Clube de leitura
Porque ler é um prazer que deve ser partilhado
02 de Março de 2010

 

"Esse romance de Franz Kafka constitui uma grande crítica metafórica a todos os mecanismos jurídicos que, de fato, demonstram aspectos obscuros e incompreensíveis à maioria da população."


Dizem que à terceira é de vez, e comigo foi. Já por duas vezes tinha começado este livro e por duas vezes tinha ficado a meio. Mas agora terminei-o.


Esquisito é a palavra que melhor o descreve para mim. Vivi um misto de revolta e de absurdo de estranheza e impotência enquanto lia este romance.


Tudo começa com Josef K. a acordar de manhã e a ser interrogado e acusado sem saber como, por quem, nem porquê.  E é isso que acontece ao longo de toda a obra, um profundo desconhecimento do porquê de ser acusado e de não ter como declarar inocência e de se ver envolto num buraco negro chamado Justiça.


Ninguém sabe como funciona a Justiça, como funcionam os tribunais. Os funcionários dos tribunais são-nos descritos como corruptos embora de pouca utilidade; os magistrados são descritos como crianças mimadas e rabujentas como quando lhes tiram um brinquedo; os advogados são praticamente inúteis, apenas contribuem para arrastar o processo, adiar o julgamento, não têm acesso às acusações que fazem ao seu cliente e nem podem apresentar defesa que não seja por escrito.


Acima de tudo, é o desconhecimento da razão pela qual se é acusado que angustia Josef e nos angustia a nós também... a certa altura, Josef duvida da sua inocência, embora o alegue sempre, porque simplesmente não sabe do que o acusam mesmo que se arraste pelos corredores do tribunal toda a sua vida, que arranje mil e um advogados ou "Grandes Advogados" tudo está envolto numa tamanha burocracia e secretismo que qualquer um se sente impotente.


Não há lugar à Defesa, foi uma das grandes ideias que tirei do livro. Não há lugar há defesa porque a acusação (sem justificação) como que serve de julgamento. A possível inocência que se pode ter num julgamento é parcial, como uma das personagens do livro nos explica, a inocência verdadeira não existe, apenas em teoria; a inocência parcial consegue-se à custa de corrupção e interesses tal como o adiamento constante do julgamento. É por isso que não há lugar à defesa porque a simples acusação sem fundamento é ela própria a sentença.


Publicado também no Queirosiana

 

publicado por Clara às 14:14 link do post

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