Clube de leitura
Porque ler é um prazer que deve ser partilhado
08 de Novembro de 2010

o fim da inocência - Francisco Salgueiro

"Hoje em dia os pais têm pouca ideia daquilo que realmente se passa com o filhos.

 

Julgam que as suas adolescências são iguais às que tiveram e deixam-nos à solta. Acontece que a realidade actual é muitíssimo diferente daquilo que oiço dizer que era nos anos setenta, oitenta e noventa.

 

É uma realidade em que o sexo e as drogas fazem parte do dia-a-dia"

 

É assim que começa este livro, uma nota escrita pela Inês e que funciona quase como que um aviso para o que nos espera nas páginas seguintes. Diz o autor que o livro é baseado em histórias reais contadas pela Inês, confesso que tenho sérias dúvidas, não é que todas estas coisas não possam acontecer com os nossos filhos, os filhos da vizinha, os de um colega de trabalho, alguém que conhecemos, eu tenho é sérias dúvidas que todas estas coisas possam acontecer com uma só pessoa.

 

No livro podemos encontrar todos os males da nossa sociedade, da simples utilização do telemóvel para partilha de coisas pouco inocentes, até à utilização do Facebook para fins mais ou menos morais.  Pelo meio passamos por tudo, absolutamente tudo, os perigos das salas de chat e do messenger, a droga na noite, a droga nos festivais de verão, etc, etc, etc.

 

A vida da Inês é quase um clichê da sociedade actual, filha da classe média alta, com pais separados, estuda num dos melhores colégios onde todos os seus colegas são copias quase idênticas dela. Crianças mimadas e com acesso a tudo ou quase tudo o que desejam.  Sem muitas preocupações monetárias e até escolares, vivem de acordo com o que está na moda, sendo que a moda pode passar por exemplo por  ir à internet ver fotografias e vídeos pornográficos. Com pais distantes ou que simplesmente não querem ver, vivem as suas próprias vidas desde muito cedo, não fazem escolhas, simplesmente deixam-se levar pela vida ao sabor do que está na moda, e não importa se é licito ou ilícito, caro ou barato, simples ou complicado.. mais que viver, o que importa é mostrar que se viveu.

 

O livro é um relato fiel de muitas coisas, coisas que no fim explicam a forma como nós como pais estamos a deixar que os nossos filhos se destruam. Tudo o que possam imaginar.. também muitas coisas que nunca imaginamos, está ali relatado, de uma forma dura e crua e em primeira pessoa

 

Independentemente de que toda a historia tenha saído da imaginação da Inês, da do Francisco Salgueiro, ou seja mesmo real, a verdade é que tudo o que está ali relatado existe mesmo, e a maioria de nós terá ouvido falar de tudo ou de quase tudo. É precisamente isso que me deixa na dúvida.. dificilmente alguém conseguiria passar por tantas coisas na vida .. e muito menos se no fim do livro a protagonista nem 18 anos fez.

 

Tirando o detalhe das cenas realmente chocantes, é um livro muito bem escrito, um livro que nos deveria deixar a pensar sobre a forma como estamos a educar os nossos filhos, sobre as muitas coisas que lhes damos todos os dias e sobretudo as que não lhes damos, atenção, formação e informação sobre o mundo real que existe lá fora.

 

"Se estiver a ler estas linhas e disser: Com o meu filho isso não acontece, porque é bom aluno e não o educo para se meter nessas coisas, talvez não seja má ideia ler o livro até ao fim.  Eu também era boa aluna e os meus pais não me educaram para me meter nessas coisas.

 

Sinopse:

Aos olhos do mundo, Inês é a menina perfeita. Frequenta um dos melhores colégios nos arredores de Lisboa e relaciona-se com filhos de embaixadores e presidentes de grandes empresas. Por detrás das aparências, a realidade é outra, e bem distinta. Inês e os seus amigos são consumidores regulares de drogas, participam em arriscados jogos sexuais e utilizam desregradamente a internet, transformando as suas vidas numa espiral marcada pelo descontrolo físico e emocional. Francisco Salgueiro dá voz à história real e chocante de uma adolescente portuguesa, contada na primeira pessoa. Um aviso para os pais estarem mais atentos ao que se passa nas suas casas

 

Jorge Soares

 

publicado por Jorge Soares às 21:46 link do post
Não sei bem o que dizer nem como o dizer. a verdade é que tambem eu me arrependo muito das coisas que fiz, se pudesse recomecava de novo, nao perdiria a virgindade tão cedo não sairia tanto.. mas agora ja esta feito, sinto que pouco me resta exprimentar. Não gosto de andar na faculdade e saber que os meus melhores amigos sao virgens, quem me dera ter sabido que ser virgem ate aos 18 era normal! Na altura nao percebia isso nao sei muito bem porque.. talvez fosse porque os meus amigos tivessem todos perdido. Recusei drogas pesadas e perdi amigos, nao consigo dizer que foi a melhor decisao mas sei que se perguntar aos meus pais eles dirao que foi. Claro que nao lhes vou perguntar, para eles eu sou uma santa e raramente saio. Sou virgem e tenho a vida toda pela frente. Vou ao centro de saude e ao centro de juventude pedir a pilula e vou as consultas gratuitas dos jovens, os meus pais nao sabem de nada. Se eles imaginassem acho que se iam culpar, a culpa nao foi deles. Talvez se o meu irmao mais novo le-se o livro ele nao cometeria o mesmo erro, mas por outro lado, talvez ficasse com vontade de exprimentar. Aos 12 anos nos falavamos de sexo na escola e isso fez crescer uma vontade interior, como nao sabiamos o que fazer com elas porque os adultos achavam que era cedo de mais para falar de sexo, arranjavamos forma de nos entreter e de descubrir sozinhos.Parabens pelo livro, quem me dera ter lido mais cedo
Filipa a 16 de Outubro de 2011 às 19:57
Repetindo, concordo com este anónimo: isto são excepções!
Acrescento só que, realmente, para o sucesso da venda de um livro seja conveniente falar, desta vez, das classes altas, dos meninos de pais de divorciados, com muito dinheiro e pététété, como se isso fosse uma marca que eles tivessem na testa para fazer todos os disparates possíveis e imaginários.
Já estamos fartos de ouvir falar dos toxicodependentes pobrezinhos, dos arrumadores, dos sem abrigo, dos pobres, enfim. Vamos lá então falar dos podres da classe média alta.... Balelas!
pg a 18 de Dezembro de 2011 às 23:12

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