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Clube de leitura

Porque ler é um prazer que deve ser partilhado

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Porque ler é um prazer que deve ser partilhado

Isabel Allende:A soma dos dias

08.11.09, Jorge Soares

A soma dos Dias, Isabel AllendeTerminei de ler La suma de los dias, de Isabel Allende , eu nunca tive um especial interesse por biografias ou autobiografias, que me lembre li o Confiesso que vivi" do Garcia Marquez.....  mais nenhum. Este livro é autobiográfico, é uma espécie de continuação do Paula, mas sem a tristeza. Dei por mim um dia eram uma duas da manhã a tentar conter as gargalhadas para não acordar a P.

 

Tenho não sei quantas folhas dobradas com trechos que achei que iria colocar no meu Blog, este livro fala da vida da Isabel e do seu Clan , da forma como ela passa pela morte da sua filha, de como organizou a sua vida para estar sempre rodeada da família , da forma como se apoiam, como enfrentam os amores e os pesares, como festejam os feitos, como vão crescendo e pouco a pouco ficam ali, à volta do clan .

 

Li o livro em Castelhano, por norma, se puder escolher, compro os livros desta escritora em Castelhano , há uma certa magia e uma parte do misticismo associado ao ser Chilena e latina que se perdem na tradução,.

 

Neste livro ela fala de todos os que escreveu neste período , e é engraçado perceber como é que algumas coisas funcionam, fiquei espantado quando ela diz o seguinte:

 

"Um Sábado ao meio dia chegaram a nossa casa três pessoas, que ao principio confundimos com missioneiros mormons . Por sorte estávamos enganados. Explicaram que tinham os direitos mundiais do Zorro, o heroi californiano que todos conhecemos. Criei-me com o Zorro...

.....- Fizemos tudo com o Zorro, filmes, series de televisão, historias, banda desenhada, disfarces, etc , menos uma obra literária , gostava de a escrever?"

 

E assim nasceu mais um bestseller.

 

No livro temos uma perspectiva sobre a sociedade americana dos últimos 20 anos vista pelos olhos de uma matriarca latino-americana que vive em São Francisco, que é casada com um americano e que consegue juntar à sua volta os seus filhos, os filhos dele, os seus dramas e as suas conquistas.

 

Um livro a ler, que me deixou com vontade de revisitar o Paula uma vez mais e que quanto a mim dará para muitos posts .... 

 

Jorge

PS:imagem retirada da internet

PS2:Post publicado inicialmente no blog O que é o jantar?

O Codex 632 - José Rodrigues dos Santos

07.11.09, DG14RSN

 

Quando se trata de leitura, quer se seja um devorador ávido de livros ou um penoso e sofrido leitor esporádico, é impossível evitar uma certa tendência linear. Inconscientemente, acabamos sempre por eleger um determinado estilo de escrita, um tipo de história, tema e escritor como primeira escolha.

 

Eu, sou dos que adora livros. Vicio-me em qualquer um e não consigo parar de ler a partir do momento que começo. Ao longo do tempo fui adquirindo um gosto especial por livros que abordem uma intensa aventura de investigação e que se consiga relacionar com questões históricas. Nesta classe, há dois autores que destaco claramente: Dan Brown e José Rodrigues dos Santos.

 

Evitando a habitual tendência de importação, vou-me dedicar ao autor nacional.

 

O destaque que, pessoalmente, lhe confiro não se deve ao seu estilo de escrita. Deve-se, isso sim, à espantosa investigação por detrás das obras e à capacidade de interligar factos soltos que possam interagir na situação criada. Consegue fazer-nos pensar duas vezes nas possíveis implicações existentes entre coisas que antes pensávamos não estarem ligadas de forma nenhuma.

 

Há que reconhecer porém, que apesar de os livros se centrarem num romance leve e simples, com personagens simpáticas, frescas e agradáveis, há uma falha recorrente. Trata-se da cadência com que as informações são debitadas. A forma dos diálogos é, geralmente, tão filosófica que chega a ser difícil de acompanhar.

 

É, no entanto, um facto aceitável pois  tratam-se de matérias muito avançadas e de tal maneira teóricas que se torna difícil explicar de uma forma a que toda a gente compreenda, sem perder o teor do conteúdo (é preciso recordar que nem todos estudam, por exemplo, a física quântica).

 

Um outro pormenor é apercebido por aqueles que começam a acompanhar com maior regularidade as suas obras. Em grande parte dos seus romances históricos e científicos, a personagem principal é sempre a mesma. Porém, é difícil fazer uma ligação cronológica entre as histórias, sendo que, apesar de manter sempre o carácter mulherengo (o que confere leveza e graça ao romance), não é clara a sua árvore genealógica e de relações amorosas. Por outro lado, a escolha desta personagem leva a situações muito semelhantes entre livros e a desfechos muito equivalentes. Embora esta condição possa parecer uma falta de originalidade, na verdade, a meu ver, deve ser encarado como sendo um grande cuidado em manter as características de personalidade de uma personagem chave em livros distintos, o que é de enaltecer.

 

Restringindo-me a um único título, foco o “O Codex 632”. É um romance que se pode considerar ter duas histórias distintas dentro do mesmo livro. Enquanto relata a aventura de um historiador na senda de conhecer a verdadeira história de Cristovão Colombo, aborda também os seus problemas conjugais e familiares durante o desenrolar da investigação, relatando as dificuldades matrimoniais quando se tem um filho com uma deficiência de nascença.

 

O meu realce, porém, centra-se no tema da investigação. Ao investigar os mistérios que envolvem a identidade do descobridor da América, toca na História de Portugal, agrupando e interligando com inteligência factos, mitos, questões e incongruências dos relatos da época, culminando numa interessante descoberta muito ao estilo da “Teoria da Conspiração” acerca da sua nacionalidade e possíveis razões para a grande falta de documentação sobre a sua identidade.

 

Resumindo, é um livro que recomendo a todos os que adoram História e mistérios envolvendo factos verídicos. Bem como o autor!

 

A Ilha de Victoria Hislop

04.11.09, Abigai

 

Já li este livro há algum tempo, e considero-o um livro muito marcante repleto de sentimentos profundos, uma história de amor e uma lição de vida.

Uma história terrível sobre a lepra, sobre a discriminação e maldade.

Mas também uma história na qual o amor consegue vencer qualquer adversidade por mais difícil que seja.

 

SINOPSE:

Num momento em que tem que tomar uma decisão que pode mudar a sua vida, Alexis Fieldings está determinada a descobrir o passado da sua mãe. Mas Sofia nunca falou sobre ele, apenas contou que cresceu numa pequena aldeia em Creta antes de se mudar para Londres. Quando Alexis decide visitar Creta, a sua mãe dá-lhe uma carta para entregar a uma velha amiga e promete que através dela, Alexis vai ficar a saber mais. Quando chega a Spinalonga, Alexis fica surpreendida ao descobrir que aquela ilha foi uma antiga colónia de leprosos. E então encontra Fotini e finalmente ouve a história que Sofia escondeu toda a vida: a história da sua bisavó Eleni, das suas filhas e de uma família assolada pela tragédia, pela guerra e pela paixão. Alexis descobre o quão intimamente ligada está àquela ilha e como o segredo os une com tanta firmeza.

 

Aconselho este livro, é um romance intenso e sensível sobre segredos de família, paixões e traições, ignorância e preconceito. A lepra, além de fatal, era carregada de estigma.

A Fuga - Carolyn Jessop com Laura Palmer

02.11.09, emma_leiria

 

 

Nasci numa seita poligâmica radical. Aos dezoito anos, tornei-me a quarta mulher de um homem de cinquenta e dois anos. Em quinze anos, tive oito filhos. Quando o nosso líder começou a pregar o apocalipse, percebi que tinha de os tirar dali.

 

Isto é o que podemos ler na capa do livro, depois temos a sinopse:

 

Aos dezoito anos, Carolyn foi coagida a casar com um homem trinta e dois anos mais velho, Merril Jessop, que já tinha três mulheres. Os casamentos plurais faziam parte da tradição de Carolyn, que crescera no seio da Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos dias (FLDS). Nos quinze anos que se seguiram, Carolyn teve oito filhos e suportou os abusos psicológicos constantes do marido.

Todos os movimentos dela eram ditados pelos caprichos do marido. Era ele quem decidia onde viver; quem controlava o dinheiro que ela ganhava como professora; quem decidia quando tinham sexo. Durante anos, ela foi infeliz, mas sabia que se tentasse fugir e fosse apanhada, os filhos ser-lhe-iam tirados. Mas, em 2003, Carolyn trocou o medo pela liberdade e fugiu com os oito filhos, com apenas vinte dolares no bolso.

A Fuga revela um mundo equivalente a um campo de concentração, criado por um fanático religioso que, em nome de Deus, privou os seguidores do direito de escolher, obrigou mulheres a serem totalmente subservientes aos homens e fez lavagens ao cérebro às crianças. Num tal ambiente, a saída de Carolyn assume uma força extraordinária e inspiradora.

Otestemunho de Carolyn constitui uma parte fundamental do processo judicial que levou á detenção do seu famoso líder, Warren Jeffs.

 

O livro tem 400 paginas, vou na pag. 157 e não paro de pensar em como é imcompreensível que uma seita como esta possa existir nos tempos de hoje.....

 

João Aguiar:A voz dos Deuses

01.11.09, Jorge Soares

A voz dos deuses, João AguiarTinha lido este livro há 14 anos, em 1994, lembro-me de o ter comprado na feira do livro no Parque Eduardo Sétimo num dia em que o João Aguiar lá estava, por acaso recordava partes de O Homem sem nome, deste não recordava muito.. apesar de o ano passado ter visto a representação do grupo de teatro Fatias de Cá com o castelo de Almourol como pano de fundo... uma coisa fantástica que aconselho vivamente...

 

Li o livro numa semana, à hora do almoço, e não fosse a obrigação, no primeiro dia tinha lá ficado o resto do dia até terminar......  Eu gosto muito de historia, sei bastante de historia mundial e muito pouco de historia de Portugal, com este livro descobri o Viriato e descobri o Portugal da época dos romanos. O livro conseguiu transportar-me até aquela época até ao ponto de conseguir sentir o ambiente que se vivia na hoste de Viriato, os usos e costumes dos povos, os deuses, os sacrifícios , o significado do monte da Lua e as deidades que o habitavam.

 

Não consigo avaliar o rigor histórico da obra, mas redescobri um livro que adorei, um livro de um escritor Português que aconselho vivamente, de fácil leitura e que nos consegue prender da primeira à ultima página

 

Texto da contracapa

 

"Em 147 a.C., alguns milhares de guerrilheiros lusitanos encontram-se cercados pelas tropas do pretor Caio Vetílio . Em princípio, trata-se apenas de mais um episódio da guerra que a República Romana trava há longos anos para se apoderar da Península Ibérica. Mas os Lusitanos, acossados pelo inimigo, elegem um dos seus e entregam-lhe o comando supremo. Esse homem, que durante sete anos vai ser o pesadelo de Roma, chama-se Viriato.

Entre 147 e 139, ano em que foi assassinado, Viriato derrotou sucessivos exércitosCastelo de almourol romanos, levou à revolta grande parte dos povos ibéricos e foi o responsável pelo início da célebre Guerra de Numância.

Viriato foi um verdadeiro génio militar, político e diplomático. Mas, sobretudo, Viriato foi o defensor de um mundo que morria asfixiado pelo poderio romano: o mundo em que mergulham as raízes mais profundas de Portugal e de Espanha. É esse mundo, já então em declínio, que este livro tenta evocar.

Aquando do seu aparecimento, em 1984, Fernando Assis Pacheco escreveu serem raras as estreias com tanta qualidade. Depois disso, A Voz dos Deuses, ao longo de sucessivas edições, tornou-se um "clássico" do romance histórico português contemporâneo.

A presente edição surge pela primeira vez ilustrada, com desenhos de Vasco Lopes. "

 

Jorge

PS:Imagens retiradas da internet.

PS2:Post publicado inicialmente no blog O que é o jantar?

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