai trabalhar para uma pequena cidade rural no interior de Massachusetts e é aí que começa a sua verdadeira saga.

 

Os livros da trilogia de Noah GordonNa versão que eu tenho, que é  de 1998, o livro ainda se chamava Opções, agora chama-se As escolhas da Dra Cole. qualquer dos nomes se adequa perfeitamente, porque é das opções e de escolhas que é feita a nossa vida. As escolhas da Dra Cole levam-nos a percorrer os diversos caminhos da Vida, O Amor, o Aborto e a sua prática, o sistema de saúde americano, a vida nas pequenas cidades americanas, tudo no livro é uma fonte de descobertas....

 

Fiquei fan deste autor, que sem dúvida nenhuma escreve muito bem e com enorme rigor histórico e cientifico.

 

Se puderem, leiam, os 3 livros.

 

Post do O que é o Jantar?

 

Jorge Soares

publicado por Jorge Soares às 23:54 link do post
13 de Setembro de 2010

2666, Bolaño

 

Ler é quase uma tarefa obrigatória durante as férias, costumo ir carregado com um ou dois livros e muitas vezes regresso com mais um ou dois que entretanto fui comprando. Este ano fui mesmo carregado e só com um.... mas não é um livro qualquer, é sem duvida o livro com mais páginas que já li... para cima de 1200.

 

Eu que adoro a literatura latino-americana, nunca tinha ouvido falar de Bolaño,  escritor chileno que morreu em 2003, este terá sido o seu ultimo  manuscrito e que segundo o prólogo, não estaria concluído à data da sua morte. A história do livro é algo estranha, o escritor descobriu que tinha cancro e que lhe restava pouco tempo de vida quando a escrita estava a meio. Na altura terá decidido que como forma de garantir uma maior rentabilidade para os seus herdeiros, em lugar de um, seriam 5 os livros a retirar do manuscrito e terá manifestado esse desejos ao seu editor. Desejo que terminaria por não ser levado em consideração.. quanto a mim, o resultado de tudo isto foi nefasto...

 

Converter um livro em cinco, levou a que fosse necessário muito acrescento, dezenas, talvez centenas, de páginas que não estariam ali se não fossem para simplesmente encher. Um exemplo: mais ou menos a meio do livro e na sequência de páginas e páginas em que se vão descrevendo os cadáveres de mulheres que são encontradas mortas, a forma como foram encontradas, a causa da morte, a chegada dos policias, etc, gastam-se meia dúzia de páginas a descrever  como os 3 médicos forenses da cidade se encontram todos os dias para tomar o pequeno almoço. A cena aparece do nada, as personagens só aparecem ali, é descrita a forma como tomam o pequeno almoço juntos e não voltam a aparecer em todo o livro, nem há absolutamente nada que se possa retirar disso e que interesse para o desenrolar da historia.

 

De facto o livro está dividido em 5 partes distintas em que a historia se desenvolve e é contada desde o ponto de vista de personagens diferentes, à primeira vista é difícil encontrar o fio condutor, no fim descobrimos que esse fio existe, ainda que a historia não nos leve a lado nenhum e terminemos o livro a saber o mesmo que sabíamos no inicio, muito pouco.. ou mesmo nada.

 

A mim custou-me a entrar na leitura, se calhar não teria escolhido aquela primeira parte para inicio do livro, imagino que a maioria das pessoas terá imensas dificuldades em passar das primeiras páginas e quando temos dificuldade a entrar num livro que tem mais de 1200 páginas....

 

Em suma, nem sempre um livro bem escrito é um bom livro, há partes em que até parece que nos agarramos à leitura, mas há outras partes, muitas partes, em que simplesmente não entendemos para que estão ali e o seu interesse para a historia. Depois há aquela parte em que passamos centenas de páginas a ler a descrição de cadáveres de uma forma mais ou menos crua, qualquer um de nós poderia pegar naquilo tudo e estabelecer um padrão.... ou vários padrões... imagino que seria essa ideia original do escritor.... terá falecido antes de finalizar esta parte do manuscrito?

 

Este foi um livro que causou algum burburinho na blogosfera, depois de o ler, a questão que me coloco é quantas das pessoas que falam dele o terão realmente lido?

 

Em suma, para além de não ter encontrado a lógica do nome, e eu juro que li até à ultima página, não gostei do livro e não consegui ficar com uma ideia sobre o autor.

 

Post publicado no O que é o Jantar?

 

Jorge Soares

publicado por Jorge Soares às 14:08 link do post
30 de Agosto de 2010

Xamã, Noah Gordon

 

 

 

Robert J. Cole é um médico escocês que é descendente directo de uma linhagem de médicos que se iniciou na idade media, motivos políticos levam a que o jovem médico se veja de um momento para o outro numa longa viagem até à América do inicio do século XVIII. Depois de tomar contacto com o mundo infame em que vivem os emigrantes Europeus no jovem país, o Dr. Cole decide levar os seus conhecimentos às novas fronteiras que estavam a ser desbravadas.

 

Robert Jefferson Cole é o filho mais novo do Dr. Cole, depois de uma doença e ainda criança Robert fica surdo, no livro é retratada a forma como a família enfrenta a surdez da criança e a luta pela vida que o jovem trava até conseguir ser um brilhante estudante de medicina e um ainda mais brilhante médico. Pelo caminho ele está ao cuidado de uma mulher nativa americana, uma Xamã de uma das tribos que habita as pradarias onde o Dr. Cole se instala, que se encarrega de transmitir ao Jovem Cole alguns conhecimentos ancestrais que em mais de uma ocasião lhe vão salvar a vida.

Este livro conta a historia do Dr. Cole e da sua família na América da conquista, a forma como se implantou a civilização numa América virgem e selvagem, a forma como as terras foram sendo conquistadas aos nativos, é também tratada a guerra civil, os seus motivos e a forma como por vezes membros da mesma família se tornam em inimigos.

 

Este é o segundo livro de uma trilogia de este autor, em que o Primeiro foi O Físico, e o Terceiro é um livro que estou a ler e que na edição que eu tenho se chama Opções mas que aparentemente mudou o nome para as escolhas da Dr.. Cole.

 

É  sem duvida um excelente romance histórico que trás até nós páginas da história americana narradas de uma forma sublime.

 

Sipnose:

Xamã", ficção histórica, é o segundo volume da trilogia de Noah Gordon sobre a história da medicina. Abrange o período de 1839 a 1865, quando a anestesia ainda é novidade na prática médica. A trilogia começa com "O Físico", no século 11, e termina no século 20 com "A Escolha da Dr.ª Cole". Seus protagonistas pertencem a uma família de médicos que dá ao primogênito o nome de Robert e um segundo nome iniciado por J. Na Escócia de 1839, o assistente do cirurgião William Fergusson, Robert Judson, do Hospital da Universidade de Edimburgo, é obrigado a imigrar por ter escrito um panfleto contra a coroa inglesa. Começa a clinicar em Boston, mas se desilude com o trabalho filantrópico e compra terras em Illinois, onde aprende segredos com Makwa-ikwa, uma curandeira índia. Casa-se e tem um filho, Xamã, surdo e dono de um sexto sentido para diagnósticos. Pai e filho tratam feridos durante a Guerra de Secessão.

 

Post Publicado inicialmente no blog: O que é o jantar

 

Jorge Soares

publicado por Jorge Soares às 11:26 link do post
13 de Julho de 2010

 

 

O Físico, Noah Gordon

 

Encontrei este autor por acaso, um dia de chuvas de verão no norte de Espanha, numa visita a um centro comercial o nome e a capa de um livro chamaram a minha atenção, desde então já li uns 5 ou 6. Todos são romances históricos que tratam da vida dos Judeus, da história da medicina, ou de ambas. Todos são livros fantásticos que nos prendem a atenção do principio ao fim.

 

Este O Físico faz parte de uma trilogia que nos fala da história da Medicina, os outros são O XamãOpções, livros que nos falam da dinastia Cole, desde a idade média na Inglaterra até à medicina moderna e os seus dilemas na moderna cultura americana.

 

Rob J cole é uma criança que em pouco tempo se vê sozinho no mundo depois da morte da mãe, do pai e da separação dos seus irmãos. Num golpe de sorte é acolhido como aprendiz por um barbeiro  curandeiro que ao mesmo tempo que o leva por toda a Inglaterra medieval, o vai iniciando nas artes da cura. Rapidamente Rob descobre que tem um dom e que se quer realmente curar as pessoas, deverá aprender muito mais. Este desejo leva-o até ao oriente onde na altura estavam os grandes mestres da medicina. Sempre protegido pela sorte que abençoa os audazes, Rob consegue tornar-se no melhor dos alunos e com o tempo, no melhor dos médicos.

 

Pelo meio vamos tendo uma visão da vida na idade média na Europa e na Ásia, a religião, os conflitos, a guerra e o amor.

 

Tinha lido o livro há uns 7 ou 8 anos e foi com um enorme prazer que o reencontrei.. um livro que mais que ler, devorei.

 

Jorge Soares

PS:post publicado incialmente no O que é o Jantar

publicado por Jorge Soares às 23:38 link do post
14 de Junho de 2010

O priorado do Cifrão

 

João Aguiar foi o primeiro escritor Português que encontrei, desde bastante novo que sou um ávido leitor, mas tinha lido sobretudo escritores latino-americanos Garcia Marquez, Vargas Llosa, Isabel Allende, Romulo Gallegos. Sou um admirador confesso do Realismo Mágico e dos escritores latino-americanos e até chegar a Portugal, para além de algumas referências a Ferreira de Castro, pouco sabia da literatura Portuguesa.

 

Comecei por ler O Homem sem nome e depois fui lendo cada um dos livros do João Aguiar à medida que iam saindo... até ao A Catedral Verde, de que não gostei especialmente. Depois perdi-lhe o rasto, até que o meu irmão me ofereceu este  o Priorado do Cifrão de prenda de natal.

 

Como tudo o que escreve o João Aguiar, este é um livro bem escrito e que se lê facilmente... mas, nem sempre um livro bem escrito é um bom livro. Confesso, fiquei desiludido, talvez porque eu esperasse mais, talvez porque pelo meio li um excelente livro, talvez por ambas as coisas, o certo é que fiquei desiludido.

 

O livro pretende ser uma sátira ao Código Da Vinci e a todos os livros que aproveitaram o filão daquele tipo de escrita, é uma historia com pormenores muito rebuscados, uma historia com principio meio e fim , mas que termina por não ser nem carne nem peixe, fica a meio entre o romance, o policial e a sátira.

 

Talvez seja uma boa leitura para férias, um livro bem escrito, sem duvida, mas que a mim me deixou um vazio.... falta a arte do João Aguiar.

 

João Aguiar Morreu a semana passada, apesar de do meu ponto de vista este ter sido um livro falhado, não deixa de ser o meu escritor português preferido, morreu um grande escritor, as letras portuguesas ficaram muito mais pobres

 

Jorge Soares

PS:Post Publicado inicialmente no O que é o jantar

publicado por Jorge Soares às 16:09 link do post
16 de Abril de 2010


O velho que lia romances de amor - Luís Sepúlveda

 

 

Algures na Selva amazónica onde só os barcos chegam, vive António José Bolivar, um homem idoso que aprendeu a viver na selva com os indios Shuar. Depois de viver quarenta anos na selva longe do mundo onde nasceu e cresceu, os livros são o seu bálsamo que lhe permite enfrentar a dura realidade do mundo que o rodeia.

 

É em torno do velho José, da pobre aldeia perdida na selva em que vive e dos seus habitantes, que se desenrola a historia. Um dia o rio traz um cadáver de um gringo, rapidamente há quem tente culpar os índios da sua morte, mas o Velho António José sabe que não foram os índios e sabe também que haverá mais mortes, porque um animal acossado e no seu ambiente natural é um inimigo terrível.

 

Este é o mais conhecido dos livros do autor chileno Luis Sepúlveda, O velho que lia romances de amor foi  dedicado a Chico Mendes, morto numa emboscada por defender a floresta e os direitos das tribos amazónicas.

 

A grande floresta amazónica, um dos locais do mundo onde sobrevivem espécies raríssimas de fauna e flora é o verdadeiro protagonista do romance, cuja mensagem é transmitida pelos olhos de António José Bolívar, o velho eremita que vive na floresta e que lê romances de amor.

 

Este é um excelente livro de um autor que tem um enorme sucesso no nosso país, ao melhor estilo do Realismo Mágico, a escrita descritiva leva-nos até ao interior da selva e à alma das personagens, quase que conseguimos sentir o calor húmido e os cheiros intensos que caracterizam a selva.

 

Sinopse

 

Sinopse: "Antonio José Bolívar Proaño vive em El Idilio, um lugar remoto na região amazónica dos índios shuar, com quem aprendeu a conhecer a selva e as suas leis, a respeitar os animais que a povoam, mas também a caçar e descobrir os trilhos mais indecifráveis. Um certo dia resolve começar a ler, com paixão, os romances de amor que, duas vezes por ano, lhe leva o dentista Rubicundo Loachamín, para ocupar as solitárias noites equatoriais da sua velhice anunciada. Com eles, procura alhear-se da fanfarronice estúpida desses gringos e garimpeiros que julgam dominar a selva porque chegam armados até aos dentes, mas que não sabem enfrentar uma fera a quem mataram as crias. Descrito numa linguagem cristalina e enxuta, as aventuras e emoções do velho Bolívar Proaño há muito conquistaram o coração de milhões de leitores em todo o mundo, transformando o romance de Luis Sepúlveda num "clássico" da literatura latino-americana."

 

Post publicado no O que é o jantar?

 

Jorge Soares

 

 

publicado por Jorge Soares às 10:40 link do post
10 de Março de 2010

A ilha debaixo do mar - Isabel Allende

 

«Todos temos dentro de nós uma insuspeita reserva de força que emerge quando a vida nos põe à prova.»

                           Isabel Allende, A Ilha Debaixo do Mar

 

Comprei este livro no inicio do ano, ainda antes do terramoto,  como já estava a ler 3, este ficou guardado, depois foi o terramoto e o Haiti entrou de um momento para o outro no nosso vocabulário do dia a dia de uma forma brutal e avassaladora.

 

Levo sempre um livro quando vou de viagem, foi este o que escolhi para levar para Cabo Verde... em boa hora, porque passei uma semana de enorme tensão e o livro funcionou como um escape.

 

Sou fã da Isabel Allende, acho que li tudo o que ela escreveu e cada um dos seus livros é uma nova descoberta, adoro a forma como nos envolve nas historias e no ambiente do livro.

 

Este não é um livro sobre o Haiti, é um livro sobre o povo do Haiti, mais que um romance é um livro de historia, que nos descreve o auge e a queda da mais rica das colónias francesas e a forma como de uma enorme mistura de culturas  se  tece o passado e o futuro de um povo.

 

O livro descreve a vida nas plantações de cana de Açúcar, o ouro branco das Antilhas,  a forma como eram  tratados os escravos, a forma como conseguem preservar algumas das suas tradições que darão origem ao Vudu que sobrevive até aos dias de hoje, a forma como das suas fraquezas fazem força e com elas enfrentam todo o poderio de uma nação europeia até a vergarem.

 

Como já disse noutro post, o Haiti foi a primeira nação a obter a sua independência na América latina, uma independência conseguida à custa de muito sangue, de muita vingança, de muita destruição que deixou marcas até ao dia de hoje... tudo isso é mostrado no enredo do livro através das vidas das personagens e da forma como vivem e morrem num meio que antes de mais, é sempre hostil e selvagem.

 

Em Suma, um excelente livro que está  à altura de todos os outros desta autora.

 

Sinopse:

 

Para quem era uma escrava na Saint-Domingue dos finais do século XVIII, Zarité tinha tido uma boa estrela: aos nove anos foi vendida a Toulouse Valmorain, um rico fazendeiro, mas não conheceu nem o esgotamento das plantações de cana, nem a asfixia e o sofrimento dos moinhos, porque foi sempre uma escrava doméstica. A sua bondade natural, força de espírito e noção de honra permitiram-lhe partilhar os segredos e a espiritualidade que ajudavam os seus, os escravos, a sobreviver, e a conhecer as misérias dos amos, os brancos. Zarité converteu-se no centro de um microcosmos que era um reflexo do mundo da colónia: o amo Valmorain, a sua frágil esposa espanhola e o seu sensível filho Maurice, o sábio Parmentier, o militar Relais e a cortesã mulata Violette, Tante Rose, a curandeira, Gambo, o galante escravo rebelde… e outras personagens de uma cruel conflagração que acabaria por arrasar a sua terra e atirá-los para longe dela. Quando foi levada pelo seu amo para Nova Orleães, Zarité iniciou uma nova etapa onde alcançaria a sua maior aspiração: a liberdade. Para lá da dor e do amor, da submissão e da independência, dos seus desejos e os que lhe tinham imposto ao longo da sua vida, Zarité podia contemplá-la com serenidade e concluir que tinha tido uma boa estrela.

 

Post Publicado no  O que é o Jantar?

 

Jorge Soares

publicado por Jorge Soares às 21:12 link do post
18 de Fevereiro de 2010

Em Busca da Felicidade, dez histórias

 

Uma das minhas paixões é a leitura. Aproveito todos os tempos livres para ler um bocadinho. Ultimamente tem havido alturas em que devoro livros mas noutras ocasiões há livros que devem digeridos. Não sei se já repararam mas o livro de cabeceira ainda é o mesmo há vários dias. Um dos motivos é que, na semana passada, andei adoentada e não nem tinha vontade para pegar no livro. Para além disso, este livro reúne dez histórias, não é um romance logo lê-se mais devagar. Uma história tem que ser "mastigada" e "digerida" até se passar para a seguinte. Comprei-o num dia muito pouco feliz mas o título chamou-me a atenção. Não gostei de todas as histórias da mesma maneira, Uma das que gostei mais foi "A felicidade deles" de  Patrícia Reis. A história começa por retratar o céu como uma sala com vários operadores que vão controlando a vida dos "outros" através de computadores. Deus segue a vida de algumas pessoas, em especial. Uma dessas pessoas é a jovem Teresa cuja única ambição é ser feliz e ensinar a sua mãe a ser feliz depois de anos de infelicidade...

"Deus sentiu um aperto no peito. A menina-mulher disse

Estamos sempre sós, mãe. Sempre. Mas estamos sempre juntas, não é? E agora vamos ser felizes.

E o que é ser feliz?

Vamos fazer uma lista. Ser feliz é o arroz-doce que vamos comer ao jantar. Ser feliz é o conjunto de lençóis brancos que vais estrear hoje na tua cama de solteira. Seres feliz é saberes que estás aqui.

Onde é que tu descobriste essas coisas? Essas ideias?

Nos livros. Quando quiseres estar triste e chorar dou-te livros para chorares, Na vida vais ser feliz.

Assim de repente?

Assim de repente."

E está tudo dito...

 

STILETTO

 

Retirado do blog É possivel ser feliz

publicado por Jorge Soares às 22:56 link do post
10 de Fevereiro de 2010

 A Catedral do mar, Idelfonso Falcones

 

Uma das coisas que costumo fazer durante as férias é ler, levo sempre livros, que melhor companhia para quem vai acampar?

 

Desde sempre que as minhas preferências literárias vão para a literatura latino Americana: Isabel AllendeGabriel Garcia MarquezMario Vargas Llosa, etc. Nunca fui muito fan dos escritores espanhois, mas ultimamente tenho vindo a descobrir alguns fantásticos, depois de Carlos Ruiz ZafónIldefonso Falcones e A Catedral do Mar.

 

Li o livro em duas ou três tardes, na sombra do tecto de colmo do Xiringuito junto à praia, alheio ao calor intenso e ao mundo que passava à minha volta, embrenhei-me na vida de Arnau, nos subtis acasos do destino que decidem a sua vida, nos seus amores, na sina de homem livre de Barcelona.

 

Por momentos senti-me a viver naquela cidade de Barcelona, uma cidade e um povo orgulhosos da sua força e liberdade que marcam a diferença num mundo que à sua volta permanecia feudal e atrasado.

 

A Catedral do Mar na sua imponente simplicidade é construída com o esforço e o dinheiro doVitrais, catedral do mar, barcelona povo, ao contrario de todas as restantes igrejas da idade média, que foram construídas por e para complacência de reis e senhores, esta foi construída com o sacrifício do povo, até ao ponto que todas as pedras que a erguem, são transportadas desde a pedreira até à obra às costas pelos carregadores do Porto, os Bastaix, homens duros mas honestos e com princípios rígidos.

 

Todo o enredo do livro vai crescendo à medida que a igreja vai sendo construída, os factos passam-se à sua volta, muitas vezes na sombra das suas obras,

 

É uma historia de amor, de sacrifícios, de acasos do destino, de amores, ódios e traições é também um romance histórico fabuloso, que nos mostra como era a vida nas cidades da idade média, desde os mais pobres até à realeza, os cristãos com a inquisição e o seu ódio aos judeus. 

 

É sem dúvida um dos melhores livros que li nos últimos tempos.....

 

Post Publicado no blog O que é o Jantar? 

 

Jorge Soares

 

 

publicado por Jorge Soares às 14:45 link do post
24 de Janeiro de 2010

 Caim, José Saramago

 

A Distancia não permitia a Caim perceber a violência do furacão soprado pela boca do senhor nem o estrondo dos muros desabando uns após outros, os pilares, as arcadas, as abóbadas, os contrafortes, por isso a torre parecia desmoronar-se em silêncio, como um castelo de cartas, até que tudo acabou numa enorme nuvem de poeira que subia para o céu e não deixava ver o sol. Muitos anos depois se dirá que caiu ali um meteorito, um corpo celeste dos muitos que vagueiam pelo espaço, mas não é verdade, foi a torre de babel, que o orgulho do senhor não consentiu que terminássemos. A História dos homens é a história dos seus desentendimentos com deus, nem ele nos entende a nós, nem nós o entendemos a ele.

 

José Saramago em Caim.

 

À falta de melhor, hoje na RTP as noticias sobre o Haiti durante longos minutos versaram o religioso, primeiro a missa ao lado do que resta da catedral, depois a visita a um sacerdote Vudú, uma festa evangélica com muita gente e de novo as pessoas na Catedral...  O José Rodrigues dos Santos ficou de certeza com tema para mais um ou dois dos seus livros.

 

Estava a ouvir as pessoas e não pude deixar de dar por mim a pensar em Saramago e no Caim que estou a ler, e não pude deixar de me lembrar de algumas passagens que já li. Quando escrevi o primeiro post sobre a tragédia que assolou este país que há muito tinha sido esquecido pelo mundo, houve uma frase que decidi retirar mesmo antes de carregar em Publicar, a frase dizia:

 

-Se duvidas houvesse, está visto que deus não existe!

 

Retirei a frase porque na verdade a mim não me restam dúvidas e era de ajuda que queria falar naquele dia.

 

A verdade é que se juntarmos a tragédia às palavras sobre deus que ouvi hoje na reportagem, tudo isto podia ser mais um capitulo do livro de Saramago, com José Rodrigues dos Santos no papel de Caim. Porque o livro é assim, um conjunto de reportagens  sobre os principais capítulos da bíblia, sobre deus, o homem e a relação entre ambos, uma relação feita de provas, desafios, prémios e castigos....   nada que não tivéssemos visto todos na bíblia,  mas raramente com olhos de ver.

 

Este é um livro bem escrito, eu não sou grande fã da escrita do Saramago, mas reconheço que este é um excelente livro.

 

Quanto à  história, ou às várias historias, a mim que sou ateu não me dizem muito, há muito que olho para a bíblia como um enorme guião para filmes de Hollywood, para quem acredita, talvez deveria ser um livro a ler com alguma atenção, há sempre outras formas de interpretar o livro que para muitos é sagrado.... esta é tão ou mais válida que outra qualquer.

 

Em suma, um bom livro, que a mim por vezes me fez sorrir pela clareza das conclusões, um livro que polémicas à parte, vale cada cêntimo que pagamos por ele.

 

 Jorge Soares

 

Post escrito para o blog :O que é o Jantar?

 

publicado por Jorge Soares às 21:21 link do post
04 de Janeiro de 2010

A sul da Fronteira, a Oeste do Sol

 

 

Haruki Murakami...

 

Sou fã, sem dúvida alguma.

 

Terminei ontem de ler A Sul da Fronteira, A Oeste do Sol e achei o livro maravilhoso.

 

Não são livros de leitura fácil. Não que tenham tramas demasiado complexas, nada disso. Apenas não são leituras para tomar de ânimo leve. Conheço pessoas que leram e não gostaram. Mas isso deve-se a não lerem nas entrelinhas, a não compreenderem determinados estados de espírito, determinados conceitos e não se abstrairem daquilo que conhecem como realidade.

 

Compreendi no todo o final da história. Sei que muitas pessoas que conheço não compreenderiam.

 

É uma história que recomendo a quem ama, a quem amou e principalmente a quem pensa que ama, tomando tudo como garantido e que pensa que o passado nunca nos trama em qualquer esquina...

 

Os dias continuam de chuva e tinha prometido passar mais tempo nos braços do meu sofá, não foi?

 

Post gentilmente cedido pela Smootha do Lua Secreta

publicado por Jorge Soares às 13:49 link do post
28 de Dezembro de 2009

Os segredos de Jin-shei

 

Comprei este livro no natal  para oferecer de presente à minha mãe, não conhecia a autora, Alma Alexander, foi escolhido pela capa e pelo nome.

 

Retrata um local mágico na China medieval, um império milenar onde as mulheres governam. Desenvolveram uma linguagem e uma escrita que só elas entendem e onde as relações se baseiam na força das promessas e nos juramentos de irmandade eterna.

 

É um livro que fala de poder, de tradições, de forças ocultas, de religiões milenares e sobretudo, de amizade.

 

Segue a Sinopse do livro:

 

"Tai é ainda uma criança quando acompanha pela primeira vez a mãe, uma costureira, ao Palácio de Verão do Império de Syai. Nessa ocasião a jovem conhece a princesa Antian, herdeira ao trono do Império, nascendo uma amizade que une duas meninas de origens e posições diferentes.

 

Antian oferece a Tai um presente precioso: o juramento de jin-shei, um laço de amizade que apenas pode ser celebrado entre mulheres e que as unirá para sempre num vínculo mais forte ainda do que os próprios laços de sangue. Quando um terramoto destrói o Palácio, Antian pressente a sua morte e obtém de Tai a promessa de cuidar da sua irmã mais jovem, Liudan, que lhe irá suceder no trono.

 

Nos anos que se seguem, esta promessa e o juramento de jin-shei vão modelar a vida de várias mulheres: a imperatriz Liudan, que empreende uma luta feroz pelo poder e pela imortalidade, Yuet, a curandeira e confidente da imperatriz, a erudita Khaelin, cuja sede de conhecimento a conduz a um mundo de segredos obscuros, Nhia, a sábia, Xaforn, a guerreira órfã, pronta a dar a vida pelas irmãs jin-shei, a cigana Tammary, cuja linhagem secreta poderá arruinar a casa imperial, a ambiciosa Qiaan, filha adoptiva de um guarda de palácio, e a própria Tai, artista e poeta, que gera os primeiros laços de jin-shei entre todas ? laços que devem ser honrados, fruídos, até ultrajados, mas nunca quebrados."

 

É um livro bem escrito, que começa muito bem e que no inicio consegue prender o leitor, à medida que a história se vai desenvolvendo vai perdendo força.

 

Um livro soft... talvez uma boa leitura de férias.

 

Jorge Soares

PS:Post publicado inicialmente no blog O que é o jantar?

publicado por Jorge Soares às 21:14 link do post
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